Lula e Jaques Wagner: operação contra aliado de Lula prejudica imagem do presidente (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 2 de julho de 2026 às 07h18.
Última atualização em 2 de julho de 2026 às 08h46.
A operação envolvendo o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado, tem potencial para desgastar a imagem do presidente Lula, na avaliação da maioria dos entrevistados pela AtlasIntel.
Pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 2, mostra que 57,1% dos brasileiros que acompanharam o caso afirmam que o episódio piora a percepção sobre o governo federal, sendo 39,6% que dizem que a imagem piora "muito" e outros 17,5% que afirmam que piora "um pouco".[/grifar]
Por outro lado, 36,2% afirmam que o caso não afeta sua imagem do governo Lula. Apenas 4,4% dizem que o episódio melhora a percepção sobre a gestão petista, enquanto 2,2% não souberam responder.
A Polícia Federal investiga se o parlamentar recebeu vantagens econômicas indevidas em meio ao suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro ligado ao Caso Master.
O principal ponto citado pela PF é a suspeita de que Wagner tenha sido beneficiário de um apartamento de R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador.
Wagner deixou a liderança do governo no Senado seis dias após o desgaste gerado pela operação.
Os recortes demográficos mostram que a percepção negativa é mais intensa entre os mais jovens e entre eleitores identificados com a direita.
Na faixa de 16 a 24 anos, 83,5% afirmam que o caso piora a imagem do governo Lula, sendo 53,4% que enxergam um grande impacto e 30,1% um impacto menor. Entre pessoas de 25 a 34 anos, o percentual chega a 63,1%, enquanto entre entrevistados de 35 a 44 anos atinge 61,1%.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, o impacto também é expressivo: 90,9% avaliam que o episódio piora a imagem do governo, contra apenas 5,8% entre os eleitores de Lula. Nesse grupo, dois terços (66,2%) dizem que o caso não altera sua percepção sobre o governo.
O levantamento também identifica diferenças regionais e religiosas. No Sudeste, 64,6% afirmam que o caso piora a imagem do governo, seguidos pelo Norte (63,3%), Centro-Oeste (61,9%) e Sul (56,5%).
O Nordeste é a única região em que prevalece a percepção de que o episódio não afeta o governo, opção escolhida por 44,2% dos entrevistados, enquanto 44,5% enxergam algum prejuízo.
Entre os evangélicos, 66,9% afirmam que o caso desgasta a imagem de Lula, percentual superior ao registrado entre católicos (52,3%). Já entre agnósticos e ateus, a maioria (61,6%) afirma que o episódio não afeta sua percepção sobre o governo.
No recorte por posicionamento político, 96,2% dos entrevistados que se identificam como direita bolsonarista afirmam que o caso piora a imagem do governo. Entre a direita não bolsonarista, esse percentual é de 87,7%. Já entre a esquerda lulista, 76,8% dizem que o episódio não produz impacto na imagem do governo Lula.
A pesquisa mostra ainda que o caso alcançou elevado nível de conhecimento entre a população. Ao todo, 71,4% afirmam ter acompanhado de perto as investigações envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master, enquanto outros 22,5% dizem ter ouvido falar, mas conhecer poucos detalhes. Apenas 6,1% afirmam desconhecer o episódio.
Entre aqueles que tiveram conhecimento da operação, 74,3% acreditam que Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco Master, enquanto apenas 9,4% dizem não acreditar nessa hipótese. Outros 16,2% afirmam não saber.
Questionados sobre o alcance político do caso, os entrevistados ficaram divididos. Para 37,8%, trata-se de um problema exclusivamente pessoal do senador. Outros 35,6% avaliam que o episódio afeta diretamente o presidente Lula, enquanto 23,5% entendem que o desgaste recai sobre parte do governo federal.
Somadas as duas últimas respostas, 59,1% afirmam que o caso produz algum tipo de impacto político sobre o governo ou sobre o presidente da República.
A pesquisa também mediu como os brasileiros associam politicamente o escândalo do Banco Master. Para 37,6%, o grupo mais envolvido seria principalmente os aliados de Lula, percentual muito próximo dos 36% que apontam os aliados de Jair Bolsonaro. Outros 17,1% afirmam que todos os grupos políticos estão igualmente implicados no esquema, enquanto 6,1% atribuem maior responsabilidade ao Centrão.
Os cruzamentos revelam forte polarização nessa percepção. Entre os eleitores de Lula no segundo turno de 2022, 76,2% atribuem o caso principalmente aos aliados de Jair Bolsonaro. Já entre os eleitores de Bolsonaro, 72,3% responsabilizam principalmente os aliados de Lula.
Por fim, a AtlasIntel questionou se episódios como esse podem comprometer uma eventual candidatura de Lula à reeleição. Embora 36,3% afirmem que casos dessa natureza não prejudicam o presidente, a maioria (61,2%) avalia que há algum impacto eleitoral: 32,4% dizem que prejudicam muito e 28,8% afirmam que prejudicam um pouco. Apenas 2,4% não souberam responder.