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China transforma custo em arma na corrida da IA, diz J.P Morgan

China compete em preço e distribuição, enquanto EUA mantêm liderança em capacidade, aponta relatório do banco de investimentos

Donald Trump e Xi Jinping: a disputa geopolítica entre EUA e China na corrida da inteligência artificial migra para uma guerra de custos e distribuição

Donald Trump e Xi Jinping: a disputa geopolítica entre EUA e China na corrida da inteligência artificial migra para uma guerra de custos e distribuição

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16h59.

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RESUMO +

A disputa por inteligência artificial entre Estados Unidos e China se transformou em uma guerra de preços, segundo relatório do J.P Morgan, em meio à expansão recente de modelos chineses de peso aberto. Os EUA ainda lideram em capacidade, enquanto a China avança em custo, abertura e distribuição. Para investidores, o banco recomenda diversificação no setor.

A corrida por inteligência artificial (IA) entre Estados Unidos e China está deixando de ser apenas uma disputa por quem tem o modelo mais avançado — e virando, cada vez mais, uma guerra de preços por inteligência, segundo um relatório do J.P Morgan.

Segundo o banco, o custo de se obter um determinado nível de capacidade de IA está caindo rapidamente — e essa é, hoje, a maior implicação prática de toda a disputa geopolítica em torno da tecnologia.

O relatório aponta que a ascensão da IA agêntica — sistemas que executam tarefas complexas de forma autônoma — encareceu o efeito chamado de "tokenmaxxing", que consiste na prática de agentes de IA executarem tarefas complexas de forma autônoma, realizando múltiplas chamadas e gerando volumes massivos de tokens para resolver um problema.

O J.P Morgan feitos por agentes de IA podem consumir até 15 vezes mais tokens do que pedidos feitos diretamente por humanos, tornando o custo de inferência uma variável cada vez mais relevante na escolha de qual modelo usar — com laboratórios chineses emergindo como fornecedores atraentes nesse quesito.

Uma sequência de lançamentos de modelos de peso aberto (open-weight) neste verão no hemisfério norte, como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o GLM-5.3, da Z.ai, chegou perto da fronteira de capacidade americana, mantendo-se gratuitos para download e muito mais baratos de operar.

O banco afirma que os Estados Unidos ainda lideram em capacidade, mas a China compete agressivamente em custo, abertura e distribuição.

O placar da IA: capacidade, preço, uso e adoção corporativa

O relatório organiza a disputa em quatro frentes. Em capacidade, os Estados Unidos ainda lideram, mas os melhores modelos chineses de peso aberto já estão a aproximadamente uma geração da fronteira tecnológica — a Epoch AI estima essa distância em cerca de quatro meses, em média, enquanto o UK AI Security Institute a calcula entre quatro e sete meses em tarefas de cibersegurança.

Em preço, os modelos chineses seguem mais baratos, mas essa vantagem costuma diminuir quando medida por tarefa realizada, e não por token isolado — já que modelos diferentes usam quantidades diferentes de tokens para chegar à mesma resposta.

Segundo a Artificial Analysis, embora o GLM-5.3 Max tenha preço médio por token mais baixo que o GPT-5.6 Terra Max, o modelo americano acaba sendo mais barato por tarefa de benchmark (US$ 1,40 contra US$ 2,01).

Laboratórios americanos também vêm reagindo com cortes de preço. A OpenAI reduziu o preço de API do GPT-5.6 Luna em 80% e do Terra em 20% em julho; a Anthropic tornou permanente o preço promocional de lançamento do Sonnet 5, em vez de reajustá-lo como planejado; e o Google segue expandindo camadas mais baratas do Flash para cargas de trabalho de alto volume.

Em uso, os modelos chineses ganham tração, especialmente em cargas de trabalho agênticas. Na plataforma OpenRouter, modelos de origem chinesa já processam mais tokens que os americanos — mas participação em tokens não equivale a participação de mercado, já que agentes de longa duração geram muito mais tokens que interações curtas, e os modelos chineses se concentram justamente nesse tipo de carga.

Contando por número de pedidos, os modelos americanos ainda lideram ligeiramente, e provavelmente lideram com folga bem maior quando somadas as cargas corporativas.

Em adoção corporativa, o relatório aponta que dois ecossistemas conseguem coexistir — grandes empresas americanas seguem usando predominantemente modelos americanos, e grandes empresas chinesas usam modelos domésticos, refletindo exigências de regulação, compras e governança de dados.

Modelos de peso aberto ajudam a conectar essa divisão, permitindo que empresas americanas hospedem um modelo de origem chinesa de forma privada ou via provedor de nuvem — mas questões de segurança, confiabilidade e risco legal devem manter a adoção corporativa mais segmentada do que sugere o uso entre desenvolvedores.

O que isso significa para investidores

Segundo o relatório, poucos desenvolvimentos testaram tanto a confiança na durabilidade do boom americano de IA quanto a ascensão de modelos chineses capazes e baratos — e a volatilidade em torno de novos lançamentos deve continuar.

"Os Estados Unidos e a China estão construindo ecossistemas de IA paralelos, mas cada vez mais interconectados, com os EUA liderando na fronteira e a China exercendo influência crescente sobre custo e difusão. E a liderança em IA não pode ser dada como certa. Como ciclos tecnológicos passados já mostraram, líderes iniciais nem sempre prevalecem", diz o texto.

Para investidores, o banco recomenda diversificação entre desenvolvedores de modelos, infraestrutura habilitadora, e empresas posicionadas para transformar inteligência mais barata em ganhos de produtividade duradouros.


Perguntas frequentes

Como está a disputa por inteligência artificial entre EUA e China? +

Os Estados Unidos ainda lideram em capacidade, mas a China compete de forma agressiva em custo, abertura e distribuição, segundo o J.P Morgan. O banco afirma que os dois países estão construindo ecossistemas paralelos, porém cada vez mais interconectados.

Por que os custos de IA ganharam importância nessa disputa? +

Os custos ganharam importância porque agentes de IA podem consumir até 15 vezes mais tokens do que pedidos feitos diretamente por humanos, segundo o J.P Morgan. Esse aumento torna o custo de inferência mais relevante na escolha dos modelos.

Qual é a distância entre os modelos chineses e os americanos? +

Os melhores modelos chineses de peso aberto estão aproximadamente uma geração atrás da fronteira tecnológica americana. A Epoch AI estima uma distância média de quatro meses, enquanto o UK AI Security Institute calcula uma diferença de quatro a sete meses em tarefas de cibersegurança.

Os modelos chineses de IA são mais baratos que os americanos? +

Os modelos chineses geralmente têm preços menores por token, mas essa vantagem pode desaparecer quando o custo é calculado por tarefa. Segundo a Artificial Analysis, o americano GPT-5.6 Terra Max custa US$ 1,40 por tarefa de benchmark, ante US$ 2,01 do GLM-5.3 Max.

Os modelos chineses já são mais usados que os americanos? +

Na OpenRouter, modelos chineses já processam mais tokens que os americanos, especialmente em cargas agênticas de longa duração. Segundo o relatório, porém, os modelos americanos ainda lideram ligeiramente em número de pedidos e provavelmente mantêm uma vantagem maior nas cargas corporativas.

O que o J.P Morgan recomenda aos investidores? +

O J.P Morgan recomenda diversificação entre desenvolvedores de modelos, fornecedores de infraestrutura e empresas capazes de converter inteligência mais barata em ganhos duradouros de produtividade.


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