Bússola

Um conteúdo Bússola

Chegou a hora de abandonar os distribuidores e vender direto para o consumidor?

O jogo mudou, e fabricantes precisam entender quais são as novas regras se quiserem prosperar

A digitalização dos consumidores transformou o modelo tradicional de distribuição (Adene Sanchez/Getty Images)

A digitalização dos consumidores transformou o modelo tradicional de distribuição (Adene Sanchez/Getty Images)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 23 de maio de 2025 às 15h00.

Por Khalil Yassine, cofundador e COO da Dolado*

O modelo tradicional de distribuição, que por décadas sustentou o crescimento de marcas e indústrias no Brasil, vem dando sinais claros de esgotamento. A combinação entre a digitalização do consumidor, a entrada massiva de produtos estrangeiros e a pressão por entregas rápidas tornou inviável a dependência exclusiva de longas cadeias com múltiplos intermediários. Essa mudança mostra que o modelo antigo não funciona mais em um mercado ágil e digital.

Durante muito tempo, essa estrutura fazia sentido. Fabricantes produziam, repassavam para distribuidores, que abasteciam lojistas e pontos de venda. A informação circulava lentamente, o acesso ao consumidor era limitado e as decisões estratégicas dependiam muito mais da experiência acumulada ao longo dos anos do que de dados em tempo real. Hoje, essa lógica não se sustenta mais.

Consumidor e concorrência redefinem o mercado

O consumidor brasileiro mudou. Ele compara preços em tempo real, exige conveniência e valoriza marcas com presença digital forte. Ao mesmo tempo, players globais, especialmente os fabricantes chineses, passaram a atuar diretamente nos marketplaces brasileiros com operações rápidas, subsídios agressivos e inteligência de dados em tempo real. Eles testam produtos com velocidade, escalam apenas os campeões de venda e dominam a cadeia desde a produção até o cliente final.

Essa dinâmica mudou o jogo não apenas pelo preço, mas pelo modelo. Enquanto muitos fabricantes brasileiros ainda operam como se a venda terminasse no distribuidor, seus concorrentes estão vendendo direto, coletando dados e ajustando oferta e preço com agilidade. Eles têm acesso ao consumidor e ao aprendizado. E isso os torna mais rápidos, mais precisos e mais difíceis de competir.

Essa assimetria gera um alerta: marcas e indústrias que não desenvolverem canais próprios de venda e, principalmente, canais próprios de inteligência, estarão cada vez mais vulneráveis. Não se trata de abandonar distribuidores ou revendedores, mas de reposicionar o papel deles dentro de uma estrutura omnicanal, em que o canal direto deixe de ser exceção e passe a ser um ativo estratégico da empresa.

Venda direta ao consumidor como estratégia

A venda direta ao consumidor (D2C) não é mais uma tendência de startups ou marcas nativas digitais. É uma estratégia de sobrevivência para qualquer empresa que queira proteger margem, construir diferenciação e manter poder de decisão no médio e longo prazo.

Controlar o canal direto significa ter controle total da cadeia com dados em tempo real, velocidade no entendimento do seu consumidor e naturalmente, mais assertividade na tomada de decisão. Em um cenário onde os marketplaces operam por algoritmo, premiam o menor preço e favorecem produtos que giram rápido, construir uma marca exige mais do que estar presente: exige operar com intenção, estrutura e inteligência.

Tecnologia e parceiros facilitam a transformação

A boa notícia é que o mercado brasileiro já conta com tecnologias e parceiros que tornam essa virada possível. Plataformas integradas de catálogo, logística, atendimento, pagamento e dados permitem que marcas tradicionais façam a transição sem perder escala, sem comprometer margem e sem depender de estruturas internas complexas.

Esse movimento é inevitável. O futuro do comércio passa por marcas que dominam o próprio canal, aprendem direto com o consumidor e constroem sua vantagem a partir disso. As empresas que fizerem esse movimento primeiro vão sair na frente com mais margem, mais velocidade e mais poder de decisão.

*Khalil Yassine é cofundador e COO da Dolado, plataforma que acelera a transformação digital de comerciantes por meio de soluções integradas em logística, tecnologia e inteligência de mercado.

Siga a Bússola nas redes: Instagram | Linkedin | Twitter | Facebook | Youtube 

Acompanhe tudo sobre:Vendasvendas-diretas

Mais de Bússola

O novo padrão de excelência para equipes de RelGov

IA no mercado de trabalho pode reverter crise da dívida estudantil

Assistência familiar vira novo produto no mercado de benefícios

Conhecimento sobre leis de incentivo pode ser chave para a inovação industrial