Daniel Prieto, diretor-geral da doc24 no Brasil: bem-estar dos colaboradores impacta diretamente na produtividade (doc24/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 18 de maio de 2026 às 15h15.
Última atualização em 18 de maio de 2026 às 17h00.
Por décadas, a saúde corporativa viveu em um limbo estratégico: importante para constar nos pacotes de benefícios e periférica demais para entrar nos comitês executivos. Três forças romperam esse arranjo — a alta dos custos assistenciais, a deterioração da saúde mental na força de trabalho e a nova NR-1 — e levaram o tema à pauta de CFOs, CHROs e conselhos.
“Hoje, muitas empresas já entendem que o bem-estar impacta diretamente em produtividade, custos, engajamento e até no compliance regulatório. A saúde corporativa deixou de ser algo apenas ‘percebido’ e passou a exigir mensuração, previsibilidade e impacto comprovado. Isso significa abolir ações pontuais e desconectadas para investir em uma gestão estruturada, contínua e orientada por dados”, analisa Daniel Prieto, diretor-geral da doc24 no Brasil.
Com operação consolidada na América Latina e integrações com operadoras de Saúde Suplementar, seguradoras e grandes empregadores, a doc24 defende uma tese: o bem-estar corporativo só se torna estratégico quando opera como infraestrutura conectada, em que telemedicina, dados clínicos, saúde mental e governança convivem em uma única camada.
Essa tese se materializa no Wehealthy. Em um único aplicativo, o colaborador acessa telemedicina 24h, especialistas, nutrição e saúde mental; a empresa enxerga, no back-end, o panorama populacional consolidado. No centro da arquitetura, um motor de cuidado que interpreta dados comportamentais, aprende com o uso e recomenda ações personalizadas para cada colaborador correlacionando experiência individual e indicadores organizacionais.
"É um diferencial que plataformas tradicionais não conseguem entregar. O motor conecta o que acontece com cada colaborador ao que acontece com a empresa, e isso permite que o RH tome decisões baseadas em evidências, não em percepção", destaca Prieto.
O modelo tradicional de saúde corporativa é reativo: a empresa age quando o afastamento já foi protocolado, o pico de custos já apareceu no fechamento trimestral, o turnover já comprometeu uma área inteira. A doc24 inverte essa lógica e transforma a prevenção em variável operacional: cada risco antecipado é afastamento, custo e produtividade preservados.
Com dashboards atualizados continuamente, o Wehealthy oferece ao RH e à liderança visibilidade panorâmica sobre a saúde das equipes, antes que os indicadores se transformem em afastamentos. A telemedicina, nesse desenho, é o ponto de entrada e o serviço estruturante do cuidado.
"A telemedicina é o eixo central, garantindo acesso contínuo a mais de 25 especialidades médicas: do pronto atendimento 24h ao acompanhamento com especialistas, psicólogos e nutricionistas, integrados em uma única plataforma", reforça o executivo.
Essa transição, segundo Prieto, espelha o que outras áreas corporativas já viveram ao migrar de decisões intuitivas para frameworks orientados por dados. Com uma camada adicional crítica no setor saúde: a proteção da privacidade individual sob a LGPD.
“O segredo é trabalhar com inteligência de dados agregados e anonimização. A tecnologia permite identificar padrões de comportamento, risco e tendências populacionais sem expor indivíduos. O foco não é ‘quem’, mas ‘o que está acontecendo’ com aquelas pessoas. Quando bem aplicada, essa abordagem consegue proteger a privacidade do colaborador e, ao mesmo tempo, dar à empresa visibilidade suficiente para agir de forma preventiva e responsável”, explica o executivo.
Wehealthy: plataforma dá visibilidade em tempo real a respeito da saúde das equipes (doc24/Divulgação)
Embora a saúde mental tenha ganhado espaço no discurso corporativo, traduzi-la em indicadores acionáveis ainda é um gargalo com dados fragmentados entre operadoras, RH, SESMT e fornecedores de wellness.
Os números, porém, são inequívocos. Segundo o Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil profissionais se afastaram do trabalho no Brasil em 2024 por transtornos mentais e comportamentais. A OMS estima que depressão e ansiedade custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Do lado oposto, estudo da Harvard School of Public Health publicado na Health Affairs aponta que cada dólar investido em programas estruturados de bem-estar retorna, em média, seis vezes entre redução de custos médicos e queda no absenteísmo.
Na operação das empresas, esse impacto se distribui de forma difusa: turnover, presenteísmo, queda de performance, afastamentos recorrentes. Sem uma camada que conecte saúde a KPIs financeiros, nem o custo nem o retorno chegam ao board.
"Sem uma estrutura que conecte saúde com indicadores de negócio, o impacto existe, mas não é traduzido em números claros para tomada de decisão", destaca Prieto.
A virada estrutural ganha um vetor adicional: a NR-1. A norma amplia o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para incluir os riscos psicossociais — fadiga, sobrecarga, assédio, clima organizacional deteriorado — e exige protocolos contínuos de identificação, mensuração e mitigação. Na prática, desloca a saúde mental das iniciativas voluntárias para o terreno da governança e do compliance trabalhista, com implicações diretas em auditorias, processos judiciais e cobertura de seguros.
"A NR-1 funciona como um marco importante porque transforma um tema que antes era opcional em uma exigência estruturada. Ela obriga as empresas a monitorarem riscos psicossociais de forma contínua, com evidência, dados e protocolos, não mais com ações isoladas", afirma Prieto.
É nesse ponto que a arquitetura do Wehealthy se distingue: a plataforma integra avaliação psicossocial validada, dashboards de risco populacional e protocolos clínicos de saúde mental e nutrição em uma única solução auditável — alinhada tanto à NR-1 quanto à LGPD.
Wehealthy: plataforma de gestão integrada de saúde corporativa que reúne bem-estar, telemedicina e dados em um único lugar (doc24/Divulgação)
Para Prieto, o que torna possível esse modelo é uma redefinição do próprio papel da telemedicina dentro das empresas. A telemedicina entra agora em uma nova fase: a da integração estratégica ao cuidado contínuo.
"A telemedicina é o ponto de entrada e o eixo central do cuidado. Ela não só amplia o acesso, mas permite atuar no momento certo, antes que o problema se agrave, reduzindo afastamentos, custos e tempo de resposta. O futuro da saúde corporativa é exatamente isso: um modelo preditivo, contínuo e conectado, onde tecnologia e cuidado humano atuam juntos", afirma o executivo.
Com a doc24 posicionada como a maior empresa de saúde digital da América Latina capaz de operar simultaneamente como provedor clínico, camada de dados e infraestrutura de compliance, o Wehealthy deixa de ser um benefício corporativo. Passa a operar como decisão de gestão de risco, produtividade e competitividade — adotada por áreas de RH, mas também por operadoras de saúde, seguradoras, bancos e fintechs que incorporam o cuidado como diferencial em seus próprios produtos.