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Universidades brasileiras impulsionam sonho olímpico e paralímpico

Ser Educacional e Unisanta investem em atletas de alto rendimento; entre os atrativos estão bolsa de estudo, infraestrutura e apoio a viagens

Pouco depois da Olimpíada, Tóquio recebe agora os Jogos Paralímpicos. Em comum, o sonho de alcançar as metas traçadas: um lugar no pódio, a quebra de recordes pessoais ou mesmo a oportunidade de participar da maior competição esportiva. Mas alguns países levam nítida vantagem. E em alguns deles o apoio das universidades é fundamental. Nos Estados Unidos, as chamadas Universíades mostram a pujança das instituições de ensino superior no esporte olímpico americano.

No Brasil, instituições como Ser Educacional e Unisanta são algumas que investem em esporte e enviaram atletas e paratletas para Tóquio.

Com sede no Recife, o Grupo Ser Educacional apoia mais de 20 modalidades esportivas.

“A gente hoje deve ter, mais ou menos, mais de 1.500 atletas contemplados com bolsas e descontos em diversos cursos do grupo em nossas unidades”, declara o coordenador de esportes do grupo Ser Educacional, Hermógenes Brasil.

A faixa etária dos bolsistas varia entre 18 e 30 anos, com atividades em estados como Amazonas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Na maioria são atletas de alto rendimento, que compreendem que têm de concluir o ensino superior para que o futuro esteja encaminhado, para que possam ter uma outra profissão. E alguns já saem pós-graduados”, afirma o coordenador.

Uma delas é Yane Marques, única detentora de medalha olímpica do pentatlo moderno na América Latina. Formada em educação física, Yane trabalha atualmente na área esportiva na prefeitura de Recife.

Assim como Yane, os atletas recebem bolsas de estudo e suporte para as viagens.

“Queremos que eles pensem em competir, só competir. E, na parte educacional, quando estão em viagem, a gente procura dar um suporte ali para que eles possam assistir às aulas e repor as aulas”, diz o executivo.

O incentivo envolve ainda material esportivo para treinos e competição, além do acompanhamento de professores e treinadores.

O Ser Educacional conta com três atletas nos Jogos Paralímpicos. Dois deles já conquistaram medalhas: Petrúcio Ferreira, ganhador da medalha de ouro nos 100 metros T47 e Cícero Nobre, bronze no lançamento de dardo F-57. Tayana Medeiros (halterofilismo). O atleta-guia Cleiton Cezario Abraão, no atletismo, também está no Japão. Nos Jogos Olímpicos, a instituição de ensino esteve representada por outros nomes do atletismo.

A Universidade Santa Cecília é outra instituição que comprova a importância do apoio ao esporte, especialmente a natação. Da equipe da Unisanta saíram duas medalhas olímpicas em esportes aquáticos, com Ana Marcela Cunha, ouro em Tóquio 2020 e Poliana Okimoto bronze, na Rio 2016.

“Nos orgulhamos de ser a única universidade brasileira detentora de duas medalhas olímpicas”, diz o diretor de esportes da Unisanta, o professor João Carlos Barros.

“Esses resultados não aconteceram nesses anos recentes. É uma construção de mais de 40 anos. Está na nossa marca”, declara Barros.

Instalada em Santos, a universidade mantém atletas de renome nas piscinas. Entre eles estão Nicholas Santos, o nadador de maior idade na história a ser bicampeão mundial, Carlos Farrenberg, medalhista de prata na Paralimpíada Rio 2016, e Leonardo de Deus, tricampeão pan-americano, entre outros.

O investimento começa na base, com atletas mirins. A estrutura é reconhecida e o parque aquático na Baixada já sediou campeonatos nacionais e foi escolhido para treinos das delegações da Itália, Japão, Eslovênia e Rússia antes da Rio-2016.

Além da natação, a Unisanta investe outras modalidades: surfe, caratê, judô, canoa havaiana, futebol escolar, handebol, voleibol, futebol de salão e tênis de mesa, entre outros.

Inspiração americana

Segundo Hermógenes Brasil, os Estados Unidos são uma das principais referências.

“Nessa questão universitária, é uma potência. A gente se inspira como gestor, já fez alguns estudos, já fez intercâmbio nos Estados Unidos, já viu o trabalho que realizaram diversas universidades e tenta impulsionar no grupo Ser Educacional”, diz.

“Nos Estados Unidos, cada estado tem o seu incentivo. Procuram apoiar ao máximo as escolas, as universidades, e desenvolver cada vez mais a parte esportiva porque sabem que é importante para o cidadão. Aqui no Brasil a gente não tem isso”, declara Hermógenes.

O diretor de esportes da Unisanta, tem análise parecida. Segundo ele, nos Estados Unidos as universidades gozam de benefícios fiscais e incentivos que possibilitam o investimento em programas esportivos de alto rendimento.

“Vários atletas universitários americanos são campeões olímpicos e mundiais. Os campeonatos universitários americanos congregam a base olímpica americana. Bolsas de estudo por meritocracia conjugam com programas esportivos. Alto nível de exigência em ambas as atividades”, diz Barros.

Segundo ele, o que falta no Brasil são os incentivos governamentais para as atividades esportivas universitárias de alto rendimento.

“Não temos dúvidas de que, se houvesse esse tipo de apoio, estaríamos disputando em melhores condições com os países de Primeiro Mundo. Na Unisanta, desenvolvemos os programas com recurso próprio”, afirma.

“Os jogos de Tóquio mostraram isso. Poder continuar praticando e estudando no nível superior ainda é um privilégio para poucos. Muitos atletas promissores interrompem os programas esportivos quando ingressam na universidade, por falta de trabalhos voltados para o alto rendimento”, declara Barros.

O atleta bolsista do Ser Educacional, Thiago Moura, do salto em altura, concorda.

“O sistema americano é um exemplo mundial. É um trabalho muito bem-feito, que consiste em selecionar um atleta, dar uma bolsa integral, tendo todo o tipo de estrutura. E o melhor, você sai da universidade com um diploma. Seria ideal um pouquinho dele ser implantado na estrutura educacional brasileira”.

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