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A IA já recomenda marcas. O ser humano ainda decide a compra?

GEO, AEO e comércio agêntico inauguram uma nova fase do marketing, em que ser compreendido por algoritmos é tão importante quanto conquistar consumidores

A IA já recomenda marcas. O ser humano ainda decide a compra?  (Magnific/Reprodução)

A IA já recomenda marcas. O ser humano ainda decide a compra? (Magnific/Reprodução)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 14 de julho de 2026 às 14h06.

Última atualização em 15 de julho de 2026 às 11h56.

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Sim. Mesmo com a inteligência artificial recomendando marcas e com agentes de IA prestes a  realizar compras em nosso lugar, a decisão continua sendo humana. Afinal, é a pessoa quem usa o  produto, convive com ele, desenvolve confiança ou escolhe abandoná-lo. 

É nesse contexto que GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization)  deixaram de ser termos técnicos e passaram a integrar a estratégia das empresas. No entanto,  otimizar apenas para algoritmos significa construir uma marca que a IA menciona, mas que as  pessoas esquecem. O desafio é equilibrar os dois lados. 

Uma marca nunca foi criada para um algoritmo. Ela existe para gerar significado na mente das  pessoas. O que mudou é que, para chegar até elas, agora também precisa ser compreendida pelas  máquinas que fazem as recomendações. 

GEO e AEO: como as marcas entram nas respostas da IA 

Answer Engine Optimization (AEO) é o conjunto de estratégias para fazer com que uma marca seja  apresentada como resposta direta em mecanismos de resposta baseados em IA. 

Generative Engine Optimization (GEO) consiste em otimizar a presença digital para que uma marca  seja citada naturalmente nas respostas produzidas por modelos de IA generativa, como ChatGPT,  Gemini e Perplexity. 

Enquanto o SEO tradicional buscava colocar um site entre os primeiros resultados de uma pesquisa,  GEO e AEO têm outro objetivo: colocar a marca dentro da própria resposta. 

Quando alguém pergunta a uma IA "qual é a melhor plataforma de CRM?", por exemplo, marcas  com presença digital consistente, informações claras e referências confiáveis têm maior  probabilidade de aparecer na resposta.

Como a IA escolhe quais marcas recomendar 

Na prática, os modelos de IA tendem a recomendar as marcas que conseguem compreender com  maior clareza. 

Isso significa manter informações consistentes em todos os canais: site institucional, LinkedIn,  imprensa, redes sociais e demais fontes públicas. Quando uma empresa se descreve de maneiras  diferentes em cada ambiente, ela deixa de formar uma identidade única e passa a parecer múltiplas  entidades desconectadas. Hoje, ser facilmente interpretado pelos algoritmos tornou-se um requisito  básico para ganhar visibilidade. 

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O que a neurociência mostra sobre a decisão de compra 

Essa transformação pode ser observada sob duas perspectivas complementares. 

De um lado, estudos de atenção, emoção, memória e comportamento de decisão revelam o que  move as pessoas. De outro, os sistemas de IA interpretam, relacionam e priorizam informações para  definir quais marcas conseguem compreender e recomendar. É desse cruzamento entre  comportamento humano e presença algorítmica que nasce a relevância das marcas hoje. 

O comércio agêntico não elimina o fator humano 

A próxima etapa dessa transformação já começou: agentes de IA capazes de pesquisar, comparar  produtos e concluir compras em nome das pessoas. À primeira vista, isso pode dar a impressão de  que as marcas passarão a vender apenas para softwares, mas acontece exatamente o contrário. 

O agente apenas executa preferências humanas 

Um agente de IA não possui desejos, valores ou preferências próprias. Ele simplesmente executa  aquilo que seu usuário já definiu. Se uma pessoa confia em determinada marca, o agente tenderá a  escolhê-la. Se existe rejeição ou experiências negativas anteriores, essa preferência também será  refletida na decisão automatizada. 

O comércio agêntico não substitui o julgamento humano. Ele o herda. 

Quanto mais tarefas forem delegadas às máquinas, maior será a importância da percepção  construída anteriormente junto ao consumidor. A confiança continua sendo desenvolvida entre  pessoas. A IA apenas a coloca em prática. 

O que a inteligência artificial ainda não consegue otimizar 

A IA é extremamente eficiente para ampliar visibilidade e organizar informações. No entanto, ela  não cria significado. 

O que permanece exclusivamente humano

A IA pode analisar sinais, prever respostas e identificar padrões relacionados a esses fenômenos,  mas não os vive como uma pessoa. 

Atenção
Emoção
Memória
Confiança

São esses elementos que fazem alguém escolher uma marca pela primeira vez, voltar a comprar e  recomendá-la para outras pessoas, ou configurar seu próprio agente de IA para priorizá-la. 

Relevância agora depende de dois intérpretes 

Hoje, toda marca precisa ser compreendida simultaneamente por dois intérpretes: 

o cérebro humano, que percebe, sente, memoriza e escolhe; 

os sistemas de IA, que interpretam informações, estabelecem relações, priorizam e fazem  recomendações. 

Trabalhar apenas o algoritmo gera marcas citáveis e vazias. Trabalhar apenas a percepção humana  gera marcas amadas e invisíveis para quem hoje recomenda. O verdadeiro diferencial está em ser  forte para os dois. 

Foi para trabalhar essa fronteira que Paula Tempelaars desenvolveu o framework Arquitetura de  Relevância de Marca, que integra neurociência da decisão, estratégia de marca, GEO, AEO e  presença algorítmica para fortalecer marcas diante dos dois intérpretes que hoje influenciam as  escolhas: o cérebro humano e os sistemas de IA. 

A IA mudou o caminho, não o destino 

A inteligência artificial tornou a execução mais rápida e abundante. O recurso que passou a ser  escasso é a capacidade de construir significado para uma pessoa e, ao mesmo tempo, ser  compreendido pelos sistemas inteligentes que fazem recomendações. 

Otimizar uma marca para IA não significa substituir o fator humano pelo algoritmo. Significa reconhecer que o algoritmo é apenas o caminho até a pessoa, nunca o destino. 

As marcas continuam sendo feitas para quem compra, usa e recomenda, e não para quem apenas as  classifica. 

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Perguntas frequentes

O que é GEO? 

GEO é a otimização da presença digital para aumentar as chances de uma marca ser compreendida e  citada por inteligências artificiais generativas. 

O que é AEO? 

AEO é a otimização para que uma marca seja apresentada como resposta direta em mecanismos de  busca e resposta baseados em inteligência artificial. 

O que é comércio agêntico? 

É o modelo em que agentes de IA pesquisam, comparam opções e realizam compras em nome do  usuário. 

Esses agentes não criam preferências próprias. Apenas executam as escolhas, os valores e as  prioridades previamente definidos pela pessoa. 

O que é a Arquitetura de Relevância de Marca? 

É um framework criado por Paula Tempelaars que integra neurociência da decisão, estratégia de  marca, GEO, AEO e presença algorítmica para aumentar a relevância de uma marca tanto para  consumidores quanto para sistemas de inteligência artificial. 

Sobre a autora 

Paula Tempelaars é arquiteta de relevância para humanos e inteligências artificiais e palestrante  keynote. Atua na integração entre neurociência da decisão, comportamento de compra e  inteligência artificial para tornar marcas, líderes e negócios memoráveis para pessoas e citáveis por  sistemas inteligentes. 

É criadora do framework Arquitetura de Relevância de Marca, CEO da NeuroWits, fundadora da  W,.AI, Women in AI Network Brazil, e liderou a operação da Neurons no Brasil. Saiba mais em paulatempelaars.com.br.

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