A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam respeito (thodonal/Thinkstock)
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Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Segundo a 5ª edição da Pesquisa Perfil do Hotline no Brasil, realizada pela KPMG, 93% das empresas já possuem algum tipo de canal de denúncias para assédio no ambiente de trabalho. No entanto, a simples existência do canal não garante sua efetividade.
A pesquisa revela que, embora 79% dos colaboradores afirmem confiar nos canais, há uma discrepância relevante no volume de registros.
“Muitos casos de assédio e condutas inadequadas não chegam aos hotlines por medo de retaliação, descrença na apuração ou ausência de acolhimento.
A efetividade do canal depende menos da tecnologia e mais da cultura organizacional.
Rapidez na investigação, retorno aos denunciantes e comunicação de medidas corretivas são determinantes para consolidar a confiança no sistema”, diz Andre Purri, CEO da HRTech Alymente.
O estudo também destaca que mulheres jovens, com até 35 anos, são o grupo que mais utiliza os canais para denunciar assédio, enquanto homens predominam nas denúncias relacionadas a fraude e corrupção.
A norma, , que entra em vigor em maio de 2026, amplia o olhar das empresas para os riscos psicossociais, incluindo assédio moral e sexual, e exige gestão estruturada para identificar, documentar e mitigar essas situações.
Nesse cenário, os dados da KPMG funcionam como um termômetro: a existência do canal é apenas o primeiro passo; sua efetividade depende de confiança, acolhimento e respostas concretas.
Entre as empresas participantes:
Setores altamente regulados, como serviços financeiros, energia, saúde e grandes indústrias, lideram o ranking de maturidade na gestão de denúncias.
A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam respeito, ética e cultura organizacional, e não apenas regras formais. Treinamento contínuo, lideranças capacitadas e comunicação clara são fatores essenciais para fortalecer esses canais.
A pesquisa ouviu 128 empresas brasileiras de setores como consumo e varejo, indústria, saúde, automotivo, tecnologia, telecomunicações, construção, energia, logística, agronegócio, governo, fundos de investimento, real estate, turismo e entretenimento.