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Combate ao assédio exige mais do que canal de denûncias, diz pesquisa

Estudo da KPMG analisou cenário mais atual e medidas necessárias para o futuro 

A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam respeito (thodonal/Thinkstock)

A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam respeito (thodonal/Thinkstock)

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Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 07h00.

Segundo a 5ª edição da Pesquisa Perfil do Hotline no Brasil, realizada pela KPMG, 93% das empresas já possuem algum tipo de canal de denúncias para assédio no ambiente de trabalho. No entanto, a simples existência do canal não garante sua efetividade.

A pesquisa revela que, embora 79% dos colaboradores afirmem confiar nos canais, há uma discrepância relevante no volume de registros. 

  • Em mais de um terço das empresas (36%), o número anual de denúncias ultrapassa 120 casos. 
  • Já 25% registram menos de 12 denúncias por ano, índice considerado baixo diante do porte e da complexidade dessas organizações.

“Muitos casos de assédio e condutas inadequadas não chegam aos hotlines por medo de retaliação, descrença na apuração ou ausência de acolhimento. 

A efetividade do canal depende menos da tecnologia e mais da cultura organizacional. 

Rapidez na investigação, retorno aos denunciantes e comunicação de medidas corretivas são determinantes para consolidar a confiança no sistema”, diz Andre Purri, CEO da HRTech Alymente.

O estudo também destaca que mulheres jovens, com até 35 anos, são o grupo que mais utiliza os canais para denunciar assédio, enquanto homens predominam nas denúncias relacionadas a fraude e corrupção. 

  • Apesar desses recortes, a maioria das vítimas ainda não formaliza queixas, o que indica que os números oficiais representam apenas parte do problema.

O contexto ganha relevância adicional com a atualização da NR-1

A norma, , que entra em vigor em maio de 2026, amplia o olhar das empresas para os riscos psicossociais, incluindo assédio moral e sexual, e exige gestão estruturada para identificar, documentar e mitigar essas situações. 

Nesse cenário, os dados da KPMG funcionam como um termômetro: a existência do canal é apenas o primeiro passo; sua efetividade depende de confiança, acolhimento e respostas concretas.

Entre as empresas participantes: 

  • 92% afirmam ter programas de compliance ou integridade,
  • 41% dos hotlines estão em operação há mais de cinco anos, o que indica certo grau de maturidade estrutural. 
  • 73% terceirizam o primeiro atendimento ao denunciante, medida que tende a aumentar a percepção de imparcialidade e sigilo.

Setores altamente regulados, como serviços financeiros, energia, saúde e grandes indústrias, lideram o ranking de maturidade na gestão de denúncias. 

A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam respeito, ética e cultura organizacional, e não apenas regras formais. Treinamento contínuo, lideranças capacitadas e comunicação clara são fatores essenciais para fortalecer esses canais.

A pesquisa ouviu 128 empresas brasileiras de setores como consumo e varejo, indústria, saúde, automotivo, tecnologia, telecomunicações, construção, energia, logística, agronegócio, governo, fundos de investimento, real estate, turismo e entretenimento.

Acompanhe tudo sobre:Assédio sexualAssédio moral

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