Michelle e Flávio: episódio é visto como prejudicial para a campanha pela maioria dos eleitores
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 2 de julho de 2026 às 07h18.
A exposição do desentendimento entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro enfraquece uma eventual candidatura presidencial do senador para 64,1% dos entrevistados que assistiram ao vídeo divulgado pela ex-primeira-dama, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira, 2.
Desse total, 37,8% afirmam que o episódio enfraquece "muito" a candidatura, enquanto 26,3% dizem que enfraquece "um pouco".
Outros 22,4% avaliam que a crise não produz impacto eleitoral, e apenas 9,2% entendem que o conflito fortalece Flávio Bolsonaro.
A crise ganhou repercussão após Michelle divulgar um vídeo de cerca de 27 minutos, no qual afirmou ter sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro durante uma discussão sobre os rumos do partido no Ceará.
Segundo ela, o senador a tratou de forma ríspida ao defender que ela não interferisse nas decisões da legenda sobre uma possível aliança envolvendo o ex-ministro Ciro Gomes.
Na terça-feira, 30, a ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023.
Os resultados indicam que a percepção negativa atravessa diferentes segmentos do eleitorado, embora varie de intensidade conforme perfil demográfico e político. Entre os homens, 73,2% afirmam que a exposição enfraquece a candidatura, percentual superior ao observado entre as mulheres (55,8%).
Entre os jovens de 16 a 24 anos, o efeito negativo é o mais intenso de toda a pesquisa: 89,5% dizem que o episódio enfraquece a candidatura de Flávio Bolsonaro, sendo 51,4% "muito" e 38,1% "um pouco". A percepção também é elevada entre entrevistados de 35 a 44 anos (67,7%) e de 45 a 59 anos (62,9%), enquanto cai para 49,8% entre pessoas com 60 anos ou mais, grupo em que um terço afirma que a briga não afeta a candidatura.
O levantamento também mostra diferenças relevantes por renda. Entre os entrevistados com renda familiar de até R$ 2 mil, 71,9% enxergam prejuízo eleitoral para Flávio Bolsonaro. Nas faixas entre R$ 2 mil e R$ 3 mil e entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, o percentual fica em 56,1% e 67,2%, respectivamente. Já entre aqueles com renda superior a R$ 10 mil, 70,5% também avaliam que a crise enfraquece o senador.
Na divisão por escolaridade, o efeito negativo aparece em todos os níveis de ensino, alcançando 70,4% entre pessoas com ensino superior, 65% entre quem cursou apenas o ensino fundamental e 59,7% entre entrevistados com ensino médio.
As diferenças também aparecem no recorte religioso. Entre católicos, 68,2% avaliam que a candidatura é prejudicada pela crise, índice superior ao registrado entre evangélicos (59%) e pessoas sem religião organizada (56,9%). Entre agnósticos e ateus, o percentual chega a 82%.
Regionalmente, o Nordeste registra a maior percepção de enfraquecimento (74,5%), seguido pelo Norte (70,9%), Centro-Oeste (63,8%), Sudeste (57,7%) e Sul (56,4%).
O contraste mais expressivo aparece no recorte político. Entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022, 81,5% avaliam que o episódio prejudica Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, esse percentual cai para 41,6%, enquanto 39,6% afirmam que a crise não afeta a candidatura e 17,7% dizem que ela fortalece o senador.
Outros 29,3% dizem não acreditar na versão apresentada pela ex-primeira-dama, enquanto 11,3% afirmam não saber.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, porém, o cenário é inverso. A maioria (54,6%) afirma não acreditar nas acusações de Michelle, enquanto 29,9% dizem acreditar e 15,6% não souberam responder.
Na comparação entre as versões apresentadas pelos dois, Michelle também leva vantagem no resultado geral. Entre os entrevistados que assistiram ao vídeo, 38,3% afirmam concordar mais com a posição da ex-primeira-dama, contra 20,6% que ficam com Flávio Bolsonaro. Outros 21,4% dizem concordar parcialmente com ambos, e 19,6% não souberam responder.
Apesar disso, entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o senador recupera vantagem. Nesse grupo, 43,2% dizem concordar mais com Flávio Bolsonaro, enquanto 17,3% apoiam Michelle e 33,6% afirmam concordar parcialmente com ambos.
A pesquisa também investigou como os entrevistados interpretaram a motivação do vídeo publicado por Michelle. Para 38,6%, a principal intenção teria sido demonstrar desejo de disputar a Presidência no lugar de Flávio Bolsonaro. Outros 28,5% acreditam que a ex-primeira-dama apenas quis expor divergências políticas e pessoais, enquanto 22,3% entendem que ela buscou ampliar seu espaço político dentro do PL.
Mesmo com a crise, a participação de Michelle em uma eventual campanha presidencial de Flávio é vista como relevante. Para 28,9%, seu apoio seria muito importante, enquanto 26,5% consideram essa participação importante. Em contrapartida, 16,3% classificam esse apoio como pouco importante e 11,7% dizem que não teria importância.
Por fim, a pesquisa mostra que 51% concordam com a decisão de Michelle Bolsonaro de publicar o vídeo relatando o desentendimento, enquanto 35,1% discordam. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, no entanto, prevalece a desaprovação: 65,6% dizem discordar da divulgação, ante 26,5% que apoiam a iniciativa.
A pesquisa AtlasIntel ouviu 4.999 brasileiros adultos entre os dias 26 e 30 de junho, por meio de recrutamento digital aleatório, metodologia conhecida como Atlas RDR.
A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.