IA no Mercado Financeiro (patpitchaya/Shutterstock)
Repórter Bússola
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 13h00.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 15h44.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 92% das empresas do mercado financeiro já usam inteligência artificial, conforme pesquisa com 117 companhias realizada entre janeiro e abril. A tecnologia reduz tarefas operacionais, acelera cadastros e análises e amplia o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas.
92% das empresas do mercado financeiro já utilizam inteligência artificial em alguma atividade interna, segundo Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Realizada entre janeiro e abril deste ano, com 117 companhias, a pesquisa mostra como a IA está otimizando o setor.
Por que elas estão utilizando a tecnologia? No caso do banco híbrido Agibank, a estratégia é baseada na aplicação de agentes em camada operacional, focando em permitir que os profissionais se concentrem no julgamento crítico e na tomada de decisão. Os resultados da abordagem incluem:
No mercado de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) a estruturação dos fundos sempre dependeu de processos altamente manuais, especialmente no cadastro de cedentes, investidores e validação de lastros, exigindo análise documental extensa e repetitiva.
Com uma IA proprietária para leitura automática de contratos sociais e documentos societários, a QI Tech, líder em infraestrutura para serviços financeiros, conseguiu resultados como:
Atualmente a companhia é a maior administradora de FIDCs do Brasil, segundo ranking da Anbima, com mais de R$186 bilhões em patrimônio líquido.
Para apoiar o mercado de capitais na consulta a conteúdos de autorregulação, a Anbima lançou a Anby, um assistente virtual, desenvolvido a partir de uma demanda dos associados.
A tecnologia responde, nesta primeira fase, exclusivamente ao que está previsto nos códigos de autorregulação da Anbima e em materiais oficiais, como regras e procedimentos, deliberações, FAQs e glossários.
As respostas são apresentadas em linguagem clara e sempre acompanhadas das referências normativas utilizadas, garantindo transparência e rastreabilidade.
As consultas à Anby são gratuitas e abertas a qualquer pessoa. O acesso está disponível pelo ícone localizado no canto inferior direito da página inicial da associação.
O mercado de crédito também está sendo impactado por iniciativas de IA. A tecnologia tem sido usada, principalmente, para análise de dados de pequenas e médias empresas e concessão de crédito baseada em faturamento e saúde financeira dos negócios, informações que os bancos tradicionais geralmente não detém.
A partir do uso de inteligência artificial, o crédito para micro e pequenas empresas tornou-se mais democrático.
Segundo levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), apenas as 44 fintechs de crédito que integram a pesquisa concederam R$ 53,8 bilhões em empréstimos em 2025, alta de 51% sobre o ano anterior. Em uma década, o crédito concedido por essas empresas cresceu mais de 330 vezes.
A IA também está sendo utilizada para impulsionar a concessão de crédito aos consumidores. A Pagaleve, fintech brasileira líder em Parcelamento via Pix, utiliza Inteligência Artificial e Machine Learning em seu motor de análise de risco para viabilizar processos de crédito mais ágeis e inclusivos.
Em vez de depender apenas de históricos complexos ou scores estáticos, o sistema analisa mais de 100 variáveis por transação, considerando itens como detalhes do produto, horário da compra, segmento da loja e dispositivo, permitindo uma avaliação da compra em até três segundos.
Esse modelo de análise "transação a transação" possibilita que a fintech aprove crédito para um público mais amplo, incluindo consumidores muitas vezes rejeitados pelo sistema bancário tradicional, garantindo segurança e conversão de vendas para os lojistas.
As empresas usam inteligência artificial para automatizar processos burocráticos, reduzir custos e aumentar a escala operacional. Segundo pesquisa da Anbima com 117 companhias, 92% das empresas do mercado financeiro já adotam a tecnologia em alguma atividade interna.
O banco híbrido Agibank reduziu em 75% as reclamações no Banco Central e em 98% os custos operacionais de marketing. A instituição também registrou aumento de 80% na velocidade de desenvolvimento de software.
A QI Tech, empresa de infraestrutura para serviços financeiros, usa uma IA proprietária para a leitura automática de contratos sociais e documentos societários. A tecnologia reduziu o cadastro de cedentes de quatro dias para cerca de dez minutos, queda de 99% no tempo de execução e ganho estimado de produtividade de 576 vezes.
A Anby é uma assistente virtual criada pela Anbima para responder a consultas sobre os códigos de autorregulação da associação e outros materiais oficiais. As respostas incluem as referências normativas utilizadas, e o acesso é gratuito e aberto ao público.
A inteligência artificial permite analisar o faturamento e a saúde financeira de pequenas e médias empresas, informações que os bancos tradicionais geralmente não detêm. A tecnologia ajuda a embasar a concessão de crédito para micro e pequenos negócios.
As 44 fintechs incluídas no levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital concederam R$ 53,8 bilhões em empréstimos em 2025, alta de 51% sobre o ano anterior. Em uma década, o crédito concedido por essas empresas cresceu mais de 330 vezes.