Sydney sediará a Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito (WCUC) em julho de 2026 (David Rogers/Getty Images)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 10h00.
Por Manfred Alfonso Dasenbrock*
O cooperativismo de crédito no Brasil vive um bom ciclo de expansão — um movimento que vai além dos números e se reflete também na crescente presença do país nos principais fóruns internacionais do setor.
Nos últimos dez anos, o segmento viu seus ativos crescerem cinco vezes, de acordo com o levantamento Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, elaborado pelo Banco Central, e vem se consolidando como uma alternativa robusta em um mercado financeiro historicamente centralizado.
Esse protagonismo nacional se projeta, ano após ano, no cenário global, especialmente por meio da participação brasileira na Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito (WCUC), que em 2026 será realizada em Sydney, na Austrália, entre os dias 19 e 22 de julho, e já está com as inscrições abertas.
O crescimento expressivo do modelo de crédito cooperativo se consolida por meio de um olhar diferente para as necessidades financeiras das pessoas, equilibrando relacionamento próximo e solidez.
Em 2024, o volume de ativos das cooperativas de crédito registrou alta de 21,1%, enquanto as captações apresentaram avanço de 21,7%, segundo o Panorama do SNCC.
O levantamento ressalta também a relevância do setor no financiamento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e sua função estratégica na interiorização bancária, levando dignidade financeira para diferentes regiões do Brasil atendidas especificamente por cooperativismo de crédito.
Em um país de dimensões continentais, as cooperativas souberam entregar soluções financeiras completas e, acima de tudo, relevantes para as realidades locais.
Temos como exemplo o apoio ao pequeno produtor rural e o fomento de empresas de médio porte. Este momento de sucesso é sustentado por uma estrutura regulatória forte e investimentos contínuos em tecnologia e profissionalização.
Isso prova que resultados sólidos e impacto social podem, sim, caminhar juntos no crédito cooperativo.
Para manter esse ritmo de evolução e sustentar o crescimento consistente do cooperativismo de crédito, o intercâmbio internacional tem se mostrado fundamental.
O engajamento com o Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU), considerada a principal entidade mundial do setor, permite que o Brasil antecipe tendências e aprimore sua gestão de riscos e inovação.
Ao participar ativamente desse ecossistema global, o crédito cooperativo brasileiro absorve padrões internacionais de sustentabilidade e inclusão, ao mesmo tempo em que fortalece sua voz e influência nos debates estratégicos do setor.
O destaque brasileiro no cenário global do cooperativismo atingiu um novo patamar em 2025. Durante a Conferência Mundial na Suécia, o país enviou a maior delegação do evento, com mais de 300 lideranças entre os 2 mil participantes de 60 nações.
Para a WCUC 2026, em Sydney, o objetivo é consolidar essa influência, reafirmando a disposição do Brasil em liderar as principais agendas e discussões do mercado financeiro cooperativo internacional.
Momentos como esse são essenciais também para valorizar iniciativas como a Rede Global de Jovens Profissionais (WYCUP) e a Rede Global de Lideranças Femininas (GWLN).
São elas que fomentam o futuro e a representatividade dentro do movimento e que compõem parte da programação do evento, além de serem temas que reverberam ao longo de todo o ano em instituições cooperativas.
Um exemplo é o Sicredi, que conta hoje com Comitê Mulher e o Comitê Jovem, iniciativas diretamente conectadas com os movimentos internacionais promovidos pelo Woccu.
A participação dos dirigentes cooperativos brasileiros na WCUC 2026 é, portanto, uma extensão natural desse ciclo virtuoso de crescimento.
Mais do que uma oportunidade de aprendizado, trata-se de um investimento direto no fortalecimento das lideranças e no alinhamento estratégico das cooperativas brasileiras com o que há de mais avançado no mundo.
O futuro do cooperativismo de crédito é, invariavelmente, global e colaborativo. O crescimento observado no Brasil mostra que esse modelo está preparado para ocupar um papel ainda mais relevante no cenário internacional.
*Manfred Alfonso Dasenbrock é diretor do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu) e da Fundação Woccu e Presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ.