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Ferramentas de IA conseguem identificar gargalos operacionais e revelar desperdícios escondidos nos processos internos das empresas (Getty Images)
Redatora
Publicado em 21 de junho de 2026 às 05h02.
Toda empresa sabe que existem ineficiências em seus processos. O problema é descobrir exatamente onde elas estão.
Em organizações com centenas de funcionários, milhares de tarefas e múltiplos sistemas operando simultaneamente, identificar a origem de atrasos, retrabalho e desperdícios costuma exigir semanas de análise e um investimento significativo de tempo e recursos.
Agora, uma nova geração de ferramentas baseada em inteligência artificial está mudando essa lógica.
Em vez de depender apenas de entrevistas, reuniões e mapeamentos manuais, empresas passaram a utilizar dados gerados pelas próprias operações para encontrar gargalos ocultos e oportunidades de melhoria.
Praticamente toda atividade corporativa deixa registros digitais.
Sistemas de gestão empresarial (ERPs), plataformas de comunicação, planilhas, softwares de atendimento e computadores registram informações sobre tarefas, aprovações, movimentações financeiras e interações entre equipes.
Historicamente, esses dados eram utilizados apenas para auditorias ou solução de problemas específicos. Com a evolução da inteligência artificial, eles passaram a servir também como fonte de diagnóstico operacional.
A tecnologia consegue analisar milhões de registros simultaneamente para identificar padrões difíceis de detectar por gestores ou consultorias tradicionais.
Uma das abordagens mais utilizadas atualmente é o chamado process mining.
A técnica analisa dados de sistemas corporativos para reconstruir o caminho percorrido por um processo dentro da empresa. Isso permite visualizar onde ocorrem atrasos, exceções, retrabalho ou etapas que não seguem o fluxo planejado.
Já o task mining olha para outro nível: o trabalho executado pelas pessoas. A ferramenta analisa como funcionários utilizam sistemas e aplicativos ao longo do dia, identificando atividades repetitivas, tarefas manuais e rotinas que consomem tempo excessivo.
Separadamente, as duas abordagens já oferecem informações valiosas. Juntas, elas criam uma visão muito mais completa da operação.
Em um caso analisado pela McKinsey, uma fabricante do setor de alta tecnologia utilizou process mining para estudar seu processo de vendas.
A análise identificou oportunidades capazes de reduzir o tempo total das atividades entre 20% e 50%, além de melhorar a satisfação dos clientes e aumentar a eficiência operacional.
Outro exemplo veio do setor aeroespacial e de defesa. Após aplicar task mining, uma empresa descobriu que seus profissionais gastavam mais da metade do tempo trabalhando em planilhas. Dois terços desse esforço estavam concentrados em análises repetitivas.
A descoberta permitiu automatizar tarefas recorrentes e revisar processos internos. O resultado esperado era uma redução superior a 40% no tempo necessário para concluir determinadas atividades.
Uma das descobertas mais relevantes dessas análises é que os maiores desperdícios nem sempre aparecem nos relatórios tradicionais.
Em um distribuidor global de produtos industriais, a combinação de task mining e process mining revelou que vendedores gastavam um terço do tempo digitando pedidos. Mais da metade desse esforço era dedicada apenas à correção de informações básicas, como preços e disponibilidade de produtos.
Ao aprofundar a investigação, a empresa descobriu que 65% dos pedidos exigiam ajustes manuais, mesmo em operações consideradas rotineiras.
A revisão dos processos gerou uma economia estimada em US$ 30 milhões, além de liberar equipes para atividades de maior valor estratégico.
Durante décadas, iniciativas de eficiência dependeram principalmente da experiência dos gestores. A inteligência artificial está mudando esse modelo ao substituir percepções por evidências concretas.