Moda e esportes femininos: um mercado bilionário ainda pouco explorado (Instagram/Kim Kardashian West/Reprodução)
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Publicado em 16 de março de 2026 às 14h02.
O crescimento acelerado dos esportes femininos não tem sido acompanhado no mesmo ritmo pela indústria da moda. É o que indica uma análise do Bank of America, baseada em dados do Sports Business Journal, que mostra que o setor ainda participa pouco dos patrocínios dessas competições.
Segundo o levantamento, a moda aparece apenas na 12ª posição entre os setores que mais patrocinam esportes femininos, com 3,3% dos acordos, atrás do setor de bebidas e empatada com o automotivo.O número chama atenção porque os 10 principais setores de patrocínio concentram 54% de todos os patrocinadores no esporte feminino — e a moda ficou de fora desse grupo.
À primeira vista, o dado pode parecer contraditório. Parcerias entre moda e esporte feminino frequentemente ganham grande visibilidade. Marcas como Coach já firmaram acordos com a WNBA, enquanto a Nike patrocina seleções do futebol feminino, como a equipe inglesa Lionesses e a seleção feminina dos Estados Unidos.
Mas, segundo Kay Hope, autora principal do relatório do Bank of America, o problema não é que a moda seja totalmente ausente, até porque isso não seria verdade, mas sim a falta de diversidade entre patrocinadores. Basicamente, algumas marcas investem pesado, mas são poucas as empresas atuando no setor.
"A Nike coloca muito dinheiro, mas conta apenas como um patrocínio", afirmou Hope. "No restante da categoria, o volume simplesmente não está presente."
No esporte masculino, a presença da moda tende a ser mais ampla, num ecossistema que ainda não existe com a mesma força nos esportes femininos, mesmo com o crescimento das ligas e da audiência.
A NFL, por exemplo, mantém acordos simultâneos com marcas como Abercrombie, Breitling, Lululemon e Crocs. Na Fórmula 1, a categoria tem um grande contrato global com a LVMH, enquanto cada equipe também mantém seus próprios parceiros de vestuário.
Os dados contrastam com a expansão acelerada das competições femininas ao redor do mundo. De acordo com o relatório:
Com números desse tamanho, a baixa presença da moda representa uma oportunidade pouco explorada pelo setor. Por um lado, essa ausência dá insumo para questionamentos sobre o quão envolvidas estão as grandes marcas em se envolverem nesse ecossistema.
Mas, por outro, ela abre espaço para designers e empresas menores. Criadores como Domo Wells ganharam visibilidade com projetos ligados à NWSL, a liga de futebol feminino dos Estados Unidos. Já a marca Playa Society, fundada por Esther Wallace, construiu uma identidade forte no universo do basquete feminino.
Algumas empresas também já notaram a lacuna e aproveitaram para se movimentar. A Boggi Milano, por exemplo, é parceira oficial de trajes formais da Copa do Mundo Feminina de 2027. Já Coach e Skims têm acordos com a WNBA, além do contrato de fornecimento esportivo da liga com a Nike.
Outra estratégia comum das marcas é apostar em atletas individuais, em vez de patrocinar ligas ou competições inteiras. Essas parcerias costumam ser mais simples e baratas, embora muitas vezes ofereçam menos visibilidade aos esportes num contexto geral.