O desafio, e a oportunidade, está em integrar inovação com cuidado real, equilibrando eficiência com proximidade (Sean Anthony Eddy/Getty Images)
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Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 15h00.
Por Michael Dickscheid*
O setor da saúde entra em 2026 impulsionado por uma convergência rara entre tecnologia, novos modelos de gestão e demandas crescentes por eficiência e segurança.
O segmento vive um ponto de virada no qual os hospitais precisam ser mais conectados, os processos mais inteligentes e o cuidado mais humano.
Entender as tendências na saúde que moldam esse cenário é essencial para qualquer líder de saúde que busca antecipar desafios e oportunidades.
A seguir, apresento cinco movimentos que devem redefinir a dinâmica da assistência no próximo ano, todos sustentados por evidências e transformações já em curso no Brasil e no mundo.
A capacidade de diferentes sistemas e dispositivos trocarem dados continuamente deixou de ser tendência e se tornou infraestrutura crítica.
A interoperabilidade conecta monitores, ventiladores, bombas de infusão e sistemas de gestão clínica, reduzindo erros, aumentando a segurança e acelerando diagnósticos.
Esse movimento é reforçado por padrões e regulações cada vez mais consolidados, como HL7, FHIR e normas regulatórias nacionais, que tornam a integração não apenas desejável, mas inevitável.
Hospitais que adotam sistemas interoperáveis observam maior eficiência assistencial, menos falhas de comunicação e decisões clínicas mais rápidas, especialmente em áreas sensíveis como a terapia intensiva.
A inteligência artificial na saúde vai deixar de ser conceito e entrar definitivamente na rotina clínica.
Algoritmos passam a auxiliar na estratificação de risco, predição de deterioração, otimização de escalas e análise de grandes volumes de dados.
Este ano, o diferencial estará na governança clínica da IA e no uso ético da tecnologia.
Instituições que estruturarem critérios claros de validação, responsabilidade médica e transparência tendem a extrair valor real dessa tecnologia, ampliando a capacidade analítica das equipes sem comprometer a segurança do paciente.
A escassez de profissionais e o aumento dos custos estruturais pressionam hospitais a revisar fluxos e reduzir desperdícios.
A tendência é que possamos ver uma maior adoção de automação, painéis de comando em tempo real e padronização de processos assistenciais.
O foco é reduzir desperdícios, simplificar fluxos e liberar tempo das equipes para o cuidado direto com o paciente.
Hoje, quase 30% da carga de trabalho da enfermagem é consumida por tarefas administrativas, segundo a American Nurses Association, dado que evidencia o tamanho da oportunidade de ganho operacional.
Com novas regulamentações e auditorias mais rigorosas, a segurança do paciente ganha peso estratégico.
Controle de infecções, rastreabilidade de materiais e cultura de prevenção se tornam prioridades.
Além do impacto clínico, a segurança está diretamente ligada à reputação hospitalar, às acreditações e à confiança da sociedade.
Estudos publicados pela Associação Brasileira de Infectologia mostram que as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde representam até 73% dos custos hospitalares no Brasil, um número que reforça a urgência de tecnologias, processos e treinamentos robustos.
Paralelamente à digitalização, cresce a exigência por empatia e acolhimento, com modelos assistenciais centrados no paciente.
A tecnologia ajuda, mas não substitui o componente humano do cuidado.
No próximo ano, esperamos ver uma expansão de modelos híbridos que combinam o monitoramento, a telemedicina, e as equipes multidisciplinares e comunicação ampliada com famílias.
O ano de 2026 marca o início de uma nova era mais conectada, inteligente e, principalmente, humana.
A transformação não depende apenas de tecnologia, mas de uma cultura de gestão com mais visão estratégica.
O desafio, e a oportunidade, está em integrar inovação com cuidado real, equilibrando eficiência com proximidade.
A saúde que emerge não é apenas mais digital. É mais segura, mais colaborativa e, sobretudo, mais centrada nas pessoas.
*Michael Dickscheid é vice-presidente de Marketing & Vendas Aesculap & Avitum na B. Braun, multinacional alemã referência em soluções médico-hospitalares.