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O Brasil de R$ 1 trilhão no carrinho: supermercados crescem e redesenham o consumo

Ranking ABRAS 2026 mostra avanço do setor, concentração entre grandes redes e mudanças no comportamento do consumidor

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 28 de abril de 2026 às 11h04.

Última atualização em 28 de abril de 2026 às 14h04.

O varejo alimentar ganhou ainda mais relevância no Brasil em um cenário de consumo pressionado e busca por eficiência. O setor segue avançando em escala, capilaridade e presença no dia a dia do consumidor.

O Ranking ABRAS 2026 mostra esse movimento com números mais robustos. Em 2025, o faturamento das redes supermercadistas ultrapassou 1.145,1 trilhão de reais, considerando formatos como atacarejos, supermercados tradicionais, minimercados, e-commerce e lojas de conveniência.O setor já responde por 9,02% do PIB nacional.

O avanço ocorre em um momento de transformação no varejo, com mudanças no comportamento de compra e pressão por preços mais baixos. O estudo, feito em parceria com a NielsenIQ, reforça como as redes têm ajustado operação e modelo para manter crescimento em um ambiente mais competitivo.

“O varejo alimentar brasileiro vive um novo ciclo de crescimento, com ganhos de eficiência, inovação e proximidade com o consumidor”, diz João Galassi, presidente da ABRAS.

O próximo passo passa por consolidar ganhos operacionais e ampliar presença em novos formatos, principalmente os mais enxutos e próximos do consumidor, como lojas de bairro e conveniência.

Escala, emprego e capilaridade

Os supermercados seguem como um dos principais motores de geração de emprego no país. O setor reúne cerca de 9 milhões de trabalhadores diretos e indiretos.

A base operacional também cresce. São mais de 439 mil lojas espalhadas pelo Brasil, atendendo cerca de 30 milhões de consumidores por dia. Esse alcance coloca o setor em uma posição estratégica, especialmente em cidades menores, onde muitas vezes o supermercado é o principal ponto de abastecimento.

Esse crescimento, no entanto, traz um desafio relevante: manter eficiência em operações cada vez mais pulverizadas. A expansão exige controle de custos, logística mais sofisticada e maior integração com fornecedores.

O topo do ranking segue concentrado nas grandes redes, mas com mudanças no perfil competitivo. O Grupo Carrefour Brasil mantém a liderança, seguido pelo Assaí Atacadista e pelo Grupo Mateus.

O avanço do atacarejo, modelo híbrido entre atacado e varejo, segue como principal vetor de crescimento. A proposta de preços mais baixos tem atraído tanto consumidores finais quanto pequenos comerciantes.

Essa dinâmica pressiona as redes tradicionais, que precisam revisar sortimento, preço e experiência de compra para não perder espaço. Ao mesmo tempo, o crescimento do atacarejo levanta dúvidas sobre margens e sustentabilidade do modelo no longo prazo.

Consumo pressionado e mudança de hábito

O crescimento do setor acontece apesar de um consumidor mais cauteloso. A busca por preço, promoções e formatos econômicos ganhou força nos últimos anos.

Isso exige das redes uma adaptação constante. Programas de fidelidade, marcas próprias e digitalização da jornada de compra se tornaram ferramentas-chave para manter relevância.

Ao mesmo tempo, há um desafio de longo prazo: equilibrar preço baixo com rentabilidade em um ambiente de custos elevados, especialmente em logística e energia.

O que esperar do setor

A tendência é de continuidade da expansão, mas com ajustes no ritmo e no formato. O crescimento deve vir menos da abertura acelerada de lojas e mais da eficiência e diversificação de canais.

O e-commerce alimentar, ainda com participação menor, segue como aposta. Já os formatos compactos e de proximidade devem ganhar espaço, acompanhando mudanças no comportamento urbano.

O setor entra em um novo ciclo mais competitivo, com margens pressionadas e necessidade de inovação constante — um cenário em que escala ajuda, mas não garante liderança.

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