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Como a lata de bebidas pode ajudar o Brasil na agenda ESG

Presidente da Abralatas mostra como o setor de latas de alumínio, recordista em reciclagem há mais de 15 anos, pode ser exemplo na economia circular

Cátilo Cândido, presidente da Abralatas (Bússola/Reprodução)

Cátilo Cândido, presidente da Abralatas (Bússola/Reprodução)

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Publicado em 18 de janeiro de 2023, 14h00.

Por Bússola

Há mais de 15 anos, o setor de latas de alumínio é recordista mundial em reciclagem. E, segundo Cátilo Cândido, presidente da Abralatas, pode servir como exemplo para outros, com um modelo de economia circular que inclui parceria com cooperativas de catadores de resíduos sólidos. Em entrevista à Bússola, ele fala sobre o novo momento da agenda ambiental brasileira e as tendências para a indústria.

Bússola: Como o setor de latas de alumínio para bebidas pode ajudar o Brasil neste momento de maior afirmação do país no compromisso com uma agenda ESG?

Cátilo Cândido: O setor de latas de alumínio está na vanguarda da reciclagem no Brasil, e é destaque mundial por reciclar quase 100% do que produz. A economia circular da lata é realidade no país há mais de quinze anos, e foi sendo aperfeiçoada ao longo de todo o caminho. A união de fabricantes, fornecedores, recicladoras e cooperativas de catadores foi fundamental para a criação de um sistema tão bem engrenado que gera renda para mais de 800 mil famílias, e movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões ao ano. Esse modelo pode ser adaptado para outros setores, ampliando a coleta seletiva de resíduos sólidos, reduzindo os índices de emissão de gases do país, e gerando mais renda para um número maior de pessoas.

O momento atual é oportuno para ampliarmos o debate sobre como o sucesso de um setor pode estar em sintonia com a preservação do meio ambiente e com os aspectos social e de governança. Relatórios financeiros e de sustentabilidade se tornaram uma exigência do mercado. Sabemos que as discussões sobre mudanças climáticas serão prioridade na pauta ambiental, e o quanto o crescimento econômico está atrelado a esses compromissos, uma vez que o consumidor está cada vez mais atento e exigente em suas escolhas.

Se considerarmos a pauta dos resíduos sólidos, que tem grande influência na mudança climática, podemos dar um exemplo do nosso setor de latas de alumínio que já poupou, em dez anos, a emissão de 15 milhões de toneladas de Gases de Efeito Estufa (GEE), e já representa uma economia de mais de 70% de energia, o que seria suficiente para abastecer por um ano todas as casas de um estado como Goiás. E não vamos nos acomodar, apesar dos resultados excepcionais. Além de ampliar nossas parcerias com o Ministério do Meio Ambiente, temos novas metas que foram oficializadas no primeiro relatório setorial ESG do setor, divulgado pela Abralatas, no final do ano passado, que tem como metas entre 2030 e 2050, zerar as emissões de gases de efeito estufa e utilizar 100% de energia renovável em todas as operações.

Bússola: Como deverá ser a atuação do setor em 2023, com um novo governo e tantas mudanças na agenda ambiental?

Cátilo Cândido: Como representante dos fabricantes de latas de alumínio, a Abralatas construiu, ao longo dos últimos anos, uma agenda permanente com o Ministério do Meio Ambiente, que independe de mudanças políticas. Além do Termo de Compromisso da logística reversa da lata firmado com a pasta, o setor criou a Recicla Latas, entidade gestora criada em 2021 com o objetivo de aperfeiçoar ainda mais a logística reversa das latas de alumínio para bebidas, com foco em manter o índice de reciclagem acima de 95% e fortalecer a conscientização ambiental da população e gestores públicos.

A manutenção do índice de reciclagem no patamar de 95% foi um dos compromissos assumidos pela Recicla Latas, em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Em 2021 alcançamos 98,7% de latas recicladas e, em breve, será divulgado o percentual atingido em 2022. Os patamares recordes obtidos são fruto da união de recicladores filiados à Abralatas e à Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

Bússola: De que forma o setor está aprimorando sua relação com o consumidor e com a sociedade?

Cátilo Cândido: Este ainda é um grande desafio. A lata está se tornando a embalagem favorita do consumidor brasileiro, não só pela sustentabilidade, porque nosso consumidor sabe que aquela latinha consumida vai ser coletada e reciclada, mas também pelos benefícios práticos: a latinha não quebra, gela mais rápido e ainda protege a bebida da incidência da claridade, o que é fundamental para conservar por mais tempo o sabor de bebidas como a cerveja, por exemplo. Mas o mercado brasileiro é enorme, e ainda temos muitos tabus para enfrentar e uma legião de consumidores para conquistar.

Interessante notar que a nossa indústria não deixou de crescer nem durante a pandemia, e se prepara para crescer ainda mais nos próximos anos com investimentos altos no Brasil de aproximadamente 1bi até ano que vem. Outro aspecto importante é o crescimento de outras bebidas, para além de cerveja e refrigerante, que têm sido envasadas pela lata. Hoje já temos no mercado, utilizando esta embalagem, bebidas como café, drinks prontos, cachaça, uísque, água de coco e até isotônicos, além da já conhecida água mineral.

A Abralatas realiza uma série de ações com o objetivo de fazer com que o consumidor brasileiro reconheça a lata de alumínio como a embalagem mais sustentável a fim de que isso influencie na decisão de compra. Acreditamos que o consumidor brasileiro já está maduro para entender e participar de ações que colaborem com a destinação correta de seus rejeitos, ou seja, do lixo que produz a partir do que consome. Queremos ampliar essa conscientização e aperfeiçoar, cada vez mais, o sistema de reciclagem da latinha no país.

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