No Dia do Estudante, escolas devem focar em competências para o futuro, além do conteúdo. (Gorodenkoff/Shutterstock)
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Publicado em 11 de agosto de 2026 às 07h00.
Santuza Bicalho*
Celebrado em 11 de agosto, o Dia do Estudante remete à criação, em 1827, dos primeiros cursos superiores de Direito no Brasil.
Quase dois séculos depois, a data é uma oportunidade para refletirmos sobre o acesso à educação e discutir uma das questões centrais para o futuro de todos: qual formação estamos oferecendo às novas gerações e quais cidadãos estamos formando?
Vivemos um período de transformações aceleradas, impulsionadas pela inteligência artificial, pela digitalização e por mudanças profundas nas relações sociais e no mercado de trabalho.
Muitas das profissões que nossos estudantes exercerão no futuro sequer existem hoje, enquanto outras serão completamente reinventadas.
Pela primeira vez, convivem na Educação Básica brasileira estudantes de diferentes gerações, como da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), Alfa (nascidos entre 2013 e 2024) e Beta (nascidos a partir de 2025).
Embora tenham perfis distintos, todos compartilham uma característica em comum: construirão suas trajetórias pessoais e profissionais em um mundo marcado pela rápida evolução tecnológica e pela necessidade constante de aprender, desaprender e reaprender.
Diante desse cenário, limitar a missão da escola à transmissão de conteúdos já não é eficiente: além do currículo tradicional, é preciso preparar os alunos para lidar com a complexidade, a mudança e a incerteza.
Naturalmente, uma formação acadêmica sólida continua sendo indispensável.
Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e tantas outras áreas do conhecimento permanecem sendo a base para compreender o mundo.
Mas, ao lado desses saberes, ganham cada vez mais importância competências humanas como pensamento crítico, criatividade, colaboração, comunicação, empatia, autonomia e capacidade de resolver problemas.
São essas habilidades que permitirão aos jovens aplicar o conhecimento em diferentes contextos e construir soluções para desafios que ainda nem conhecemos.
Essas competências não se desenvolvem apenas nos livros didáticos ou nas avaliações.
Elas são construídas nas relações que acontecem diariamente dentro da escola: em projetos colaborativos, nas discussões em sala de aula, na convivência com diferentes perspectivas, nos erros que se transformam em aprendizagem e nas oportunidades para que os estudantes assumam responsabilidades e façam escolhas.
Por isso, quando pensamos na formação dos estudantes, precisamos ampliar nosso olhar.
O sucesso da educação não pode ser medido apenas pelo desempenho em provas, mas pela capacidade de formar pessoas preparadas para fazer escolhas conscientes, colaborar, adaptar-se às mudanças e aprender continuamente.
Essa é, afinal, a verdadeira missão da escola.
Mais do que transmitir conteúdos, ela deve formar cidadãos curiosos, éticos, críticos e resilientes, capazes de construir soluções para desafios que ainda nem conhecemos.
Em um mundo em constante transformação, talvez esse seja o maior legado que a educação possa oferecer às novas gerações.
*Santuza Bicalho é Managing Director da International Schools Partnership no Brasil, liderando a gestão estratégica e operacional da subsidiária brasileira do grupo.