(Magnific/Reprodução)
Redatora
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 05h37.
Quase quatro em cada dez candidatos já recorrem a ferramentas de inteligência artificial para montar a candidatura a uma vaga.
O dado é do Future of Work Research Lab, laboratório de pesquisa mantido pela SAP SuccessFactors, que descreve o cenário atual do recrutamento como uma "corrida armamentista": de um lado, empresas usam IA para triar currículos em escala; do outro, candidatos usam IA para otimizar candidaturas na mesma escala.
Segundo o relatório da SAP, publicado em outubro de 2025, a adoção de IA por candidatos está forçando as áreas de recursos humanos a repensar completamente a forma como avaliam quem se candidata.
Quanto mais os dois lados do processo seletivo recorrem à automação, mais difícil fica para os métodos tradicionais de triagem cumprirem sua função original, que é diferenciar candidatos.
O efeito colateral já aparece na rotina de quem recruta.
Com a IA gerando currículos otimizados para as mesmas palavras-chave de uma descrição de vaga, o resultado é um volume cada vez maior de candidaturas parecidas entre si, o que torna mais difícil identificar quem realmente se destaca dentro da pilha.
O uso intenso de IA nas candidaturas tem gerado desconfiança do outro lado da mesa. Uma pesquisa da consultoria Robert Half nos Estados Unidos mostrou que mais de dois terços dos gerentes de contratação relatam que candidaturas com forte presença de IA, algumas com informações fabricadas ou exageradas, tornam o processo de contratação mais lento, porque exigem verificação extra da real experiência do candidato. Cerca de 20% relataram atrasos de até duas semanas só por conta desse tipo de checagem.
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A diferença entre usar IA a favor ou contra a própria candidatura está na forma como a ferramenta é empregada. Usá-la para pesquisar a empresa, organizar ideias e revisar a escrita tende a fortalecer a candidatura.
Usá-la para gerar o texto inteiro, sem qualquer edição pessoal, tende a produzir o mesmo resultado genérico que está pulverizado nas caixas de entrada dos recrutadores.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
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