Mapeamento aponta variação de até 395% nos preços de medicamentos entre redes no Brasil
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Publicado em 16 de julho de 2026 às 13h00.
Um comprimido de cetoconazol genérico, vendido sob o mesmo registro e o mesmo código de barras, custa R$ 12,13 numa farmácia on-line e R$ 59,99 em outra. A diferença: 395%. O caso não é isolado.
É o retrato de um varejo farmacêutico brasileiro onde o preço de balcão muda de rede para rede sem qualquer padrão visível ao consumidor e, muitas vezes, sem que o próprio fabricante saiba onde e por quanto seu produto está sendo vendido.
É o que mostra um mapeamento da boo, deeptech data driven em stealth mode com foco em coleta, extração e manipulação de dados não estruturados de alta complexidade, que rastreou semanalmente 577.872 SKUs de produtos farmacêuticos nas 12 maiores redes de farmácia do Brasil.
Os dados são capturados diretamente dos sites de e-commerce de cada rede, como um consumidor comum veria na tela, sem estimativas de painel de mercado.
O levantamento comparou o preço de um mesmo medicamento, identificado pelo código de barras (EAN), o que garante que se trata exatamente do mesmo produto, entre diferentes farmácias.
Entre os itens de maior variação estão remédios de uso contínuo e de prescrição comum, como norfloxacino, enalapril e ciclobenzaprina, todos com diferenças de preço acima de 300% entre a rede mais barata e a mais cara.
“O fabricante decide o preço de fábrica, mas quem monta a gôndola, física ou digital é a farmácia. A gente foi atrás de mostrar, produto a produto, o que realmente chega ao consumidor”, afirma Vinicius Cainelli CTO, da boo.
O estudo também mapeou como o sortimento de um mesmo fabricante varia de rede para rede.
Uma marca com centenas de itens ativos pode estar presente com mais de 800 produtos numa rede líder e menos de 150 numa rede regional, uma diferença de seis vezes na exposição de gôndola, mesmo tratando-se da mesma empresa vendendo para o mesmo país. O fenômeno se repete em linhas inteiras de produto.
Uma marca de cuidados pessoais popular no varejo brasileiro, por exemplo, aparece em mais de 450 variações diferentes somando todas as redes, mas o número de itens disponíveis, e o preço mínimo praticado, muda drasticamente de uma farmácia para outra, chegando a mais que dobrar o valor da mesma linha entre a rede mais barata e a mais cara.
A pesquisa da boo também comparou produtos de outros fabricantes e categorias, como cosméticos, suplementos e higiene, e encontrou o mesmo padrão: preços do mesmo item variando mais de 250% entre redes, com farmácias de e-commerce especializadas em preço baixo consistentemente no piso da comparação.
Para Vinicius, o achado escancara um problema estrutural do varejo farmacêutico, “Os fabricantes têm pouca ou nenhuma visibilidade sobre como e por quanto seus produtos chegam ao consumidor final, o que dificulta tanto a defesa de margem quanto a identificação de rupturas de estoque em tempo real”, finaliza.