Redatora
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 14h56.
RESUMO | As empresas brasileiras estão com pressa de adotar inteligência artificial, mas a governança não acompanha: 95% planejam usar agentes de IA em até dois anos, e só 27% têm modelos maduros para isso, segundo a Deloitte. A resposta de parte do mercado está no treinamento sob medida, o In Company, em que uma escola desenha um programa exclusivo para a empresa. Na Saint Paul In Company, as trilhas de IA mudam conforme o cargo: o analista aprende a ganhar produtividade, e a alta liderança discute estratégia, riscos e reputação.
A inteligência artificial chegou às empresas brasileiras antes de as lideranças estarem prontas para ela. Segundo o estudo State of AI in the Enterprise, da Deloitte, feito com 115 executivos no Brasil, 95% das empresas planejam adotar agentes de IA nos próximos dois anos. Só 27% afirmam ter hoje um modelo de governança maduro para a tecnologia.
A distância aparece também na operação. Apenas 23% das empresas brasileiras conseguiram levar ao menos 40% dos seus projetos-piloto de IA para o uso em escala, segundo o mesmo levantamento.
Para fechar essa lacuna, as empresas voltaram a atenção para quem decide. Os líderes já concentram 51% do orçamento de treinamento no Brasil, de acordo com a Pesquisa Panorama do Treinamento 2025/2026, da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), e essa fatia cresceu 3% no último ano. Cada vez mais, parte desse dinheiro vai para programas feitos sob medida.
Esse modelo é chamado de In Company, expressão em inglês que significa "dentro da empresa". Em vez de mandar gestores para um curso aberto, com turma formada por profissionais de várias organizações, a empresa contrata uma escola para montar um programa exclusivo, construído a partir dos próprios desafios.
A contratação de parceiros de fora já é a regra. Pela pesquisa da ABTD, 51% do orçamento de treinamento das empresas brasileiras vai para atividades terceirizadas, como consultores, professores e cursos. Em média, as empresas investem R$ 1.199 por colaborador ao ano.
Na Saint Paul In Company, braço corporativo da Saint Paul Escola de Negócios, o programa começa com um diagnóstico da cultura, dos desafios prioritários e do perfil de quem vai estudar. A jornada pode combinar encontros presenciais, online ou híbridos e usa a sala de aula invertida: o aluno estuda o conteúdo antes e usa o tempo de aula para discutir e aplicar o que aprendeu.
LEIA MAIS: Conheça as trilhas de IA para Negócios da Saint Paul In Company
Em IA, a personalização faz mais diferença, porque o que um analista precisa saber sobre a tecnologia não é o que o presidente precisa decidir sobre ela.
A Saint Paul organiza as trilhas por nível de maturidade. Para analistas e especialistas, o foco é a aplicação prática: usar IA para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade das análises. Para gestores, a trilha IA para Lideranças trata de decisões orientadas por dados, gestão de riscos e governança. No topo, IA para Alta Liderança prepara executivos para definir a estratégia de IA da empresa, considerando compliance, impacto na reputação e a mudança cultural necessária para trabalhar com dados.
A própria área de treinamento já mudou com a tecnologia. Em um ano, a fatia de empresas brasileiras que usam IA para criar conteúdo de treinamento saltou de 8% para 69%, segundo a ABTD.
Treinar líderes é uma coisa, e medir a mudança é outra. Quase todas as empresas brasileiras (92%) acompanham algum indicador de treinamento, mas a maioria para na pesquisa de satisfação ao fim do curso, aplicada em 71% dos projetos. Só 1% dos projetos chega a calcular o retorno sobre o investimento, segundo a ABTD.
Por isso, o desenho sob medida tenta partir das metas que a empresa já acompanha. Na Saint Paul In Company, os programas são estruturados para apoiar indicadores e prioridades de cada organização, e as trilhas atendem cinco níveis, dos trainees à alta liderança.
A escola foi eleita cinco vezes uma das melhores escolas de negócios pelo Financial Times e aparece há 11 anos consecutivos entre as mais admiradas por profissionais de RH, segundo o Top of Mind.
Com a IA avançando mais rápido do que a governança, o treinamento de líderes deixou de ser um benefício e passou a ser uma decisão sobre risco.
LEIA MAIS: Saint Paul In Company: programas sob medida em liderança, IA e finanças
É um programa de educação corporativa criado sob medida para uma única empresa. O conteúdo, o formato e o cronograma são definidos a partir dos desafios, da cultura e do perfil dos funcionários.
No curso aberto, profissionais de várias empresas estudam um conteúdo padronizado. No In Company, a turma é formada por funcionários de uma só empresa, e o programa usa casos e problemas do próprio negócio.
Porque a adoção avança mais rápido que a governança. Segundo a Deloitte, 95% das empresas brasileiras planejam usar agentes de IA em até dois anos, mas só 27% têm modelos de governança maduros.
Depende do nível. Gestores estudam decisões orientadas por dados, riscos e governança. A alta liderança discute a estratégia de IA da empresa, com foco em compliance, reputação e mudança cultural.