Reforma Tributária impulsiona exportação de serviços e internacionalização (Miljan Zivkovic/Shutterstock)
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Publicado em 10 de julho de 2026 às 07h00.
A Reforma Tributária pode provocar uma mudança significativa na estratégia de crescimento das empresas brasileiras.
Com a implementação do novo sistema, a prestação de serviços no mercado interno deverá ser tributada pela alíquota padrão do IVA, estimada entre 26% e 28%, enquanto a exportação de serviços permanecerá com alíquota zero.
Para Lisandro Vieira, CEO da WTM, empresa especializada em operações de importação e exportação de serviços e tecnologia, esse novo cenário tende a tornar o mercado externo muito mais atrativo para empresas de tecnologia, engenharia, consultoria, software, inteligência artificial e outros segmentos intensivos em conhecimento.
“Como a exportação de serviços terá alíquota zero de IVA, vender para o exterior se tornará mais vantajoso, levando o empresário a desejar o mercado externo para manter a competitividade”, resume Vieira.
Mas ele ressalta que, apesar da mudança tributária representar um importante estímulo econômico à internacionalização, benefícios fiscais, isoladamente, não transformam empresas em exportadoras.
Eles precisam ser acompanhados por investimentos em capacitação, inteligência de mercado, inovação e desenvolvimento de competências internacionais.
Apesar de os serviços representarem grande parte da economia brasileira, a participação do país no comércio internacional do setor ainda é limitada.
“Hoje, os serviços respondem por apenas cerca de 5% do fluxo internacional de pagamentos, tornando o Brasil deficitário na balança de serviços e evidenciando um espaço importante para crescimento”, ressalta o executivo.
Para o especialista, internacionalizar serviços envolve muito mais do que vender para outro país.
A decisão de exportar serviços deve ser precedida por um processo estruturado de preparação da empresa.
“Diagnóstico de maturidade internacional, adequação de processos internos, análise de mercados-alvo, definição da estratégia de entrada e preparação das equipes são etapas fundamentais para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso no mercado externo”, relata Vieira.
Essa preparação torna-se ainda mais relevante diante das transformações do mercado global de serviços, que cresce em ritmo superior ao de bens físicos, impulsionado pela economia do conhecimento.
“Em uma economia baseada em ativos intangíveis, conhecimento e inovação, a capacidade de comercializar serviços internacionalmente torna-se uma vantagem competitiva, especialmente para pequenas e médias empresas”, explica.
Apesar desse cenário favorável, Vieira ressalta que muitas organizações ainda encontram dificuldades para dar os primeiros passos rumo à internacionalização.
“O tamanho do mercado interno historicamente levou muitas empresas a concentrarem seus esforços na expansão doméstica, deixando o mercado externo em segundo plano.
No entanto, esse comportamento pode reduzir a competitividade dos negócios brasileiros, à medida que empresas estrangeiras disputam clientes e profissionais qualificados, muitas vezes oferecendo remuneração em moedas mais fortes”, diz o especialista.
Além dos aspectos comerciais e tributários, Lisandro Vieira destaca que para construir uma empresa global é preciso internacionalizar a cultura organizacional do negócio.
Segundo ele, investir em idiomas, experiências internacionais, equipes multiculturais e formação contínua contribui para preparar profissionais e organizações para competir em diferentes mercados.
Na WTM, por exemplo, mais de 80% dos colaboradores já fizeram viagens internacionais pagas pela companhia e contam com aulas de inglês diárias no horário de expediente.
A companhia também aposta em múltiplas nacionalidades no quadro de funcionários e em programas de intercâmbio de colaboradores para hubs como Canadá e Dubai.
“Como resultado desse investimento registramos um crescimento de 60% ao ano em receita”, destaca o CEO.
“Empresas brasileiras de tecnologia, software, inteligência artificial, engenharia e soluções digitais já competem internacionalmente a partir de modelos de negócios altamente escaláveis.
O elemento comum entre elas não é apenas a tecnologia, mas uma estratégia consistente de gestão voltada para mercados globais”, afirma Vieira.
Para o especialista, a internacionalização deve ser encarada como uma estratégia de crescimento e sustentabilidade, especialmente em um cenário em que a servitização e a economia do conhecimento ganham cada vez mais relevância.
"Mais do que uma oportunidade de ampliar mercados, a exportação de serviços é uma estratégia para aumentar a competitividade das empresas brasileiras em uma economia cada vez mais baseada no conhecimento”, comenta.
“O futuro das organizações dependerá da capacidade de transformar inovação e conhecimento em negócios globais.
Isso exige gestores preparados para atuar em ambientes multiculturais, compreender diferentes mercados e desenvolver estratégias internacionais.
Internacionalizar serviços é, acima de tudo, ampliar horizontes para os negócios, para os profissionais e para o Brasil”, conclui Lisandro Vieira.