A principal tendência será a busca por rentabilidade real (Vergani Fotografia/Shutterstock)
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Publicado em 30 de abril de 2026 às 13h00.
Em fevereiro de 2026, o varejo brasileiro cresceu 0,6% e atingiu novo recorde na série histórica do IBGE, enquanto a confiança do consumidor avançou para 89,1 pontos em abril, maior nível desde dezembro de 2025.
Ao mesmo tempo, juros ainda altos, inflação projetada em 4,86% e inadimplência recorde exigem uma gestão muito mais precisa. Para os próximos meses, o setor deve entrar em um cenário paradoxal: volume em alta, mas rentabilidade sob pressão.
Para ajudar varejistas a compreenderem quais tendências realmente terão impacto na operação, convidamos Paulo Brenha, executivo especialista em varejo e autor do livro “Varejo com propósito e resultado”, para contribuir com a lista a seguir.
Cada projeção apresenta desafios próprios, mas também oportunizam o crescimento focado eficiência, experiência do consumidor e rentabilidade sustentável.
A principal tendência será a busca por rentabilidade real. O varejo não poderá mais comemorar apenas fluxo, venda bruta ou expansão de canais. A discussão será margem de contribuição, giro de estoque, produtividade por metro quadrado, ruptura, CAC, LTV e eficiência promocional.
O consumidor não deixou de comprar, mas está comprando com mais critério. A NielsenIQ aponta que a cautela virou o novo normal para 2026, com consumidores mais atentos ao valor percebido, à utilidade e ao impacto da compra no orçamento.
A Inteligência Artificial deixará de ser apenas tema de inovação e passará a atuar em precificação, sortimento, previsão de demanda, personalização, atendimento e eficiência comercial. A Deloitte aponta que 67% dos executivos de varejo esperam ter personalização baseada em IA no próximo ano.
A loja física continuará forte, mas com outra função: experiência, confiança, conveniência, serviço e relacionamento. A grande virada será usar dados da loja para melhorar layout, mix, abordagem, ruptura, atendimento e conversão.
O consumidor não pensa em canal. Ele quer resolver. Por isso, a tendência será integrar app, WhatsApp, loja, marketplace, social commerce e retirada com menos fricção. O e-commerce segue relevante, com projeção da ABIACOM de R$ 460,87 bilhões em vendas online em 2026.
Além de alimentos, crédito, serviços e contas básicas, novas categorias disputam o orçamento do consumidor. O avanço das apostas online, por exemplo, concorre diretamente com o consumo e pode afetar principalmente o varejo local. Estudos recentes apontam que o mercado de apostas movimentou cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta no Brasil em 2025.
Pequenos e médios varejistas precisarão avançar em gestão. Não basta vender bem, será preciso controlar estoque, margem, crédito, fluxo de caixa, calendário promocional e experiência. O varejo local que operar no improviso vai sofrer mais.
Com consumidor mais sensível, endividado e seletivo, confiança vira vantagem competitiva. Preço importa, mas clareza, atendimento, pós-venda, entrega e coerência da marca vão pesar mais na decisão.
Segundo Paulo Brenha, a grande tendência dos próximos meses no varejo não será uma tecnologia específica, mas sim a volta da gestão bem-feita.
Para o especialista, o varejista que crescerá será aquele que unir dados para decisões acertadas, profissionais preparados para executar essa visão e uma proposta de valor clara para o consumidor.
“Vender mais continua importante, mas, ao longo de 2026, o jogo será outro: vender melhor”, garante.