Bússola

Um conteúdo Bússola

Os sistemas descartáveis que drenam a produtividade das PMEs

Excesso de cliques e telas em softwares corporativos tradicionais reduz eficiência e afeta o crescimento de pequenas e médias empresas

Sistemas intuitivos e ferramentas inteligentes  são a chave para desenvolver a agilidade e a eficiência de empresas (Bricolage/Shutterstock)

Sistemas intuitivos e ferramentas inteligentes são a chave para desenvolver a agilidade e a eficiência de empresas (Bricolage/Shutterstock)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 6 de julho de 2026 às 17h00.

Por Andryel Montes Blanco*

Os sistemas de gestão empresarial nasceram com a proposta de centralizar informações, padronizar processos e aumentar a eficiência das operações.

No entanto, à medida que muitos ERPs evoluíram para incorporar novas funcionalidades, também se tornaram mais complexos.

Em diversas organizações, atividades rotineiras passaram a exigir múltiplas telas, diversos cliques e conhecimento específico para serem executadas, fazendo com que o sistema, em vez de acelerar a operação, se transforme em um fator de perda de produtividade das empresas.

Esse cenário afeta principalmente pequenas e médias empresas, que normalmente possuem equipes mais enxutas e menor disponibilidade para treinamentos constantes.

Quando tarefas simples, como emitir documentos, consultar informações ou registrar pedidos, exigem longos fluxos operacionais, o tempo gasto com o próprio sistema reduz a capacidade da equipe de dedicar atenção a atividades mais estratégicas, como relacionamento com clientes e tomada de decisão.

Quanto maior o número de etapas necessárias para concluir uma ação, maiores são as chances de inconsistências no preenchimento de dados, esquecimentos e falhas de execução.

Além disso, processos excessivamente técnicos acabam criando dependência de colaboradores específicos, dificultando a continuidade das operações em situações de férias, desligamentos ou mudanças na equipe.

Em muitos casos, a adoção de um ERP exige treinamentos frequentes para que novos usuários consigam navegar pelo sistema com segurança.

Essa necessidade aumenta o custo de implantação, reduz a velocidade de adaptação das equipes e dificulta o aproveitamento pleno das funcionalidades disponíveis e o resultado é que parte dos recursos oferecidos acaba sendo subutilizada devido à dificuldade de acesso ou utilização.

Tecnologia e simplificação do trabalho operacional

Enquanto isso, a relação das empresas com a tecnologia começa a mudar.

Pesquisa realizada pelo Sebrae, em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e com colaboração do Google, mostra que 46% das micro e pequenas empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial em suas atividades, percentual que chega a 42% entre os microempreendedores individuais (MEIs).

Os dados mostram que a discussão deixou de ser apenas sobre digitalização e passou a envolver formas mais inteligentes de simplificar o trabalho.

Em vez de exigir que o usuário memorize caminhos específicos ou percorra diferentes menus para executar uma tarefa, soluções mais modernas conseguem interpretar comandos em linguagem natural, localizar informações automaticamente e conduzir processos com muito menos etapas.

A tecnologia deixa de impor barreiras para se adaptar à forma como as pessoas trabalham, tornando a interação mais simples, intuitiva e eficiente.

O levantamento também aponta que 34% das micro e pequenas empresas apontam a economia de tempo como o principal benefício obtido com o uso da inteligência artificial, enquanto 22% destacam o aumento da produtividade, reforçando que o maior valor da IA não está apenas na automação de tarefas, mas na capacidade de tornar processos mais simples, rápidos e acessíveis para quem está na operação.

Durante muito tempo, a escolha de um ERP esteve associada principalmente à quantidade de funcionalidades oferecidas, mas atualmente cresce a percepção de que uma plataforma só entrega resultados quando consegue ser utilizada de forma simples e intuitiva.

Afinal, um sistema extremamente completo perde parte do seu valor se exige treinamentos constantes ou conhecimentos técnicos incompatíveis com a realidade de quem o utiliza diariamente.

Interfaces intuitivas e autonomia das equipes

Mais do que controlar finanças, estoque ou processos comerciais, as empresas precisam de sistemas de gestão empresarial que ofereçam agilidade no acesso às informações, reduzam erros e deem mais autonomia às equipes.

Em um cenário de decisões cada vez mais rápidas e operações cada vez mais enxutas, perder tempo navegando por menus ou executando processos burocráticos representa um custo que muitas organizações já não podem absorver.

Por isso, a experiência do usuário ganha espaço nas decisões de investimento em tecnologia, e interfaces intuitivas, processos simplificados e ferramentas que acompanham o ritmo da operação passam a ter um peso tão importante quanto a quantidade de funcionalidades oferecidas pelo sistema.

À medida que a inteligência artificial amplia sua presença nos sistemas de gestão, a tendência é que os ERPs deixem de ser plataformas que exigem adaptação constante dos usuários para se tornarem ferramentas capazes de compreender a forma como as pessoas trabalham.

Mais do que incorporar novas funcionalidades, o futuro da gestão empresarial dependerá da capacidade de reduzir a complexidade operacional, tornando a tecnologia cada vez mais simples, acessível e eficiente para quem a utiliza no dia a dia.

*Andryel Montes Blanco é fundador e CEO do ChatADM, startup brasileira de tecnologia especializada em gestão empresarial por Inteligência Artificial para micro e pequenas empresas. Com experiência em automação de processos e desenvolvimento de soluções digitais, Andryel atua na criação de ferramentas que simplificam a gestão financeira, fiscal e administrativa para empreendedores que não possuem formação técnica. Sua trajetória é marcada pela defesa de uma tecnologia mais acessível, prática e alinhada à realidade das PMEs brasileiras

Acompanhe tudo sobre:PMEsfalsa produtividade

Mais de Bússola

Opinião: o Pix é só o começo para o Brasil

Investimento global em publicidade deve atingir US$ 1,4 tri até 2030

O que é shadow AI e por que ela apresenta risco para empresas?

Agência aposta em Open Web para expandir na América Latina