Economia

IPCA de maio fecha em 0,58%; inflação acumulada em 12 meses chega a 4,72%

O resultado veio levemente acima da expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,53% no mês

IPCA: mercado projeta desaceleração para 0,34%, após alta de 0,43% em abril (Fernando Moraes/Exame)

IPCA: mercado projeta desaceleração para 0,34%, após alta de 0,43% em abril (Fernando Moraes/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 12 de junho de 2026 às 09h08.

Última atualização em 12 de junho de 2026 às 09h21.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês de maio em 0,58%, uma desaceleração de 0,09 ponto percentual em comparação ao índice de 0,67% registrado em abril.

A inflação acumula alta de 4,72% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta de inflação do Banco Central. No ano, o IPCA acumula alta de 3,20%. Em maio de 2025, a taxa ficou em 0,26%.

O resultado veio levemente acima da expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,53% no mês. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por que o IPCA fechou em 0,58%

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação de maio foi impulsionada principalmente por três grupos: alimentos e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais.

O grupo alimentos e bebidas registrou alta de 1,33%, com impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Entre os itens que mais pressionaram o índice estão a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%), a cebola (16,80%) e as carnes (1,39%).

O IBGE aponta que os aumentos refletem menor oferta de alguns produtos e o efeito do frete, influenciado pela alta nos preços dos combustíveis. Entre os produtos que caíram, destacam-se o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).

O grupo habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e foi o principal impacto individual do mês (0,15 p.p.).

O aumento se deve à combinação de reajustes em diversas cidades e à vigência da bandeira tarifária amarela em maio, que adicionou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Entre os reajustes regionais mais expressivos estão Campo Grande (12,36%), Aracaju (5,91%) e Fortaleza (5,59%).

Em saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,90%, impulsionada pelos artigos de higiene pessoal (1,95%), com destaque para perfumes (4,42%), e pelos planos de saúde, que subiram 0,50%.

O grupo transportes registrou queda de 0,46%, refletindo principalmente a retração nos combustíveis (-1,95%). O etanol recuou 6,20%, o diesel caiu 2,34% e a gasolina teve o maior impacto negativo (-0,08 p.p.), com recuo de 1,46%. Em contrapartida, o gás veicular subiu 5,81% após queda em abril.

Regionalmente, as maiores variações ocorreram em Aracaju e Campo Grande (1,31%) devido às altas de energia elétrica e alimentos, enquanto Curitiba registrou a menor variação (0,29%), influenciada pela queda em emplacamentos e na gasolina.

Variação do IPCA por região

RegiãoPeso Regional (%)Variação (%)Variação
Acumulada (%)
AbrilMaioAno12 meses
Aracaju1,030,841,314,225,42
Campo Grande1,571,021,313,984,30
Recife3,920,820,953,955,62
São Luís1,621,090,873,934,49
Goiânia4,171,120,773,245,30
Fortaleza3,230,810,723,855,26
Belém3,941,080,633,864,38
Brasília4,060,160,632,524,11
São Paulo32,280,550,613,235,31
Porto Alegre8,610,670,572,804,47
Rio de Janeiro9,430,730,533,114,19
Rio Branco0,510,560,522,354,10
Salvador5,990,640,513,574,67
Belo Horizonte9,690,610,343,124,26
Vitória1,860,560,322,804,83
Curitiba8,090,660,292,413,33
Brasil100,000,670,583,204,72
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

No âmbito do INPC, que mede a inflação para famílias de 1 a 5 salários mínimos, o índice subiu 0,65% em maio, abaixo de abril (0,81%), acumulando 3,36% no ano e 4,42% em 12 meses.

Qual foi o resultado do IPCA de maio de 2026?

  • IPCA de maio: 0,58%
  • IPCA no ano: 4,72%
  • IPCA nos 12 meses: 3,20%

Quem calcula o IPCA?

O cálculo do IPCA envolve várias etapas e considerações importantes. Vamos entender como isso é feito:

1. Amostra de produtos e serviços

O IPCA é calculado com base em uma amostra de produtos e serviços que representam os gastos das famílias brasileiras. Essa amostra é composta por cerca de 400 itens, que incluem alimentos, bebidas, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros. A seleção dos itens é feita com base em pesquisas de orçamento familiar e em dados de consumo das famílias.

2. Pesquisa de preços

Para calcular o IPCA acumulado, o IBGE realiza uma pesquisa de preços em estabelecimentos comerciais de todo o país. Essa pesquisa é realizada mensalmente e envolve cerca de 30 mil estabelecimentos, incluindo supermercados, lojas de departamento, postos de combustível, entre outros. Os preços dos produtos e serviços são coletados e comparados com os preços do mês anterior.

3. Ponderação dos itens

Os itens da amostra do IPCA são ponderados conforme a sua participação nos gastos das famílias brasileiras. Itens que representam uma parcela maior dos gastos têm um peso maior no cálculo do IPCA. Essa ponderação é feita com base em dados de orçamento familiar e em pesquisas de consumo.

4. Cálculo do índice

O IPCA é calculado a partir da variação dos preços dos produtos e serviços da amostra. Essa variação é medida em relação ao mês anterior e é ponderada segundo a participação de cada item nos gastos das famílias. O resultado é um índice que reflete a variação média.

O que é IPCA acumulado?

O IPCA acumulado é um indicador que mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços ao longo de um determinado período. Ele é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é considerado o índice oficial de inflação no Brasil. O IPCA acumulado é utilizado para monitorar a inflação e é divulgado mensalmente.

O que significa a sigla IPCA?

A sigla IPCA significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é um indicador que mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras com renda mensal entre um e 40 salários mínimos. O IPCA é calculado pelo IBGE e é considerado o índice oficial de inflação no Brasil. Ele é utilizado para monitorar a inflação e é divulgado mensalmente.

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