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David Hockney, ícone da Pop Art e mestre das cores, morre aos 88 anos

Artista plástico britânico, prolífico e inovador, marcou a história da arte contemporânea ao unir tecnologia, paisagens vibrantes e ativismo queer

David Hockney: artista britânico morre aos 88 anos (Divulgação)

David Hockney: artista britânico morre aos 88 anos (Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 12 de junho de 2026 às 09h09.

Última atualização em 12 de junho de 2026 às 09h50.

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O mundo das artes plásticas perdeu um de seus artistas mais coloridos. O pintor britânico David Hockney morreu na noite desta quinta-feira, 11, aos 88 anos. A informação foi confirmada pela assessora de imprensa dele, Erica Bolton.

Hockney morreu de forma pacífica em sua residência em Londres, pouco antes de celebrar o 89º aniversário. Embora detalhes sobre a causa da morte não tenham sido revelados, o pintor vinha recebendo acompanhamento médico contínuo nos últimos meses.

Consolidado como um dos pilares da arte contemporânea global entre as décadas de 1950 e 1960, Hockney construiu um legado estético inconfundível. Suas telas, caracterizadas por tonalidades turquesa, cores vibrantes e as célebres representações de piscinas californianas e paisagens ensolaradas, ajudaram a ditar os rumos da Pop Art e a redefinir o imaginário visual do pós-guerra.

O britânico deixa o companheiro de longa data, Jean-Pierre Gonçalves de Lima, além de irmãos, sobrinhos e seu sobrinho-neto Richard, que atuava como assistente de estúdio do artista.

Da academia ao iPad: a eterna reinvenção

Nascido em Yorkshire, no norte da Inglaterra, Hockney costumava definir-se de forma bem-humorada como um "inglês los angeleno", devido aos longos anos em que viveu e trabalhou em Los Angeles, na Califórnia.

A trajetória dele foi marcada por uma capacidade incomum de transitar entre mundos: dominou com rigor as técnicas acadêmicas tradicionais de pintura para, décadas mais tarde, apropriar-se pioneiramente das novas tecnologias digitais. Ele criou obras complexas no iPad após os 70 anos de idade.

Além da inovação técnica e de perspectiva, o pintor também ocupou um papel pioneiro na pauta social das artes visuais. Ele foi um dos primeiros nomes de destaque internacional a produzir obras com temática abertamente homossexual, e posicionou-se publicamente contra a censura para defender a livre representação da cultura queer nas galerias de todo o planeta.

"Sua carreira de sete décadas e sua obra prolífica foram caracterizadas por sua abordagem multimídia na criação de imagens, por uma reflexão intelectual sobre a natureza da representação e da perspectiva, e por um compromisso contínuo em celebrar e retratar o mundo ao seu redor", destacou o comunicado oficial emitido pela equipe do artista.

A busca pela alegria real

A vitalidade criativa do artista permaneceu ativa mesmo diante da saúde debilitada pelo avanço da idade. No ano passado, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, inaugurou a maior exposição retrospectiva já dedicada ao portfólio de Hockney, um projeto que contou com o envolvimento direto e entusiasmado do próprio artista.

Em abril do ano passado, durante a abertura da mostra na capital francesa, o pintor reforçou a devoção inabalável ao ofício em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times: “Eu apenas continuo fazendo o meu trabalho. Quando voltar de Paris, vou seguir pintando”.

Questionado na ocasião sobre o sentimento que esperava provocar nos visitantes que caminhassem por entre suas telas, Hockney resumiu a filosofia artística em duas palavras: "Alegria, alegria verdadeira".

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