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Vaticano confirma excomunhão de bispos conservadores

Decisão do Vaticano amplia conflito histórico com a Fraternidade São Pio X, fundada em oposição às reformas do Concílio Vaticano II

Publicado em 2 de julho de 2026 às 08h42.

O Vaticano confirmou nesta quinta-feira, 2, a excomunhão de seis bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) após a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do papa Leão XIV.

A Santa Sé classificou a cerimônia como um ato de cisma e afirmou que os envolvidos romperam formalmente a comunhão com a Igreja Católica.

A decisão atinge os quatro religiosos ordenados — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier —, além dos bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, responsáveis pela cerimônia realizada na quarta-feira, em Ecône, na Suíça.

Segundo o Dicastério para a Doutrina da Fé, a consagração episcopal sem mandato pontifício configura uma violação do direito canônico e leva automaticamente à excomunhão reservada à Sé Apostólica.

Santa Sé diz que tentativas de reconciliação fracassaram

A decisão foi anunciada um dia depois de o papa Leão XIV enviar uma carta à congregação pedindo que as ordenações fossem canceladas. O pontífice alertou que insistir na cerimônia resultaria na aplicação imediata da pena de excomunhão.

Mesmo diante do apelo, a Fraternidade São Pio X manteve o evento, que reuniu cerca de 15 mil pessoas e foi transmitido ao vivo em diversos idiomas.

Em nota, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, afirmou que as sucessivas tentativas do Vaticano para restabelecer a plena comunhão com o grupo não tiveram sucesso e que as novas ordenações aprofundaram a ruptura.

O Vaticano também advertiu que religiosos e leigos que aderirem formalmente ao cisma poderão ser automaticamente excomungados.

Vaticano considera inválidos sacramentos celebrados pelo grupo

Além de declarar os ministros da Fraternidade São Pio X em situação de cisma, a Santa Sé informou que alguns sacramentos administrados pela congregação deixam de ser reconhecidos pela Igreja.

Segundo o documento, o sacramento da penitência celebrado pelos sacerdotes do grupo e os casamentos realizados por seus ministros passam a ser considerados inválidos.

Ao mesmo tempo, o Vaticano afirmou que permanece disposto a acolher integrantes da fraternidade que decidam retornar à plena comunhão com a Igreja Católica.

Conflito entre Roma e a Fraternidade dura mais de cinco décadas

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi criada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre como reação às reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, consideradas pelo grupo uma ruptura com a tradição litúrgica e doutrinária da Igreja.

Em 1988, o papa João Paulo II excomungou Lefebvre e quatro bispos ordenados sem autorização da Santa Sé. Em 2009, Bento XVI retirou a excomunhão na tentativa de abrir caminho para uma reconciliação, mas a fraternidade permaneceu em situação canônica irregular.

Com a nova decisão, o Vaticano considera que a realização de novas ordenações sem autorização papal consolidou novamente o rompimento institucional entre Roma e a congregação.

Atualmente, a Fraternidade São Pio X reúne 733 sacerdotes, 250 religiosas, 145 religiosos e 264 seminaristas. A congregação afirma possuir cerca de 500 mil fiéis e atuação em mais de 60 países.

*Com EFE

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