Ibovespa: índice reduz ganhos no período da tarde (Germano Lüders/Exame)
Publicado em 16 de março de 2026 às 14h07.
Após subir 2% pela manhã e recuperar parte das perdas registradas na semana passada nesta segunda-feira, 16, o Ibovespa suavizou os ganhos. Às 14h00 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com alta de 1,17%, aos 179.770 pontos.
O movimento positivo é amplo entre os papéis que compõem o índice. De um total de 84 ações, 53 registravam alta, 24 operavam estáveis e apenas cinco apresentava queda. Entre as baixas, a maior era a de Porto Seguro (PSSA3), que caía 2,51%.
As chamadas blue chips, ações de empresas de maior peso no índice, estão entre os avanços, o que impulsiona o índice para o desempenho positivo. Papéis de Vale, bancos e Petrobras avançavam na abertura. A estatal do setor de petróleo subia mais de 1%, mesmo com a queda dos preços da commodity no mercado internacional nesta manhã.
O desempenho desta segunda-feira ocorre após um pregão negativo na sexta-feira, 13. Na ocasião, o Ibovespa fechou em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, acumulando baixa de 0,95% na semana. Ao longo da sessão passada, os ativos domésticos até chegaram a ensaiar recuperação no início do dia, mas perderam força e terminaram no vermelho.
Apesar da correção recente ter sido mais moderada, o índice ainda reflete o ambiente de maior aversão ao risco que marcou o início da escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo Marianna Costa, economista da corretora Mirae Asset, os mercados globais começam a semana sem direção definida, enquanto investidores acompanham a evolução das tensões no Oriente Médio, que já entram na terceira semana e seguem pressionando os preços da energia. O barril do Brent chegou a cerca de US$ 106 nesta segunda-feira.
Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou ataques contra ativos militares iranianos na ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações de petróleo do Irã. A ofensiva não atingiu diretamente a infraestrutura petrolífera, mas Trump afirmou que os Estados Unidos podem considerar esse tipo de alvo caso o Irã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.
Durante o fim de semana, Trump também declarou que o Irã demonstra interesse em chegar a um acordo, mas afirmou que ainda não está pronto para negociar. O jornal Wall Street Journal informou ainda que os Estados Unidos devem anunciar uma coalizão de países para escoltar navios na região do Estreito de Ormuz. Nesta segunda-feira, ministros das Relações Exteriores da União Europeia discutem a possibilidade de ampliar a missão naval do bloco na região.
Além da geopolítica, os mercados acompanham uma semana marcada por decisões de política monetária nas principais economias. Na quarta-feira, 18, a expectativa majoritária é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), com o foco voltado para as projeções econômicas e a coletiva do presidente Jerome Powell.
Na sequência, também devem anunciar decisões o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão.
No Brasil, as atenções se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada também para quarta-feira. Parte do mercado passou a reduzir a expectativa de corte da Selic de 0,50 ponto percentual para 0,25 ponto, diante das incertezas sobre os impactos da alta da energia sobre a inflação. Ainda assim, o cenário predominante entre economistas segue sendo de redução de 0,50 ponto.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta segunda-feira, enquanto investidores seguem monitorando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e avaliando dados econômicos da China melhores do que o esperado.
O índice japonês Nikkei caiu 0,13% em Tóquio, a 53.751,15 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,14% em Seul, a 5.549,85 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,45%, a 25.834,02 pontos, e o Taiex recuou 0,17% em Taiwan, a 33.342,51 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto terminou o pregão em baixa de 0,26%, a 4.084,79 pontos, mas o Shenzhen Composto avançou 0,16%, a 2.705,65 pontos. No primeiro bimestre, tanto a produção industrial quanto as vendas no varejo do país superaram as expectativas. Na Oceania, a bolsa australiana fechou em queda, com baixa de 0,39% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 8.583,40 pontos.
Na Europa, as bolsas operam em leve alta, revertendo as perdas do início do pregão, enquanto investidores monitoram as tensões no Oriente Médio e os preços do petróleo, além de se prepararem para uma semana carregada de decisões de política monetária.
O índice Stoxx 600 subia 0,48%; o DAX de Frankfurt avançava 0,69%; o FTSE 100 de Londres ganhava 0,62%, e o CAC 40 de Paris tinha alta de 0,27% por volta das 10h40.
Nos Estados Unidos, as bolsas também abriram em forte alta, enquanto os preços do petróleo recuam e investidores acompanham os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã após uma semana negativa em Wall Street.
O Dow Jones subia 0,95%; o do S&P 500 avançava 1,07% e o do Nasdaq tinha alta de 1,15%.