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Qual é o papel das empresas na preservação da memória?

A salvaguarda da memória corporativa não contribui apenas com a cultura do país, mas ajuda a própria empresa a entender melhor sua trajetória

Por Claudia Calais*

Não há cultura sem memória. A história compartilhada de um grupo, seja uma família, uma empresa, um bairro ou uma nação inteira, é o que lhe permite desenvolver laços de identidade e pertencimento. Sem o cultivo da memória também não há projeção de futuro, pois é impossível arquitetar novos horizontes sem antes conhecer de onde se parte. A memória é um aspecto fundamental da nossa experiência no mundo, e contribui em grande medida para nos tornar verdadeiramente humanos.

Não basta apenas haver um registro do passado. Ele precisa estar acessível às gerações presentes e às que ainda virão. Acompanhamos com tristeza o incêndio no galpão que abriga o acervo da Cinemateca Brasileira — mais um na lista de tragédias que vêm atingindo o patrimônio cultural brasileiro nos anos recentes. Com a destruição de centenas, talvez milhares, de películas e negativos da Cinemateca, esquecemos, enquanto país, um pouco de quem somos, privando as gerações futuras de um pedaço de seu próprio passado.

É tempo de reafirmar a importância das políticas de preservação da memória. As empresas têm papel ativo nessa missão, garantindo, em primeiro lugar, a integridade de seus preciosos acervos. A salvaguarda da memória corporativa não contribui apenas com a cultura do país, mas ajuda a própria empresa a entender melhor sua trajetória, aprender com os erros e acertos do passado, rever ou reafirmar valores. Pela memória, uma empresa consolida sua identidade.

A preservação da memória também está intimamente ligada aos compromissos de ESG (“ambiental, social e governança”, na sigla em inglês), cada vez mais comuns no mundo corporativo. Promover a preservação do patrimônio cultural, ouvindo as comunidades e valorizando suas memórias, é um dos importantes compromissos sociais que uma empresa pode firmar.

Em parceria com o Museu da Pessoa, a Fundação Bunge está criando cinco núcleos de memória nos municípios de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Rondonópolis (MT), Gaspar (SC) e Rio Grande (RS). São grupos dedicados a captar, preservar e disseminar memórias e histórias de vidas de pessoas de diferentes comunidades, valorizando a história de cada um e, juntos, construindo a história de todos.

Cada núcleo escolherá sua temática, de modo que os próprios membros das comunidades serão os responsáveis pela democratização da memória social e assumirão papéis de protagonistas de suas próprias histórias. Os grupos terão ainda espaço para catalogar, preservar e disponibilizar todo conteúdo recolhido neste trabalho no portal do Museu da Pessoa e serão incentivados a socializarem os trabalhos.

Ações afirmativas como estas são importantes para que no processo de resgate destas histórias sejam reafirmados valores e crenças locais, potencializadas descobertas identitárias, feitas revisões históricas. Só conseguimos pertencer ao coletivo se, antes, tivermos clareza da nossa identidade como indivíduo, como membro de um grupo, comunidade ou sociedade. A construção coletiva parte inicialmente de um reconhecimento individual e de pertencimento.

O projeto, iniciado neste mês, deve se estender até agosto do ano que vem. Aguardamos ansiosos pelos desdobramentos dessa jornada, confiantes de que a preservação da memória e do patrimônio cultural, além de integrar um conjunto de compromissos sociais indispensáveis a qualquer grande empresa, é uma das estratégias mais eficientes de valorização da cultura e da diversidade.

*Claudia Calais é diretora-executiva da Fundação Bunge

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