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Os brasileiros sabem de onde vêm suas dívidas?

Conhecer juros, prazos e modalidades de crédito é essencial para avaliar o orçamento familiar

Entender a composição das dívidas ajuda famílias a avaliar juros, prazos e alternativas para organizar o orçamento (Freepik/Divulgação)

Entender a composição das dívidas ajuda famílias a avaliar juros, prazos e alternativas para organizar o orçamento (Freepik/Divulgação)

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Publicado em 25 de setembro de 2026 às 15h00.

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Por Daniel Stephens, especialista em crédito e VP da PO27.

O endividamento das famílias brasileiras chegou a um novo recorde. Em julho, 82% dos lares tinham alguma dívida a vencer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

O estudo é realizado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com cerca de 18 mil famílias.

O número chama atenção, mas não conta toda a história. Não basta saber quanto uma família deve. É preciso entender como essa dívida está distribuída, quanto vence no curto, no médio e no longo prazo, quais operações têm os juros mais altos e quais poderiam ser renegociadas.

Imagine duas famílias com uma dívida de R$ 50 mil. A primeira financia um imóvel ou um veículo de trabalho, com juros mais baixos e vários anos para pagar.

A segunda concentra o mesmo valor no cartão de crédito e no empréstimo pessoal, com juros mais altos e parcelas que vencem nos próximos meses.

As duas estão endividadas, mas vivem situações financeiras muito diferentes.

Cartão de crédito concentra parte das dívidas das famílias

A pesquisa ajuda a entender parte desse cenário. Entre as famílias endividadas, 85,3% mencionaram o cartão de crédito.

O crédito pessoal apareceu para 13%, enquanto os financiamentos de casa e de veículos foram citados por 9,6% e 9%, respectivamente.

Como uma família pode ter mais de uma modalidade, os percentuais não representam a divisão do valor total das dívidas. Eles mostram quais produtos estão mais presentes no orçamento.

O estudo da CNC também aponta que as famílias tinham, em média, 29,5% da renda comprometida com dívidas por 7,2 meses.

Isso indica uma concentração importante de parcelas no orçamento mais próximo. Quando muitos pagamentos vencem em um período curto, sobra menos espaço para despesas inesperadas – ou seja, a chance de endividamento aumenta porque não há planejamento nem poupança para gastos imprevistos.

Ter uma dívida relevante não representa necessariamente um problema. Uma operação de longo prazo, com juros mais baixos e parcelas que cabem no orçamento, pode permitir a compra de um imóvel, a aquisição de equipamentos ou a expansão de um pequeno negócio.

Nesses casos, o crédito pode ajudar a formar patrimônio ou aumentar a capacidade de gerar renda.

Juros e prazos mudam o impacto do endividamento

O risco cresce quando as dívidas mais caras se acumulam. O consumidor pode olhar apenas para o valor de cada parcela e perder de vista quanto pagará no total.

Também pode contratar um novo empréstimo para cobrir compromissos anteriores, sem conseguir reduzir de fato o valor devido.

Os dados apresentados pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a FEBRABAN TECH 2026 mostram como os custos variam.

Em junho, os juros do crédito pessoal não consignado e sem garantia chegaram a 149,5% ao ano.

Nas operações com algum tipo de garantia, a taxa média foi de 27,5%.

O cartão de crédito traz outro ponto de atenção. Segundo dados reunidos pelo Banco Central, o juro médio do rotativo chegou a 15,13% ao mês em junho de 2026.

Entre 2020 e 2024, o número de usuários com dívidas sujeitas a juros passou de 34 milhões para 52,8 milhões.

No mesmo período, a parcela da renda desses consumidores comprometida com o cartão subiu de 38,5% para 54%.

Conhecer a composição da dívida ajuda na renegociação

Essas diferenças mostram por que conhecer a composição da dívida é tão importante.

Uma família precisa saber quais compromissos vencem primeiro, que cobram os juros mais altos e quanto cada operação custará até o fim.

A partir dessa visão, pode avaliar se existem dívidas que poderiam ser renegociadas em condições mais adequadas.

Renegociar não significa apenas adiar o pagamento ou assumir uma nova dívida.

Significa avaliar a possibilidade de substituir operações caras e curtas por uma alternativa com juros menores, prazo maior e parcelas compatíveis com a renda.

As garantias podem fazer parte dessa análise porque reduzem o risco da operação e podem permitir melhores condições.

Seu uso, porém, exige cuidado, pois envolve um patrimônio em caso de inadimplência.

O papel do mercado financeiro na educação sobre crédito

As empresas que fazem parte do mercado financeiro também têm uma parcela de responsabilidade nesse avanço.

Bancos, fintechs e demais participantes da cadeia podem ajudar a tornar juros, prazos e custos mais fáceis de compreender, além de oferecer ferramentas que permitam ao cliente visualizar suas dívidas e comparar alternativas antes de tomar uma decisão.

O Brasil avançou ao ampliar o acesso ao sistema financeiro. Agora, precisa avançar na compreensão e na qualidade desse acesso.

Em um país no qual oito em cada dez famílias têm dívidas, saber o valor devido é apenas o começo.

Conhecer a composição dessa dívida permite avaliar possibilidades de renegociação, organizar os compromissos e reduzir a pressão sobre o orçamento familiar.

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