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Por que campanhas de conscientização estão perdendo eficácia

Campanhas ampliam a informação, mas empresas precisam criar condições para que exames, acompanhamento e prevenção ocorram o ano todo

Outubro Rosa pode abrir a conversa, mas a prevenção depende de acesso, acompanhamento e cuidado contínuo durante todo o ano (Igor Alecsander/Getty Images)

Outubro Rosa pode abrir a conversa, mas a prevenção depende de acesso, acompanhamento e cuidado contínuo durante todo o ano (Igor Alecsander/Getty Images)

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Publicado em 7 de outubro de 2026 às 15h00.

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Campanhas como o Outubro Rosa ampliam a conscientização, mas a prevenção depende de transformar informação em ação durante todo o ano. Nas populações acompanhadas, menos de 50% mantêm exames preventivos em dia. A empresa MDS Brasil registrou 98% de assertividade em análise preditiva para identificar alto risco de adoecimento futuro sem intervenção preventiva.

Por Dr. Cláudio Albuquerque, Diretor Médico da MDS Brasil.

Outubro chega e, com ele, o rosa ganha espaço nas empresas, nas redes sociais e nas campanhas de saúde.

A mobilização em torno do câncer de mama tem um papel importante ao ampliar a informação e incentivar o cuidado.

Mas o período também abre espaço para uma reflexão que vai além do Outubro Rosa: quanto das campanhas de conscientização que realizamos ao longo do ano efetivamente se transforma em prevenção?

O calendário da saúde é marcado por diferentes movimentos de conscientização.

São campanhas que ajudam a colocar temas relevantes em evidência e a ampliar o acesso à informação. O desafio começa quando a mensagem termina.

Saber que determinado exame é importante, conhecer fatores de risco ou compreender a necessidade de acompanhamento médico não significa, necessariamente, incorporar essas práticas à rotina.

Da conscientização à prevenção na saúde corporativa

Na gestão da saúde corporativa, essa distância entre informação e ação é perceptível.

Em análises das populações acompanhadas, observamos que menos de 50% das pessoas mantêm em dia exames preventivos, como mamografia, colonoscopia e exames voltados à prevenção do câncer de próstata.

O dado chama a atenção porque revela uma contradição: nunca se falou tanto sobre prevenção, mas ainda existe dificuldade para transformá-la em comportamento.

Parte dessa questão passa pela forma como nos relacionamos com a própria saúde.

Ainda predomina uma lógica reativa, na qual a busca por atendimento acontece diante do surgimento de sintomas ou quando uma doença já está instalada. As campanhas de conscientização ajudam a romper esse padrão, mas dificilmente conseguem fazer isso sozinhas.

O Outubro Rosa é um bom exemplo.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

Diante de números dessa dimensão, ampliar a informação é fundamental, mas a discussão não pode terminar na recomendação de que as pessoas cuidem da saúde. É preciso compreender também quais barreiras impedem que esse cuidado aconteça.

Barreiras à prevenção do câncer de mama

Tempo, acesso aos serviços, dificuldade para conciliar exames com a jornada de trabalho e até a percepção de que o cuidado pode ser adiado fazem parte desse cenário.

Por isso, quando falamos em prevenção no ambiente corporativo, a responsabilidade das empresas não deve se limitar a comunicar.

É necessário criar condições que favoreçam o cuidado, seja facilitando o acesso aos exames indicados, estimulando a atenção primária, acompanhando grupos de maior risco ou desenvolvendo iniciativas adequadas às características de cada população.

Essa mudança de perspectiva também passa por compreender que prevenção não é custo adicional, mas parte da gestão da saúde.

No caso do câncer de mama, por exemplo, observamos situações em que um tratamento iniciado em estágio inicial pode representar um custo próximo de R$ 50 mil, enquanto casos avançados podem chegar a aproximadamente R$ 500 mil.

A diferença financeira é relevante para a sustentabilidade dos benefícios, mas existe uma questão anterior e mais importante: um diagnóstico tardio tende a significar uma jornada assistencial mais complexa para a própria paciente.

É por isso que restringir o acesso como resposta à pressão dos custos de saúde pode produzir o efeito contrário ao desejado.

Quando uma barreira posterga um exame, uma consulta ou um acompanhamento necessário, existe o risco de que uma condição identificável anteriormente seja descoberta apenas em uma fase mais complexa.

A sustentabilidade da saúde corporativa, portanto, depende menos de simplesmente oferecer menos e mais de utilizar melhor os recursos disponíveis.

Dados e análise preditiva na prevenção

Os dados podem ajudar nessa transformação. Hoje, ferramentas de análise permitem compreender o perfil de saúde das populações, identificar grupos com maior risco e direcionar estratégias antes que determinadas condições se agravem.

Em um projeto desenvolvido ao longo dos últimos três anos na MDS, o uso de análise preditiva alcançou 98% de assertividade na identificação de indivíduos com alto risco de adoecimento futuro caso nenhuma intervenção preventiva fosse realizada.

Mas tecnologia, assim como comunicação, não resolve o problema isoladamente. Identificar um risco sem construir uma jornada de cuidado pouco altera o desfecho.

Da mesma forma, promover uma campanha de prevenção sem facilitar o próximo passo pode gerar conhecimento, mas não necessariamente mudança.

Prevenção além do calendário de campanhas

Esse talvez seja um dos principais desafios para as empresas: fazer com que a prevenção deixe de ser episódica.

Outubro Rosa, Novembro Azul, Janeiro Branco e tantas outras mobilizações cumprem um papel relevante ao trazer diferentes temas para o centro da conversa.

O cuidado com a saúde, porém, não acompanha o calendário das campanhas.

Se queremos avançar na prevenção, precisamos aproveitar a capacidade dessas mobilizações de gerar atenção, mas construir estratégias que continuem depois que as cores deixam de ocupar os materiais de comunicação.

Isso significa conhecer a população, identificar riscos, facilitar o acesso, acompanhar resultados e, principalmente, transformar informação em ação.

O Outubro Rosa pode ser um importante ponto de partida para essa discussão. O verdadeiro avanço, no entanto, estará em fazer com que a prevenção aconteça durante os outros onze meses do ano.

'Perguntas frequentes'

Quantos novos casos de câncer de mama são estimados no Brasil? +

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

Quantas pessoas mantêm os exames preventivos em dia? +

Segundo análises das populações acompanhadas citadas por Dr. Cláudio Albuquerque, menos de 50% das pessoas mantêm em dia exames preventivos como mamografia, colonoscopia e exames voltados à prevenção do câncer de próstata.

Quais barreiras dificultam a prevenção no ambiente corporativo? +

Tempo, acesso aos serviços, dificuldade para conciliar exames com a jornada de trabalho e a percepção de que o cuidado pode ser adiado estão entre as barreiras apontadas por Dr. Cláudio Albuquerque.

Quanto pode custar o tratamento do câncer de mama? +

Segundo Dr. Cláudio Albuquerque, foram observadas situações em que um tratamento iniciado em estágio inicial pode custar perto de R$ 50 mil, enquanto casos avançados podem chegar a aproximadamente R$ 500 mil.

Qual foi a assertividade da análise preditiva usada pela MDS? +

Em um projeto desenvolvido ao longo dos últimos três anos na MDS, a análise preditiva alcançou 98% de assertividade na identificação de indivíduos com alto risco de adoecimento futuro caso nenhuma intervenção preventiva fosse realizada.

Acompanhe tudo sobre:Outubro Rosa

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