Invest

China incentiva compra de dólar para conter alta do yuan

Banco Popular da China eliminou a exigência de reserva de risco sobre contratos de câmbio após o yuan chegar ao nível mais alto em quase três anos frente à moeda americana

Yuan: banco central tenta conter valorização da moeda chinesa. (Thomas Ruecker/Getty Images)

Yuan: banco central tenta conter valorização da moeda chinesa. (Thomas Ruecker/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 08h12.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 08h13.

Priorizar nos meus resultados Google

O Banco Popular da China (PBOC) decidiu facilitar a compra do dólar para conter a valorização do yuan, que vem pressionado a competitividade e a margem de empresas exportadoras.

Para isso, o banco central decidiu eliminar a exigência de reserva de risco de 20% sobre contratos de câmbio a termo, em uma mudança que passa a valer a partir de 2 de março de 2026.

A medida reduz o custo e torna menos desvantajoso apostar na alta do dólar frente ao yuan, ajudando a conter a valorização da moeda chinesa, segundo nota do Maybank divulgada pela Reuters.

Só que, na prática, analistas ouvidos pela agência indicam que, embora o governo esteja tentando conter o avanço do yuan, a percepção é de que a moeda ainda tem espaço para se fortalecer.

A decisão não veio por acaso: o yuan atingiu na quinta-feira, 26, 6,83 por dólar, seu nível mais alto em quase três anos frente à moeda americana.

Isso acabou virando uma dor de cabeça para as empresas chinesas que vendem para fora e recebem em dólar, e o impacto já aparece nos balanços, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

A Beijing Ultrapower Software Co. reportou uma queda de 28% no lucro de 2025 e atribuiu o resultado à valorização cambial. Já a Suzhou Junchuang Auto Technologies registrou recuo de 31% nos lucros pelo mesmo motivo.

O movimento atingiu também empresas de tecnologia, incluindo a Ninebot, fabricante de robôs e veículos elétricos, que enfrenta pressão sobre os resultados com o fortalecimento da moeda local.

Efeitos ambíguos para a economia

Por um lado, uma moeda mais forte, a exemplo do avanço do yuan, poderia baratear importações e atrair capital estrangeiro, segundo analistas consultados pela Reuters.

Só que, por outro lado, há redução de competitividade para os exportadores, já que eles recebem em dólar e convertem essas receitas por uma taxa menos favorável.

Desde abril do ano passado, o yuan acumula valorização superior a 7% frente à moeda americana, impulsionado por fatores externos e internos.

As fontes indicam que a fraqueza global do dólar combinada com o bom desempenho das exportações chinesas têm sustentado a entrada de recursos no país.

Em janeiro, o superávit em divisas chegou a quase US$ 80 bilhões, refletindo o forte fluxo de dólares para a economia chinesa, conforme dados compilados pela agência.

Yuan se valorizou 'rápido demais'

O especialista da Orient Futures, Yuan Tao, afirmou à Reuters que o Banco Popular da China decidiu agir justamente porque o movimento da moeda havia sido "rápido demais".

O objetivo, na sua visão, era manter a taxa de câmbio em um nível considerado "razoável e equilibrado", evitando distorções que prejudicassem a economia real do país.

Gerente-geral do departamento de negócios do mercado financeiro do Grupo de Desenvolvimento Zheshang, Liu Yang avaliou, ainda, que a medida deve destravar uma demanda reprimida por dólares.

Algo que ajudaria a reequilibrar oferta e demanda no curto prazo: "o PBOC vê pouco risco de maior depreciação do yuan e ainda acredita que há espaço significativo para a valorização da moeda", disse Yang.

Já o economista da Economist Intelligence Unit, Xu Tianchen, vê que o yuan permanece resiliente mesmo em um cenário de estabilidade do dólar em outros mercados.

Acompanhe tudo sobre:CâmbioDólarChina

Mais de Invest

Anvisa notifica Mercado Livre após plataforma anunciar venda de remédios dentro do marketplace

Tenda leva tombo de 8% e analistas veem impacto da greve da Caixa na ação

Ibovespa reage e fecha em alta de 0,46%; dólar recua a R$ 5,21

Quem é o novo CEO da Copasa — e o que explica a reação das ações CSMG3