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Os empreendedores brasileiros que estão fazendo sucesso nos EUA

Apenas trabalhar duro já não basta. Saiba como gestão profissional e decisões estratégicas impulsionam o sucesso no exterior

Empresários brasileiros conquistam o mercado dos EUA com nova gestão e visão global (Kleber Cordeiro/Shutterstock)

Empresários brasileiros conquistam o mercado dos EUA com nova gestão e visão global (Kleber Cordeiro/Shutterstock)

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Publicado em 9 de julho de 2026 às 15h00.

Por Simone Salgado*

Durante muito tempo, o sucesso do empreendedor brasileiro nos Estados Unidos foi associado à coragem de recomeçar, à disposição para trabalhar longas jornadas e à capacidade de superar dificuldades.

Essas características continuam fazendo parte da nossa história, mas já não explicam, sozinhas, por que algumas empresas conseguem crescer de forma consistente enquanto outras permanecem estagnadas.

O ambiente de negócios mudou. E o perfil do empresário que prospera nele também.

O novo cenário e a competitividade global

Segundo a Organization for Economic Co-operation and Development (OECD), empresas inseridas em mercados internacionais tendem a apresentar ganhos de produtividade, maior capacidade de inovação e melhores níveis de competitividade.

Mas esses resultados não decorrem simplesmente da presença em outro país.

Eles dependem da qualidade da gestão, do acesso a recursos e da capacidade de adaptação ao novo ambiente.

Essa é exatamente a transformação que tenho observado entre empresários brasileiros que constroem negócios sólidos nos Estados Unidos.

O empreendedor que mais cresce hoje não é necessariamente o que trabalha mais. É aquele que consegue tomar melhores decisões.

Ele entende que internacionalização não começa com a abertura de uma empresa, mas com a construção de um modelo de negócio preparado para competir em um mercado altamente exigente.

Isso significa estruturar processos, organizar indicadores financeiros, desenvolver lideranças, compreender as regras do ambiente regulatório e acessar capital de forma estratégica para financiar o crescimento. Ou seja, conhecer a cultura do país.

Adaptação contínua e as novas regras do jogo

Essa visão encontra respaldo nas ideias de The End of Competitive Advantage, de Rita Gunther McGrath.

A autora defende que, em um mundo de mudanças aceleradas, vantagens competitivas deixaram de ser permanentes.

Empresas precisam desenvolver a capacidade de adaptação contínua, antecipando movimentos econômicos e respondendo rapidamente às transformações do mercado.

Essa lógica é especialmente verdadeira para quem empreende internacionalmente.

Ao contrário do que muitos imaginam, competir nos Estados Unidos não significa apenas disputar espaço com empresas locais.

Significa participar de um mercado global, onde eficiência operacional, inovação, acesso a financiamento e qualidade da gestão de negócios pesam tanto quanto um bom produto ou serviço.

O valor estratégico das conexões

Outro aspecto que diferencia essa nova geração de empresários é a forma como constrói relacionamentos. As conexões têm poder.

Negócios relevantes raramente surgem de encontros ocasionais. Eles são resultado de redes de confiança desenvolvidas ao longo do tempo.

Clientes, parceiros, investidores e oportunidades costumam surgir da credibilidade construída antes mesmo da necessidade de fechar um contrato.

Esse capital relacional passou a ser tão importante quanto o capital financeiro.

Ao mesmo tempo, acesso a recursos financeiros deixou de ser apenas uma questão de sobrevivência para se tornar uma vantagem competitiva.

Empresas que conseguem investir antes da concorrência ampliam sua capacidade de inovar, expandir operações e responder mais rapidamente às oportunidades do mercado.

O futuro da presença empresarial brasileira

Por isso, acredito que o futuro da presença empresarial brasileira nos Estados Unidos será liderado menos por quem apenas atravessa fronteiras e mais por quem consegue combinar visão estratégica, inteligência financeira, capacidade de execução e relacionamentos de longo prazo.

O empreendedor brasileiro continua sendo reconhecido por sua criatividade e resiliência.

Mas, em um cenário global cada vez mais competitivo, essas qualidades precisam estar apoiadas por gestão profissional e decisões estratégicas.

Internacionalizar um negócio nunca foi apenas mudar de endereço. Sempre foi, e continuará sendo, uma mudança de mentalidade.

*Simone Salgado empresária brasileira, à frente do S.Group Financial HUB, formada em Administração de Empresas pela PUC Minas, Major em Business & Marketing pela DeVry University, Graduada em International Business pelo Manor College, Pós-graduada em Ciências Humanas (Sociologia, História e Filosofia) e em Finanças, Investimentos e Banking pela PUC-RS.

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