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72% da indústria brasileira investe em modernização, diz pesquisa

Como motor estratégico do crescimento, o setor concentra investimentos privados em tecnologias limpas e eficiência para expandir sua atuação no mercado interno e global

Dia da Indústria (Joa Souza/Shutterstock)

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Publicado em 25 de maio de 2026 às 13h00.

Responsável por 23,4% do PIB nacional em 2025, segundo dados da CNI/IBGE, a indústria brasileira vive um ciclo de transformação marcado por investimentos em inovação, eficiência operacional e descarbonização.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 72% das empresas da indústria de transformação investiram em suas operações no último ano, principalmente em modernização tecnológica e eficiência energética.

O movimento acompanha a chamada neoindustrialização, em que setores estratégicos buscam equilibrar competitividade, sustentabilidade e expansão produtiva.

Da petroquímica à logística, passando por metalurgia, farmacêutica, agronegócio e alimentos, empresas instaladas no Brasil vêm ampliando investimentos em tecnologias limpas, automação e economia circular.

Modernização e sustentabilidade no setor químico

Na petroquímica, a Braskem mantém investimentos voltados à eficiência energética, eletrificação de processos e uso de fontes renováveis. Atualmente, cerca de 85% da eletricidade adquirida pela companhia já tem origem renovável.

A empresa também comercializou mais de 82 mil toneladas de produtos com conteúdo reciclado por meio do portfólio Wenew e mantém capacidade anual de produção de 275 mil toneladas de bioeteno, matéria-prima do plástico renovável I'm green™ bio-based.

No setor químico, a Unipar executou em 2025 o maior ciclo de investimentos de sua história, com mais de R$ 1 bilhão direcionados à modernização industrial, expansão operacional e eficiência energética.

Entre os destaques está a conclusão da modernização tecnológica da fábrica de Cubatão (SP), que passou a operar exclusivamente com tecnologia de membrana, considerada mais eficiente e de menor impacto ambiental.

“Com mais de R$ 1 bilhão em investimentos, a modernização de Cubatão nos posiciona em um novo patamar de eficiência e sustentabilidade”, afirma Rodrigo Cannaval, CEO da companhia.

A agenda de descarbonização também avança na Dow. Globalmente, a empresa projeta reduzir 5 milhões de toneladas métricas de emissões líquidas até 2030 por meio da estratégia Path2Zero.

No Brasil, desde 2025 todas as unidades operam com 100% de eletricidade renovável, após investimentos em contratos de energia solar e eólica na Bahia e em Minas Gerais.

Economia circular, infraestrutura e expansão logística

Na indústria de alumínio, a Novelis reforça o protagonismo brasileiro em economia circular. Em 2024, a companhia reciclou cerca de 20 bilhões de latas de alumínio pós-consumo, equivalente a aproximadamente 60% do total comercializado no país, contribuindo para que o índice nacional de reciclagem atingisse 97,3%.

A empresa opera no Brasil o maior complexo integrado de laminação e reciclagem de alumínio do mundo, em Pindamonhangaba (SP), onde investiu mais de R$ 7 bilhões nos últimos 12 anos.

Já a Sotreq destaca sua atuação histórica em projetos estruturantes da infraestrutura brasileira.

Ao longo de 85 anos, participou de obras como Belo Monte, Ferrovia Norte-Sul e Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, consolidando-se como fornecedora de soluções para mineração, logística, energia e agronegócio.

A eficiência logística também ganha relevância nesse novo ciclo industrial. A Ultracargo, uma das principais empresas de armazenagem de granéis líquidos do país, possui capacidade superior a 1 milhão de m³ distribuídos em nove terminais estratégicos.

Em 2025, movimentou cerca de 7 milhões de toneladas de produtos e vem ampliando investimentos em infraestrutura, segurança operacional e integração multimodal.

“Nosso papel vai além da armazenagem. A Ultracargo atua como um elo estratégico para a competitividade do país”, afirma Fulvius Tomelin, CEO da companhia.

Avanços tecnológicos em saúde, nutrição e agronegócio

Na área farmacêutica e de ciência aplicada, a Merck reforça sua presença industrial no Brasil por meio das divisões de Healthcare e Life Science.

Em 2025, a empresa celebrou os 50 anos da fábrica de Jacarepaguá (RJ), responsável pela produção do medicamento Glifage® (metformina). A unidade recebeu cerca de R$ 130 milhões em investimentos nos últimos quatro anos para ampliação da capacidade produtiva.

Já a divisão de Life Science ampliou investimentos em pesquisa e inovação, incluindo € 20 milhões destinados à expansão do centro logístico de Cajamar (SP) e novas parcerias com universidades brasileiras para pesquisas em bioimpressão 3D, nanotecnologia e desenvolvimento de terapias.

No setor de alimentos e nutrição, a Danone destaca os investimentos em inovação científica e sustentabilidade industrial.

A fábrica de Nutrição Especializada em Poços de Caldas (MG), que completa dez anos, opera com 100% de eletricidade renovável e tornou-se referência global da companhia em segurança, qualidade e neutralidade ambiental.

A transformação digital também marca a operação da Ajinomoto do Brasil. As quatro plantas da empresa no interior paulista estão entre as mais avançadas globalmente em automação e análise de dados.

Em Limeira (SP), uma inovação implementada no processo produtivo permitiu otimizar o uso de recursos naturais e ampliar ganhos de eficiência.

No agronegócio, a AGCO transformou a fábrica de Ibirubá (RS) em referência global no desenvolvimento de plantadeiras.

O centro de engenharia brasileiro criou soluções utilizadas pelas marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra em diferentes mercados, reforçando o protagonismo do país em tecnologia agrícola.

Gargalos estruturais e o impacto do Custo Brasil

Para o Movimento Brasil Competitivo (MBC), o fortalecimento da indústria é essencial para sustentar o crescimento econômico brasileiro. Segundo a diretora-executiva da entidade, Tatiana Ribeiro, desafios estruturais ainda impactam a competitividade nacional.

“O Brasil possui uma indústria resiliente e com enorme potencial de crescimento, mas ainda enfrenta gargalos importantes relacionados ao Custo Brasil”, afirma.

Segundo o MBC, as ineficiências estruturais somam cerca de R$ 1,7 trilhão por ano e seguem como um dos principais entraves à expansão da produtividade e dos investimentos no país.

 

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