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'Ainda existe receio no mercado', diz gestão da Parada LGBT+ sobre patrocínios

Organização registra queda de 60% na arrecadação de patrocínios e reforça a importância do apoio privado para sustentar um dos maiores eventos culturais e turísticos da capital paulista

Parada LGBT+ (Miguel Schincariol/AFP)

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Publicado em 27 de maio de 2026 às 10h00.

Marcada para o dia 7 de junho, na Avenida Paulista, a Parada do orgulho LGBT+ de São Paulo enfrenta um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos para viabilizar sua realização. 

Em meio à retração de investimentos corporativos ligados a pautas de diversidade e inclusão, a organização do evento registra uma queda de 60% na arrecadação de patrocínios em comparação às edições anteriores

O desafio é grande, a Parada é considerada um dos maiores eventos culturais e turísticos do Brasil e este ano contará com a montagem de uma estrutura com 14 trios elétricos, palcos, sistemas de som, equipes de segurança, brigadistas, limpeza, acessibilidade e suporte médico. 

E somente na última edição, o evento movimentou cerca de R$ 548,5 milhões na economia paulistana, de acordo com levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), impulsionado principalmente pelo turismo.

Mas ainda há receio do mercado em participar

É o que conta Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), sobre a queda na arrecadação via patrocinadores.

“A redução de investimentos mostra que ainda existe receio de parte do mercado em se associar publicamente às pautas LGBT+, mesmo diante da dimensão cultural, turística e econômica da Parada SP.”, diz.

Na contramão do recuo de parte do mercado, poucas marcas decidiram manter seus compromissos históricos com o evento. É o caso da Philip Morris Brasil (PMB) que confirmou patrocínio à Parada pelo nono ano consecutivo, e da Amstel, patrocinadora do evento há oito edições seguidas. 

“A permanência de marcas que seguem apoiando a manifestação em sua edição de 30 anos tem um significado importante. O patrocínio também representa um compromisso público com diversidade, visibilidade e cidadania”, completa Nelson.

O que dizem as marcas patrocinadoras?

A PMB, que integra o Fórum de Empresas e Direitos LGBT+ desde 2018, afirma que a continuidade do apoio está alinhada às políticas internas de diversidade e inclusão desenvolvidas ao longo dos últimos anos. 

“Apoiar iniciativas como a Parada LGBT+ significa contribuir para a movimentação cultural, social e econômica de São Paulo, e reflete valores que buscamos praticar diariamente dentro da companhia”, afirma Eduardo Calderari, Diretor de Assuntos Externos da Philip Morris International. 

Internamente, a Philip Morris Brasil mantém, desde 2017, o Stripes, um grupo de afinidade LGBTI+ conduzido por colaboradores, com apoio da alta liderança, responsável por desdobrar políticas que vão do reconhecimento integral de uniões homoafetivas para benefícios até a criação de um ambiente seguro de trabalho.

O Stripes já rendeu à empresa a certificação da Human Rights Campaign como um dos melhores lugares para profissionais LGBTI+ trabalharem no Brasil, além do reconhecimento com o Selo Municipal de Cidadania e Diversidade da Prefeitura de São Paulo por duas vezes. 

Já a Amstel, pertencente ao GRUPO HEINEKEN, mantém sua atuação a partir de iniciativas estruturadas que vão além da visibilidade durante o evento, com foco em impacto social, acolhimento e geração de oportunidades. 

Ao longo dessa trajetória, a cerveja apoiou ações como programas de capacitação e empreendedorismo para bares liderados por pessoas da comunidade, celebrações de casamentos homoafetivos e iniciativas de retificação de nome para pessoas trans, consolidando uma relação contínua com a Parada e com a população LGBTQIAPN+.

“Permanecer ao lado da comunidade LGBTQIAPN+ por tantos anos, inclusive em cenários mais desafiadores, reforça um compromisso que faz parte da essência da Amstel e da forma como entendemos nosso papel na sociedade. Mais do que apoiar um evento, estamos falando de contribuir para que espaços de celebração, acolhimento e representatividade continuem existindo e crescendo”, relata Jaqueline Codogno, gerente de marketing da Amstel no Brasil.

Um evento que permanece grande, para a comunidade e para o Brasil

Segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), baseado em dados de 2025, visitantes de fora da Região Metropolitana permaneceram, em média, 3,9 dias em São Paulo durante a Parada, com gasto individual médio de R$1.112,46 em hotelaria, alimentação, comércio e transporte.

O evento também gerou 500 empregos diretos e indiretos, incluindo profissionais de cenografia e produção, segurança, ambulantes credenciados e trabalhadores do setor de serviços. 

Para a organização da Parada, a permanência do apoio privado será determinante para manter a dimensão estrutural do evento em 2026. 

“A realização de um evento deste tamanho exige investimento, estrutura e parceria com diferentes setores, incluindo empresas que acreditam na importância da diversidade e dos direitos humanos. O apoio das marcas é fundamental para que a Parada aconteça nas ruas com a dimensão, segurança e alcance que ela tem hoje”, conclui Nelson.

As novidades da edição deste ano serão apresentadas oficialmente no próximo dia 26 de maio, durante coletiva de imprensa que antecede a realização da Parada. O evento acontece a partir das 19h, no Camarote Paulista (Av. Paulista, 2073 – 2º andar, Conjunto Nacional – Consolação).

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