Tarcísio: A entrega acontece em um momento em que o chefe do executivo paulista mudou de postura em relação à sua agenda de concessões dos trilhos no estado (Pablo Jacob/Governo do Estado de SP)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 2 de julho de 2026 às 07h00.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) inaugura nesta quinta-feira, 2, o primeiro trecho da Linha 6-Laranja, ramal que demorou quase 18 anos para sair do papel.
Seis estações entram em operação assistida, marcando a primeira entrega do maior empreendimento de mobilidade urbana em execução na América Latina.
Nesta primeira etapa, serão abertas as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes.
O funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa para acesso ao metrô.
A operação inicial contará com dois trens em sistema shuttle, com uma composição em cada via e intervalo médio de 19 minutos. Neste primeiro momento, a condução será manual, com operadores a bordo e velocidade máxima de 30 km/h.
Ainda neste ano, o governo estadual prevê entregar as estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado.
A projeção é que a operação integral do primeiro trecho da linha comece até o fim do ano. A conclusão das demais estações ocorrerá de forma escalonada, ampliando gradualmente a operação até que toda a linha entre em funcionamento, em 2027.
Quando estiver totalmente concluída, a Linha 6-Laranja ligará Brasilândia à estação São Joaquim em cerca de 23 minutos, reduzindo um trajeto que atualmente leva aproximadamente 1h30 de ônibus. O ramal terá 15,3 quilômetros de extensão e 15 estações, conectando as zonas norte e oeste ao centro da capital paulista.
A Linha 6-Laranja é uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo de São Paulo e a concessionária Linha Uni, responsável pela operação da nova linha.
O contrato soma cerca de R$ 19 bilhões em investimentos e inaugurou um modelo em que a mesma empresa responde pela implantação da infraestrutura e pela operação comercial do ramal.
A entrega é um dos trunfos do chefe do executivo em seu projeto de reeleição.
Tarcísio planeja apresentar, durante a campanha de reeleição, a entrega de obras que ficaram por anos paradas em governos anteriores como o diferencial da sua entrega.
Além da linha 6, a gestão entregou a linha 17, prometida para a Copa de 2014, e o Rodoanel Norte, iniciado em 1998 pelo então governador Mário Covas.
A entrega acontece em um momento em que o chefe do executivo paulista mudou de postura em relação à sua agenda de concessões dos trilhos no estado.
Na última terça-feira, 30, o chefe do executivo paulista disse que não pretende mais conceder as linhas operadas pelo Metrô à iniciativa privada, e que até deseja ampliar a participação da empresa pública na gestão.
"Acho que a capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. Não é aquele negócio de “preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando”. A realidade é que o Metrô está operando muito bem e, hoje, a minha tendência é que continue o Metrô operando essas linhas. Na verdade, o que eu estou pensando é a expansão das linhas operadas pelo Metrô hoje", disse durante evento nessa semana.
A ideia inicial da gestão Tarcísio era conceder as linhas 1, 2 e 3 do Metrô após leiloar quase todos os ramais da CPTM. Hoje, apenas a linha 10-Turquesa segue com a CPTM.
A mudança de postura tem relação com uma leitura inteira da equipe do governador. A visão é que conceder uma linha já em operação para a iniciativa privada pode gerar transtornos, uma vez que apenas o Metrô tem a experiência de anos de operação.
Um dos exemplos citados por aliados de Tarcísio é a concessão das linhas 8 e 9, hoje administrada pela Via Mobilidade, da Motiva. O processo foi tocado durante o governo João Doria, não teve processo de operação conjunta entre a empresa privada e a CPTM e ocasionou o aumento do número de falhas e problemas nas linhas.
A ideia é criar parcerias com a iniciativa privada para construção de novas linhas e manter a operação do Metrô. A gestão tem estudos para criar as linhas 14, 16, 20 e 22 para os próximos anos.