IPCA: mercado projeta desaceleração para 0,34%, após alta de 0,43% em abril (Fernando Moraes/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 12 de junho de 2026 às 09h08.
Última atualização em 12 de junho de 2026 às 09h21.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês de maio em 0,58%, uma desaceleração de 0,09 ponto percentual em comparação ao índice de 0,67% registrado em abril.
A inflação acumula alta de 4,72% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta de inflação do Banco Central. No ano, o IPCA acumula alta de 3,20%. Em maio de 2025, a taxa ficou em 0,26%.
O resultado veio levemente acima da expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,53% no mês. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação de maio foi impulsionada principalmente por três grupos: alimentos e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais.
O grupo alimentos e bebidas registrou alta de 1,33%, com impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Entre os itens que mais pressionaram o índice estão a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%), a cebola (16,80%) e as carnes (1,39%).
O IBGE aponta que os aumentos refletem menor oferta de alguns produtos e o efeito do frete, influenciado pela alta nos preços dos combustíveis. Entre os produtos que caíram, destacam-se o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).
O grupo habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e foi o principal impacto individual do mês (0,15 p.p.).
O aumento se deve à combinação de reajustes em diversas cidades e à vigência da bandeira tarifária amarela em maio, que adicionou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Entre os reajustes regionais mais expressivos estão Campo Grande (12,36%), Aracaju (5,91%) e Fortaleza (5,59%).
Em saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,90%, impulsionada pelos artigos de higiene pessoal (1,95%), com destaque para perfumes (4,42%), e pelos planos de saúde, que subiram 0,50%.
O grupo transportes registrou queda de 0,46%, refletindo principalmente a retração nos combustíveis (-1,95%). O etanol recuou 6,20%, o diesel caiu 2,34% e a gasolina teve o maior impacto negativo (-0,08 p.p.), com recuo de 1,46%. Em contrapartida, o gás veicular subiu 5,81% após queda em abril.
Regionalmente, as maiores variações ocorreram em Aracaju e Campo Grande (1,31%) devido às altas de energia elétrica e alimentos, enquanto Curitiba registrou a menor variação (0,29%), influenciada pela queda em emplacamentos e na gasolina.
Variação do IPCA por região
| Região | Peso Regional (%) | Variação (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Abril | Maio | Ano | 12 meses | ||
| Aracaju | 1,03 | 0,84 | 1,31 | 4,22 | 5,42 |
| Campo Grande | 1,57 | 1,02 | 1,31 | 3,98 | 4,30 |
| Recife | 3,92 | 0,82 | 0,95 | 3,95 | 5,62 |
| São Luís | 1,62 | 1,09 | 0,87 | 3,93 | 4,49 |
| Goiânia | 4,17 | 1,12 | 0,77 | 3,24 | 5,30 |
| Fortaleza | 3,23 | 0,81 | 0,72 | 3,85 | 5,26 |
| Belém | 3,94 | 1,08 | 0,63 | 3,86 | 4,38 |
| Brasília | 4,06 | 0,16 | 0,63 | 2,52 | 4,11 |
| São Paulo | 32,28 | 0,55 | 0,61 | 3,23 | 5,31 |
| Porto Alegre | 8,61 | 0,67 | 0,57 | 2,80 | 4,47 |
| Rio de Janeiro | 9,43 | 0,73 | 0,53 | 3,11 | 4,19 |
| Rio Branco | 0,51 | 0,56 | 0,52 | 2,35 | 4,10 |
| Salvador | 5,99 | 0,64 | 0,51 | 3,57 | 4,67 |
| Belo Horizonte | 9,69 | 0,61 | 0,34 | 3,12 | 4,26 |
| Vitória | 1,86 | 0,56 | 0,32 | 2,80 | 4,83 |
| Curitiba | 8,09 | 0,66 | 0,29 | 2,41 | 3,33 |
| Brasil | 100,00 | 0,67 | 0,58 | 3,20 | 4,72 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços | |||||
No âmbito do INPC, que mede a inflação para famílias de 1 a 5 salários mínimos, o índice subiu 0,65% em maio, abaixo de abril (0,81%), acumulando 3,36% no ano e 4,42% em 12 meses.
O cálculo do IPCA envolve várias etapas e considerações importantes. Vamos entender como isso é feito:
O IPCA é calculado com base em uma amostra de produtos e serviços que representam os gastos das famílias brasileiras. Essa amostra é composta por cerca de 400 itens, que incluem alimentos, bebidas, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros. A seleção dos itens é feita com base em pesquisas de orçamento familiar e em dados de consumo das famílias.
Para calcular o IPCA acumulado, o IBGE realiza uma pesquisa de preços em estabelecimentos comerciais de todo o país. Essa pesquisa é realizada mensalmente e envolve cerca de 30 mil estabelecimentos, incluindo supermercados, lojas de departamento, postos de combustível, entre outros. Os preços dos produtos e serviços são coletados e comparados com os preços do mês anterior.
Os itens da amostra do IPCA são ponderados conforme a sua participação nos gastos das famílias brasileiras. Itens que representam uma parcela maior dos gastos têm um peso maior no cálculo do IPCA. Essa ponderação é feita com base em dados de orçamento familiar e em pesquisas de consumo.
O IPCA é calculado a partir da variação dos preços dos produtos e serviços da amostra. Essa variação é medida em relação ao mês anterior e é ponderada segundo a participação de cada item nos gastos das famílias. O resultado é um índice que reflete a variação média.
O IPCA acumulado é um indicador que mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços ao longo de um determinado período. Ele é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é considerado o índice oficial de inflação no Brasil. O IPCA acumulado é utilizado para monitorar a inflação e é divulgado mensalmente.
A sigla IPCA significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é um indicador que mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras com renda mensal entre um e 40 salários mínimos. O IPCA é calculado pelo IBGE e é considerado o índice oficial de inflação no Brasil. Ele é utilizado para monitorar a inflação e é divulgado mensalmente.