Você é mais uma vítima da falácia do planejamento?

Planejar continua sendo importante, mas é preciso levar em conta que a velocidade das mudanças exige desprendimento

Este texto deveria estar pronto há dois dias. No entanto, cá estou eu, lutando para terminá-lo e fazer a entrega desta coluna de estreia aqui na Bússola com um mínimo de atraso possível. Mais uma vez, fui vítima da Falácia do Planejamento.

O conceito foi descrito pelos economistas e psicólogos Daniel Kahneman (ganhador do Prêmio Nobel e autor do best-seller Rápido e Devagar) e Amos Tversk para definir o impulso irresistível em sermos otimistas quando estimamos o tempo e os recursos necessários para desenvolver alguma tarefa – das grandes às minúsculas. Assim, obras atrasam e custam mais do que o inicialmente previsto; planos de negócio naufragam (recentemente foi-me dito que a cada 25 startups, 24 morrem no primeiro ano); e escritores levam muito mais tempo para entregar o que haviam prometido – os fãs de Game of Thrones (os livros, não a série de TV) que o digam.

Arrisco dizer que não há nenhum aprendizado maior que a pandemia nos tenha trazido do que a Falácia do Planejamento. Tudo o que estava planejado para 2020 foi por água abaixo. Tudo o que foi planejado em 2020 para 2021 também já foi. Ainda assim, já estamos pensando em como será em 2022, quando todos estivermos vacinados.

O próprio enfrentamento da pandemia foi nada mais do que uma série de planejamentos falhos, em maior ou menor grau a depender do tamanho e condições econômicas de cada país. Não é possível dizer que o governo indiano, por exemplo, não estava ciente do risco que o novo coronavírus representava após mais de um ano em circulação, mas ainda assim foi obrigado a orientar as pessoas a queimar seus mortos em casa, na semana passada. E nem falaremos aqui do caso brasileiro.

Mais uma vez, vimos que tudo que é sólido continua se desmanchando no ar. Os tempos são líquidos, fluídos, a vida virou fluxo. Planejar continua sendo importante, mas é preciso levar em conta que a velocidade das mudanças exige que nos desprendamos daquilo em que acreditamos.

Controlamos cada vez menos. Isso significa que, daqui para a frente, planejar será estarmos mais preparados para mudar nossas convicções se necessário, trabalhando sempre com dados concretos e fazendo uma leitura constante de cenário. O prazo de validade de qualquer plano diminuiu muito – é preciso colocar logo em prática, aplicar, testar e rapidamente entender se aquilo vai mesmo funcionar. Sair do grande e extenso e ser rápido, ágil e corrigível. A vida virou uma grande startup.

Dessa forma, talvez nossa chance de acertar, nem que seja naquilo que não vimos, seja um tanto maior.

*Rodrigo Pinotti é sócio-diretor da FSB Comunicação

Siga Bússola nas redes: Instagram | LinkedinTwitter  |   Facebook   |  Youtube

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 4,90/mês
  • R$ 14,90 a partir do segundo mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 129,90/ano
  • R$ 129,90 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 10,83 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Veja também