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Apple ensaia retorno completo aos chips da Intel

Parceria entre gigantes vai além de diversificação de fornecedor: a fabricante do iPhone está simulando a Intel como substituta de linha completa

Apple: empresa estuda opções de mercado para deixar dependência da TSMC (VCG / Colaborador/Getty Images)

Apple: empresa estuda opções de mercado para deixar dependência da TSMC (VCG / Colaborador/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 16 de maio de 2026 às 09h00.

Última atualização em 16 de maio de 2026 às 20h41.

A parceria entre Apple e Intel para fabricação de chips avançados tem sido lida pelo mercado como uma resposta às pressões geopolíticas e à dependência da cadeia asiática. Mas avaliações recentes de indústria revelam uma lógica mais calculada e potencialmente mais disruptiva para a TSMC.

Conforme o analista de mercado Ming-Chi Kuo, a Apple não está simplesmente testando a Intel como fornecedora alternativa. Ela lançou pedidos simultâneos para três linhas de produtos — iPhone, iPad e Mac — na série 18A-P da Intel com mescla de wafers que espelha sua própria distribuição de vendas ao consumidor final. Em outras palavras, a empresa está usando toda uma geração de chips para validar se a Intel tem condições de se tornar uma fornecedora de portfólio completo. É um processo de qualificação disfarçado de pedido.

Analistas já haviam apontado que a Apple estava em busca de diversificar a manutenção de sua cadeia de suprimentos para reduzir a dependência da TSMC, em Taiwan, e migrar para a fabricação de seus chips mais avançados. Conforme Kuo, o momento atual confirma que a análise passou para solicitações concretas.

TSMC sente a pressão, mas tem poucas alavancas

O que o analista destaca como mais relevante não é o risco imediato para a TSMC, que deve manter mais de 90% da participação em fornecimento, mesmo que os primeiros pedidos da Intel corram bem. O ponto central é que a TSMC está se tornando um ativo escasso demais para os próprios clientes que a tornaram líder.

"Nos próximos anos, a maior parte dos pedidos de semicondutores de última geração permanecerá com a TSMC. Portanto, a Apple representa uma das poucas, e possivelmente a mais completa, oportunidades de treinamento em fundição disponíveis para a Intel", disse o analista, apontando que a Intel deve se agarrar à maçã para garantir presença de mercado.

Com a capacidade em nós avançados cada vez mais direcionada à demanda de IA, a Apple percebeu que seu peso relativo dentro da TSMC tende a encolher. A fabricante taiwanesa teve receita recorde no primeiro trimestre de 2026 em decorrência da alta demanda por companhias como Apple e Nvidia.

O crescimento, entretanto, se tornou dedicado a chips de inteligência artificial. Para a Apple, isso significa que cultivar a Intel agora, enquanto ainda detém poder de negociação, é mais inteligente do que esperar para fazê-lo quando já tiver perdido espaço na fila.

O caminho mais pragmático apontado pelo analista é acelerar a acumulação interna de capital via precificação e incorporar aos contratos o risco competitivo que ela própria ajuda a criar ao fabricar chips para a Intel enquanto esta disputa os pedidos da Apple. Uma observação que significa que TSMC pode estar cobrando de menos por uma posição que cada vez mais pessoas querem enfraquecer.

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