“Efeito dos juros sobre inflação é menor do que se pensa”, diz Zeina Latif

Para a economista, que concedeu entrevista à Bússola, religar a economia não será tão simples, pois a máquina que se tirou da tomada está avariada

Os indicadores econômicos do início deste ano podem não parecer tão ruins, mas o que estamos vendo é um efeito retrovisor, segundo a economista e consultora econômica Zeina Latif, que concedeu entrevista a Alon Feuerwerker, diretor de política da FSB Comunicação, na última quinta-feira, 1º de abril.

Segundo ela, houve certo artificialismo na forte recuperação da economia no ano passado, fruto das políticas de socorro e estímulo governamental. “Foi bem-vindo. Não se pode deixar de socorrer grupos vulneráveis. Mas houve problemas de calibragem.”

E o início do ano, diz Zeina, ainda foi muito influenciado pelo fechamento de 2020. Ainda houve um fluxo residual do auxílio emergencial. As políticas vão ser renovadas, mas nada comparado às políticas anteriores, o que, na avaliação da economista, deve frear o fôlego do primeiro trimestre.

“Temos uma inflação teimosa, de dois dígitos para alimentos, que machuca muito. Cotação do dólar que destoa do que seria esperado e da cesta de moedas dos países emergentes. Banco Central tendo que subir a taxa de juros pela má razão.”

Esses elementos, aliados à incerteza política, teriam impactos negativos na tomada de decisão de investir no país, e aumentar a capacidade produtiva ou de contratar pessoas. Outro ponto de instabilidade é a incerteza na área da saúde.

“Mesmo que tenha cobertura razoável de pessoas vacinadas este ano, a imunidade de rebanho não é pra já”, diz ao falar sobre a velocidade de vacinação contra o coronavírus no país.

Para tentar melhorar o cenário macroeconômico, em especial a inflação, Zeina afirma que o efeito dos juros é menor do que se imagina. “A origem é a questão fiscal, e isso não está equacionado. A eficácia da política monetária, da Selic, nesse contexto é menor. Ajudaria a conter, mas não é isso que vai fazer a diferença.”

Para o pós-pandemia, “que não se sabe quando vai ser”, o Brasil vai ter uma economia estruturalmente muito frágil e com baixo potencial de crescimento. “Não é só religar. A máquina que se tirou da tomada está avariada. Há consequências.”

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