(Andrzej Rostek/Getty Images)
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Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 10h00.
Por Matheus Machado, do Grupo Bolt*
O modelo de cálculo do preço da energia (PLD) no Brasil tornou-se mais conservador, o que deve manter a conta de luz pressionada em 2026, mesmo com um ciclo hidrológico mais favorável no início do ano.
O PLD reage de forma mais sensível a qualquer risco. Mesmo com mais chuva no início de 2026, isso significa bandeiras mais caras por mais tempo, e uma conta de luz que deve continuar pesando no bolso do consumidor.
Um estudo da TR Soluções indica que as tarifas dos consumidores residenciais devem subir, em média, 8% no próximo ano (considerando a média ponderada das 51 distribuidoras).
Essa pressão se soma a um 2025 já marcado por aumentos expressivos. Dados da Aneel mostram que as tarifas residenciais acumularam alta média de 7% ao longo deste ano, impulsionadas pela expansão dos encargos setoriais e pelo orçamento recorde da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que atingiu R$ 49 bilhões.
A “aversão à seca" no modelo de preços justifica a pressão tarifária, mesmo com boa geração hidráulica prevista para o início de 2026, que deve garantir bandeira verde entre janeiro e abril.
A mudança, no entanto, deve ocorrer a partir de maio, com o início do período seco. A dependência de fontes mais caras aumenta rapidamente. De maio em diante, cresce a chance de bandeiras amarela e vermelha. É possível que o próximo ano tenha ainda mais bandeiras vermelhas do que 2025.
2026 também será operado com menor sobra estrutural de energia. Será um ano mais crítico. Com menos margem de segurança, qualquer oscilação hidrológica empurra os preços para cima.
Nesse cenário de tarifas elevadas e volatilidade, a busca por previsibilidade cresce. Um estudo da Abraceel reforça a dimensão do problema: entre 2010 e 2024, as tarifas do mercado regulado subiram 177%, alta 45% acima da inflação (IPCA).
No mesmo período, o aumento no mercado livre foi de apenas 44%, variação 64% menor que a inflação.
Para o setor corporativo, o impacto dos reajustes é ainda mais pesado. O mercado livre oferece previsibilidade orçamentária e descontos que podem chegar a 30% em relação ao mercado cativo. Em momentos de tarifas elevadas, migrar é uma forma de suavizar custos.
Para consumidores residenciais e pequenas empresas, alternativas como a energia renovável por assinatura seguem em expansão.
O modelo de energia solar por assinatura tem crescido muito por trazer economia média de 20% na conta de luz e por oferecer liberdade de escolha. Em momentos de reservatórios abaixo da média e tarifas altas, soluções renováveis se tornam ainda mais relevantes.
Com a abertura do mercado para consumidores de média tensão desde 2024 e as discussões sobre a entrada de consumidores residenciais a partir de 2026, o Brasil atravessa um momento de transformação, onde o mercado livre e a energia renovável se fortalecem como pilares de um setor mais competitivo e previsível.
*Matheus Machado é especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt.