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Renato Krausz: a bola de cristal do ESG

Entre as previsões para 2022, estão o fim da supervalorização das empresas de carros elétricos e os dilemas da descarbonização

Por Renato Krausz*

Passei várias horas da noite de ontem lendo previsões que andam fazendo para 2022. Há coisas interessantes sobre o metaverso de Mark Zuckerberg, a polarização política no Brasil e no mundo, o ESG e os mercados globais, entre outros assuntos.

Claro que há também muita papagaiada sobre a vida amorosa de subcelebridades, o alinhamento dos astros celestes e o Neymar. Vamos deixar essas de lado.

Duas previsões têm muita ligação entre si e mostram que o caminho da descarbonização mundial será cheio de obstáculos, embora sejam potentes os holofotes sobre o assunto e numerosas as empresas que têm firmado seus compromissos de net zero.

A primeira delas, li no NeoFeed, é do guru do Vale do Silício e professor da NYU Scott Galloway, que todo ano lança uma série de previsões do mundo da tecnologia e dos negócios — e em geral acerta a maioria. A lista deste ano ele divulgou em live, na terça-feira, 4, e vinha com isso: “Penso que o mercado de carros elétricos será cortado pela metade”.

E disse mais: “Há uma grande chance de a Tesla cair 80%. Ainda assim, a empresa valerá mais do que a Ford e a General Motors”. Para Scott, a supervalorização de ativos dessas empresas vai acabar, e o mercado vai analisar com mais acurácia técnica tudo o que está envolvido na eletrificação geral das frotas.

 

A outra previsão, informa o Brazil Journal, está na relação dos dez maiores riscos geopolíticos elencados anualmente pela Eurasia Group, uma das maiores consultorias políticas do mundo. Um desses riscos dá conta de que as metas de descarbonização de longo prazo vão acabar colidindo com as necessidades de energia no curto prazo.

“A pressão sobre os custos de energia vai se intensificar em 2022, obrigando governos a fazer uma escolha desagradável”, afirma a consultoria. Qual escolha? Ou agradam eleitores preocupados com as mudanças climáticas, ou fomentam um mercado de energia ainda distante do que o mundo almeja e precisa.

É fácil perceber a relação que existe entre as duas previsões. De nada adianta eletrificar tudo quanto é automóvel se a energia que os porá em funcionamento vier de térmicas a carvão. Ao mesmo tempo, quanto maior for a pressão pela substituição de combustíveis fósseis por eletricidade, maior será a tensão (com o perdão do trocadilho) e o dilema para produção de toda essa energia.

O carvão foi o calcanhar de Aquiles da COP26, em Glasgow. Nos últimos minutos da conferência, com a desesperança pairando no ar, o acordo final só foi possível quando os países desistiram de “eliminar” o seu uso e se contentaram com “reduzir”. No caso dos carros, o Brasil tem um supertrunfo que é o etanol. Resta saber se conseguiremos aproveitar as oportunidades de estender o seu uso internamente e exportar a tecnologia.

Para terminar, vou arriscar também algumas previsões minhas. Penso que a enxurrada de novos fundos ESG no Brasil será menor do que em 2021, uma vez que novas regras da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) tornaram mais rigorosa a classificação dos produtos que se autointitulam sustentáveis ou verdes.

Acredito que o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 terá um desempenho melhor que o do Ibovespa e que as empresas listadas sofrerão cobrança muito maior para divulgar nos resultados trimestrais as informações sobre emissões de gases de efeito estufa, diversidade nos quadros e alinhamento da remuneração variável a metas socioambientais.

E, por fim, arriscaria dizer que os eleitores no mundo todo vão à forra e que o Corinthians será vice-campeão do Brasileirão, logo atrás do São Paulo. É esperar para ver.

*Renato Krausz é sócio-diretor da Loures Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a EXAME. O texto não reflete necessariamente a opinião da EXAME.

 

 

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