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Gestão Sustentável: apesar do ruído ideológico, a realidade se impõe

Empresas ampliam ações sustentáveis porque riscos ambientais e de negócio seguem pressionando o mercado

Empresas mostram que sustentabilidade deixou de ser debate ideológico e passou a integrar a estratégia de negócios (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Empresas mostram que sustentabilidade deixou de ser debate ideológico e passou a integrar a estratégia de negócios (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 10h00.

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O número de organizações que divulgam emissões de carbono bateu recorde no Brasil, segundo o Registro Público de Emissões, plataforma mantida pela Fundação Getulio Vargas. No agronegócio, os inventários de gases de efeito estufa cresceram 38% ante 2025, mas cobrem apenas cerca de 0,8% das emissões do setor. A sustentabilidade corporativa também atua na gestão de riscos operacionais, financeiros e de transição.

Já faz algum tempo que assistimos ao aumento do volume de vozes contrárias que tentam transformar a agenda de sustentabilidade corporativa em um campo de batalha ideológico. Trata-se de uma polarização artificial, alimentada pela incompreensão do que realmente está em jogo para o setor produtivo.

No entanto, quando a poeira das discussões acaloradas baixa, o que permanece de pé é a incontestável materialidade dos impactos e riscos socioambientais. Eles não escolhem espectro político, não se importam com discursos e, mais importante, continuam cobrando a sua conta do mercado de forma cada vez mais tangível.

A realidade dos negócios e o avanço da sustentabilidade

A prova de que a realidade dos negócios se sobrepõe à retórica está nos movimentos concretos das empresas. Recentemente, os dados da plataforma Registro Público de Emissões, mantida pela FGV (Fundação Getulio Vargas), mostraram que o número de organizações que publicam informações sobre suas emissões de carbono bateu recorde no Brasil.

Esse é um marco que merece uma leitura aprofundada, principalmente por ocorrer a despeito dos retrocessos regulatórios que o país tem enfrentado. Quando a regulação hesita ou recua, mas a adesão corporativa avança, o sinal emitido pelo setor privado é cristalino: o mercado reconhece a relevância inescapável dessa agenda para a sobrevivência e para a competitividade a longo prazo.

O papel do agronegócio na agenda climática

Dentro desse cenário de amadurecimento, o agronegócio merece um destaque especial. O setor, que é pilar fundamental para a nossa balança comercial e para a segurança alimentar global, registrou um aumento de 38% no número de inventários de gases de efeito estufa (GEE) em comparação com 2025.

Contudo, o agro ainda possui um campo vasto de para evoluir, uma vez que apenas cerca de 0,8% das emissões de todo o setor estão, de fato, cobertas por essa boa prática. É um despertar importante, mas que evidencia o quão imaturo é nosso estágio na descarbonização de cadeias tão complexas.

Sustentabilidade como estratégia de gestão

Ainda assim, é imperativo compreender que medir e gerenciar carbono é apenas uma fração do trabalho. Uma estratégia de sustentabilidade genuína e consistente vai muito além da pauta climática estrita.

Quando bem estruturada e transversal ao negócio, ela atua como um motor de resiliência organizacional capaz de blindar a companhia contra choques externos cada vez mais frequentes. Na sua essência, trata-se de uma ferramenta sofisticada de prevenção de riscos operacionais, financeiros e de transição.

Ao integrar a sustentabilidade ao centro da estratégia, a empresa passa a focar na criação de valor compartilhado, o que, por consequência natural, pavimenta o caminho para ganhos reputacionais sólidos perante consumidores, investidores e a sociedade civil.

Execução e gestão sustentável nas empresas

Para que tudo isso não fique no campo das promessas ou se torne alvo fácil de críticas, a execução importa tanto quanto a intenção. O processo de transformação rumo a um modelo sustentável precisa ser conduzido de forma extremamente cuidadosa, capitaneado por profissionais que aliem profundo conhecimento técnico a uma visão pragmática de gestão.

O grande perigo, e um dos maiores motivos de falhas nas corporações, é deixar que a agenda se perca em meio à pressão implacável por resultados de curto prazo ou sofra com desequilíbrios que tentem simplificar problemas que são, por natureza, complexos.

Gerir a sustentabilidade é gerir a perenidade da própria empresa, uma tarefa que definitivamente não tem espaço para improvisos ou para embates ideológicos vazios.

'Perguntas frequentes'

Quantas empresas divulgam suas emissões de carbono no Brasil? +

O número de organizações que publicam informações sobre emissões de carbono alcançou um recorde no Brasil, segundo dados do Registro Público de Emissões, plataforma mantida pela Fundação Getulio Vargas. O texto não informa o total de participantes.

Quanto cresceu o número de inventários de emissões no agronegócio? +

O número de inventários de gases de efeito estufa no agronegócio aumentou 38% em comparação com 2025, de acordo com os dados citados no texto.

Qual parcela das emissões do agronegócio está coberta por inventários de GEE? +

Apenas cerca de 0,8% das emissões do agronegócio estão cobertas por inventários de gases de efeito estufa, segundo o texto. O percentual indica que o setor ainda possui amplo espaço para avançar na descarbonização.

Por que a sustentabilidade corporativa é importante para as empresas? +

A sustentabilidade corporativa ajuda as empresas a prevenir riscos operacionais, financeiros e de transição. Quando integrada à estratégia, também fortalece a resiliência organizacional diante de choques externos.

A sustentabilidade empresarial se limita à gestão das emissões de carbono? +

Não. O texto afirma que medir e gerenciar carbono representa apenas uma parte da sustentabilidade, que também abrange a criação de valor compartilhado, a gestão de riscos e a reputação perante consumidores, investidores e a sociedade civil.

O que as empresas precisam fazer para executar uma estratégia sustentável? +

As empresas precisam conduzir a transformação com conhecimento técnico e visão pragmática de gestão. Segundo o texto, a execução deve evitar que a pressão por resultados de curto prazo comprometa o tratamento de problemas socioambientais complexos.

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