'Operações como essa mostram como a multimodalidade é decisiva', diz CEO da Brado (Brado/Divulgação)
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Publicado em 9 de abril de 2026 às 07h00.
A economia brasileira expandiu junto ao asfalto das rodovias, mas agora os esforços de descarbonização exigem que o transporte de cargas seja repensado. O modal rodoviário, que outrora impulsionou o setor automobilístico, agora impulsiona as mudanças climáticas:
É possível abandonar o modal rodoviário? Não. Atrás dele, em termos de uso, encontra-se o ferroviário, que abarca 21% dos transportes de carga, mas ainda depende de anos de investimento público antes de tornar-se alternativa sólida.
O mesmo vale para a cabotagem e outros modais, mas com um resultado promissor, de redução de 5 mil toneladas de CO2 na sua operação, a produtora de alumínio Alcoa e a operadora de serviços logísticos Brado testaram uma outra alternativa para a descarbonização: a logística multimodal.
Como o nome indica, a logística multimodal consiste na utilização de mais de um modal de transporte de cargas, calculando percurso e melhor roteiro para redução de emissões, custos e conservação da eficiência da operação.
A iniciativa da Brado e da Alcoa teve início em julho de 2025, quando a nova rota multimodal foi inaugurada. A operação realiza o transporte de lingotes de alumínio da Alcoa produzidos na Alumar, consórcio gerenciado pela empresa no Maranhão, para clientes no estado de São Paulo.
Ela integra os modais rodoviário e ferroviário, tendo a Ferrovia Norte-Sul como eixo principal, conectando Davinópolis (MA) a Sumaré (SP) ao longo de mais de 2.700 quilômetros.
Já foram realizadas 13 viagens que movimentaram 884 contêineres e 22,5 toneladas mil toneladas de produtos. Para as empresas, os dados consolidam os parâmetros operacionais, modelagens e ganhos logísticos para a formalização do contrato agora anunciado.
“Operações como essa mostram como a multimodalidade é decisiva para destravar competitividade no Brasil. Ao unir ferrovia e rodovia de forma integrada, conseguimos oferecer uma logística mais eficiente, segura e sustentável, alinhada às demandas industriais e a necessidade de soluções com previsibilidade operacional e menor impacto ambiental possível”, destaca Luciano Johnsson, CEO da Brado.
Para as empresas parceiras, a operação comprova a viabilidade de estabelecer corredores ferroviários regulares para cadeias de suprimentos industriais complexas, tradicionalmente sensíveis a atrasos, questões de segurança, interrupções no fornecimento e volatilidade tarifária.
Os lingotes, com peso médio de 1,1 toneladas por unidade, exigem rigorosos padrões de embalagem, rastreabilidade e segurança, além de planejamento antecipado para a ocupação de contêineres e a gestão dos terminais.
Esse modelo busca mitigar riscos operacionais, reduzir a volatilidade nos prazos de entrega e fortalecer a resiliência das cadeias produtivas, atributos cada vez mais determinantes nas decisões de investimento industrial.
“O modelo logístico representa um avanço estrutural na forma como o alumínio é transportado por longas distâncias no Brasil. Isso contribui para um transporte de cargas com menores emissões, rigorosos padrões de segurança e maior eficiência ao longo de toda a cadeia de valor, ao mesmo tempo em que fortalece a resiliência e a competitividade de nossos negócios”, conclui Mateus Tiraboschi, vice-presidente global de Compras e Transporte da Alcoa.