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Danilo Maeda: Futuro sustentável é um direito coletivo

O futuro da emergência climática chegou, e temos a chance de definir qual será o “próximo futuro”, por assim dizer

Devemos agir com responsabilidade para construir um novo futuro, ambientalmente sustentável, economicamente inclusivo e socialmente justo (Khanchit Khirisutchalual/Getty Images)

Devemos agir com responsabilidade para construir um novo futuro, ambientalmente sustentável, economicamente inclusivo e socialmente justo (Khanchit Khirisutchalual/Getty Images)

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25 de janeiro de 2022, 15h07

Por Danilo Maeda*

Já virou clichê dizer que vivemos um cenário de transformações em larga escala e velocidade recorde. O futuro sobre o qual nos alertaram cientistas climáticos chegou e já sentimos na pele (e nas lavouras, para citar só um dos impactos) os efeitos das mudanças promovidas pela humanidade nos ecossistemas do planeta. Diante da urgência de lidar com a questão e da percepção de que ser sustentável vale a pena, o interesse por boas práticas ESG explodiu.

Por enquanto, a explosão no interesse ainda não se traduziu em transformações práticas de grande alcance. Desta forma, estamos diante de um impasse, uma bifurcação na jornada da humanidade: o futuro da emergência climática chegou, e temos a chance de definir qual será o “próximo futuro”, por assim dizer.

A primeira opção é dobrar a aposta das últimas décadas, mantendo o ritmo lento de combate às mudanças climáticas. Isso nos levará a um aquecimento cerca de 1ºC acima do limite considerado aceitável (os 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais previstos no Acordo de Paris) e suas consequências, todas com efeitos socioeconômicos relevantes: aumento de eventos climáticos extremos, como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, tufões e tornados; perda de biodiversidade; degelo das calotas polares e das geleiras; aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos, entre outras.

O outro caminho possível é reverter o processo. Como apontou o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), temos uma última chance de combater as mudanças climáticas. Essa chance depende de mudanças amplas, imediatas e de alto impacto.

Com engajamento amplo de empresas, governos e sociedade civil, será possível ajustar modelos de negócio e desenvolver soluções do tipo cisne verde. Aí sim veremos de verdade as “transformações em larga escala e velocidade recorde” que mencionei no início do texto.

Para quem pensa além do trimestre, a escolha entre os caminhos descritos acima parece óbvia. Se queremos apostar na transformação, convém lembrar de uma frase que, pelo que pude pesquisar, é equivocadamente atribuída a Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

A ideia de adaptação é fundamental e útil em diversos contextos. Mas ela necessita ser compreendida e aplicada não apenas a indivíduos, mas também a populações. Ou como chamamos no caso da espécie humana, a sociedades.

Esforços individualizados de aclimatação e ajustes são positivos, mas insuficientes. Afinal, o compromisso do desenvolvimento sustentável é com uma ideia de futuro que não deixe ninguém para trás. Por isso, o debate sobre a construção de uma economia neutra em carbono precisa ir além das oportunidades de negócio que se apresentam e endereçar obrigatoriamente a questão da justiça social.

O direito a sonhar com um futuro viável e próspero tem que ser acessível para todas as pessoas. E o dever de tornar isso possível recai proporcionalmente ao poder de influência de cada indivíduo ou organização.

As mudanças climáticas mostram como o modelo econômico vigente gerou riqueza financeira ao utilizar recursos naturais compartilhados sem pagar um preço justo por eles. Agora, tais recursos beiram o esgotamento — alguns já colapsaram.

É verdade que as consequências atingem quem protagonizou a busca desenfreada por retorno de curto prazo. Mesmo assim, elas afetam ainda mais populações vulneráveis que têm pouca relação com a causa do problema, mas que sofrem suas consequências de maneira desproporcional.

Gerações anteriores roubaram recursos do seu futuro, que é o nosso tempo presente. Devemos aprender a lição e agir com responsabilidade para construir um novo futuro, ambientalmente sustentável, economicamente inclusivo e socialmente justo. Do contrário, nada terá valido a pena.

*Danilo Maeda é head da Beon, consultoria de ESG do Grupo FSB

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

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