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O fim das assinaturas? Como a IA está implodindo o mercado de SaaS

Com a ascensão da inteligência artificial, o mercado enfrenta o "SaaSpocalypse" e exige novas estratégias de governança e infraestrutura

A inteligência artificial redefine a tecnologia corporativa e o futuro do SaaS (Gorodenkoff/Shutterstock)

A inteligência artificial redefine a tecnologia corporativa e o futuro do SaaS (Gorodenkoff/Shutterstock)

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Publicado em 16 de maio de 2026 às 07h00.

Por João Mano*

Durante décadas, empresas compraram software como quem compra um imóvel: pagavam licenças caras, investiam em customizações intermináveis e ficavam reféns de sistemas legados difíceis de atualizar.

Era o modelo on-premise, pesado, rígido e com custo de manutenção que só crescia. Verdade que era robusto e funcionou assim por muito tempo, até que a complexidade dos negócios fez tudo mudar.

A explosão do SaaS e a fragmentação de ferramentas

O SaaS surgiu como resposta. Levou o software para a nuvem, trocou a licença pela assinatura mensal e democratizou o acesso à tecnologia.

Muito mais fácil da empresa começar e manter no dia a dia. O problema é que, ao resolver uma dor, criou outra: empresas passaram a contratar centenas de ferramentas desconectadas.

Segundo a Gartner, grandes corporações utilizam em média mais de 400 aplicações SaaS — muitas delas subutilizadas, redundantes e operando fora do controle da TI.

(Olha que já fiz outra estatística que o middle market consumia 130 e já tinha achado bastante). São sistemas que não conversam entre si (a não ser vocês estruture uma comunicação usando as apis que eles disponibilizam) e que obrigam as empresas a adaptar seus processos ao software, e não o contrário.

O SaaSpocalypse e a nova era da IA

Agora, a inteligência artificial está mudando esse jogo de forma estrutural.

No início de 2026, o mercado viveu o que analistas de Wall Street chamaram de SaaSpocalypse: uma correção que eliminou cerca de US$ 285 bilhões em valor de mercado de empresas de software em poucos dias.

Agentes de IA já automatizam tarefas inteiras, reduzindo a necessidade de licenças por usuário. A IDC prevê que, até 2028, o modelo de precificação por assento será obsoleto.

A Gartner projeta que 40% dos aplicativos de tecnologia corporativa terão agentes de IA integrados até o fim de 2026.

Eu, particularmente, não sou dos que acreditam numa visão apocalíptica de maneira irrestrita, mas uma verdade é clara: tudo está mudando, e para se manter vivo, um SaaS também precisará mudar bastante.

Customização extrema e os perigos da governança

O fenômeno da customização extrema é real e já tem números impressionantes.

A Lovable, plataforma que permite criar aplicações por linguagem natural, saiu de zero para US$ 400 milhões de receita recorrente em pouco mais de um ano, e foi avaliada em US$ 9 bilhões.

Outras como a Base44, adquirida pela Wix, e também a Mogno que criamos no Brasil dentro desse conceito, seguem o mesmo caminho de tendência.

Qualquer pessoa com acesso a essas ferramentas consegue criar uma aplicação funcional em pouquíssimo tempo. Mas todo superpoder vem com seu lado sombrio.

Criar é, de fato, a parte divertida, o problema é que ninguém combinou quem vai cuidar dos bugs que aparecem numa sexta-feira às seis da tarde. Sem governança técnica, as organizações caminham para um cenário de centenas de aplicações descentralizadas, mantidas por quem as criou no entusiasmo de uma tarde, com dados sensíveis expostos e sem nenhuma manutenção programada.

Fragmentação de riscos na era da IA

Em dois anos, a quantidade de aplicações inseguras e desconectadas, criadas sem o devido domínio técnico, pode gerar consequências tão graves quanto o problema que a inteligência artificial se propôs a resolver.

Se o SaaS gerou a era da fragmentação de ferramentas, a IA sem controle pode inaugurar a era da fragmentação de riscos.

Quando desenhamos a Mogno esse foi nosso maior motivador: criar uma plataforma de engenharia com IA que permitisse às empresas construir aplicações de negócio conectadas, seguras e com governança, substituindo a fragmentação por um ecossistema integrado.

Não se pode delegar a segurança para prompts, é preciso que a governança seja garantida por infraestrutura e não por instrução.

Enfim, a pergunta que todos nós deveríamos nos fazer nesse momento tão interessante que estamos vivendo em tecnologia não é "qual novo SaaS contratar?", mas sim: "como construir a inteligência operacional que meu negócio precisa, sem perder o controle?".

A resposta está mudando, e rápido.

*João Mano, COO e Co-Founder da Accountfy e Mogno - Ex-executivo da EBAM (GP Investimentos) e SHV Gas Brasil. Especialista em planejamento financeiro e implementação de modelos de gestão. Graduado em Engenharia de Produção e Análise de Riscos.

 

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