Fabio Arbex Suzuki, CEO da Tecnogera: aposta em setores como mineração e agronegócio, dependentes de locais onde nem sempre há fornecimento confiável de energia (Divulgação/Divulgação)
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Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 14h46.
Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 10h42.
O risco de a energia falhar nunca saiu do radar das empresas brasileiras. Apagões regionais recentes reforçaram um ponto sensível para setores críticos: sem eletricidade, a operação para — e o prejuízo aparece rápido.
É nesse mercado que atua a Tecnogera, empresa brasileira de energia temporária, sistemas híbridos e soluções de descarbonização, fundada há 19 anos e hoje em um novo ciclo de crescimento. Sob o comando de Fabio Arbex Suzuki, CEO da Tecnogera, a companhia traçou uma meta ambiciosa: chegar a R$ 1 bilhão em faturamento até 2028.
A empresa combina dois movimentos pouco comuns no setor: escala operacional — com mais de R$ 1,5 bilhão em ativos energéticos sob gestão — e uma aposta clara em soluções mais limpas, como biodiesel, HVO, diesel renovável, e sistemas híbridos. Em um cenário de pressão regulatória e risco climático, essa combinação virou vantagem competitiva.
“Nós não alugamos apenas equipamentos; entregamos a segurança de que a operação nunca vai parar”, afirma Suzuki, CEO da Tecnogera.
O plano é crescer entre 10% e 20% ao ano, mantendo padrões rígidos de confiabilidade e ampliando presença em setores onde a falha energética não é opção. O olhar está no futuro, mas a base da estratégia segue a mesma: garantir energia onde a rede não chega — ou não aguenta.
Sediada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a Tecnogera nasceu de uma ruptura. O fundador, Abraham Curi, precisou se recolocar no mercado depois que a empresa onde trabalhava encerrou as atividades. Para garantir renda, passou a reformar e manter equipamentos industriais. O contato direto com operações críticas abriu um caminho.
“Foi nesse período que tive o primeiro contato com geradores de energia e percebi que trabalhar com energia não é apenas fornecer equipamentos, mas garantir segurança energética e continuidade dos negócios”, diz.
O começo foi pequeno. A empresa iniciou a operação com cinco geradores e cresceu de forma orgânica, reinvestindo caixa e acompanhando os clientes de ponta a ponta, da entrega à operação. Construir credibilidade em um setor sensível foi o primeiro grande obstáculo, com a responsabilidade ambiental inerente ao uso intensivo de energia.
Para reduzir impactos, a empresa desenvolveu motores mais eficientes e adaptou geradores para operar com biodiesel, um movimento ainda pouco comum à época.
Unidade móvel da Tecnogera: expansão de receitas de pelo menos 10% por ano (Divulgação/Divulgação)
Hoje, a Tecnogera opera em outro patamar. A administração de mais de R$ 1,5 bilhão em ativos energéticos reflete contratos complexos, operações críticas e um nível elevado de exigência dos clientes.
Segundo Fabio Arbex Suzuki, CEO da Tecnogera, a empresa vive uma fase de organização e consolidação para sustentar o próximo ciclo de crescimento. A meta de faturamento não vem isolada. O foco declarado está na qualidade da entrega, na confiabilidade dos equipamentos e na padronização do serviço.
A diferenciação, afirma o executivo, se apoia em quatro pilares: confiabilidade construída ao longo de duas décadas, sustentabilidade incorporada à operação, atuação como plataforma estratégica de distribuição para fabricantes e integração entre frota de energia e soluções de acesso.
A estratégia de expansão é seletiva. Tecnogera não planeja aquisições no curto prazo, mas prepara o lançamento de uma nova unidade de negócios ainda este ano para complementar o portfólio.
Os setores prioritários refletem gargalos estruturais do país.
No agronegócio, a empresa mira regiões com infraestrutura energética limitada. Na mineração, a demanda é por soluções contínuas e robustas. Data centers entram no radar puxados pela digitalização e pela necessidade de redundância energética. Projetos de infraestrutura e operações temporárias e emergenciais completam o foco.
“Nossa expansão é estratégica e seletiva. O objetivo é crescer com qualidade, oferecendo soluções completas e próximas das necessidades de cada cliente”, afirma Suzuki, CEO da Tecnogera.
A pressão por eficiência e descarbonização deixou de ser discurso. Para a Tecnogera, virou parte central do modelo de negócio. A empresa ampliou o uso de biodiesel, HVO e sistemas híbridos como forma de reduzir emissões e atender exigências ambientais crescentes.
Esse movimento também responde a uma demanda prática: clientes que operam em setores regulados precisam de fornecedores alinhados às suas metas ambientais e operacionais.
Crescer mantendo padrão elevado de serviço é o principal desafio, diz o CEO. Isso envolve garantir disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos, acompanhar mudanças regulatórias e ambientais, investir em eficiência energética e atrair profissionais técnicos especializados.
Eventos como apagões regionais aumentam a demanda por soluções de energia temporária, mas também elevam a responsabilidade de quem atua nesse mercado. A margem de erro é mínima.
Para a Tecnogera, o caminho até R$ 1 bilhão em faturamento passa menos por volume e mais por execução. Em um setor onde falhar custa caro, a estratégia é clara: garantir que a energia não pare.
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