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Tokenização imobiliária avança e muda dinâmica do setor

Plataformas digitais democratizam acesso ao setor com investimentos a partir de R$ 5 e registro de ativos via blockchain


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Publicado em 8 de abril de 2026 às 13h00.

Última atualização em 8 de abril de 2026 às 15h46.

A tokenização consiste no fracionamento digital de ativos de todos os tipos. Utilizando a blockchain, é possível até mesmo o uso no mercado imobiliário, o que criou um modelo que já mobiliza 450 incorporadoras e um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 20 bilhões.

Dados da plataforma Propriedade Digital indicam a existência de 30 mil carteiras digitais abertas no país, com 9 mil investidores reportados à Receita Federal. Atualmente, o estoque de imóveis tokenizados no mercado nacional oscila entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.

"A tokenização imobiliária permite aportes a partir de R$ 5, tornando o investimento em imóveis acessível a um público que antes era excluído por causa dos altos valores de entrada. Estamos utilizando a blockchain para dar liquidez e escala a um mercado tradicionalmente estático", analisa Andreas Blazoudakis, CEO da Netspaces,

Tecnologia reduz barreiras históricas de entrada no setor

A digitalização do mercado imobiliário brasileiro é impulsionada pela tecnologia blockchain, que permite o fracionamento de propriedades e a redução do aporte mínimo para atrair novos perfis de investidores

Diferentemente do cenário internacional, em que o fracionamento é o principal produto da modalidade, as operações no Brasil têm se estruturado para a digitalização do imóvel integral neste primeiro momento. 

O modelo possibilita desde o financiamento imobiliário com alienação fiduciária registrada em token até o uso pleno do ativo pelo proprietário, unindo segurança jurídica e eficiência operacional.

Cenário brasileiro reflete uma tendência global de migração para ativos digitais

De acordo com o Boston Consulting Group (BCG), o mercado de ativos tokenizados deve alcançar US$ 16 trilhões até 2030. No Brasil, o volume financeiro reportado de criptoativos somou R$ 440 bilhões em 2024, enquanto as ofertas de crowdfunding, base regulatória para a tokenização de renda fixa, registraram crescimento de 300% no mesmo período.

Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, ressalta a maturidade do ecossistema financeiro digital no país. "O mercado de tokenizados no Brasil atingiu R$ 1,3 bilhão em ofertas em 2024, e os ativos físicos do mundo real (RWAs), segundo relatório da plataforma RWA Monitor, superaram R$ 1,5 bilhão apenas em janeiro de 2026. A convergência entre a regulação e a inovação tecnológica coloca o Brasil em uma posição de destaque na infraestrutura do novo mercado de capitais", conclui.

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