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'Tesouraço' e privatizações: os sinais de Flávio sobre a economia

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro buscou se apresentar como um nome mais “centrado” dentro do campo conservador

Flávio Bolsonaro: pré-candidato afirmou que planeja privatizar 95% das estatais (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

Flávio Bolsonaro: pré-candidato afirmou que planeja privatizar 95% das estatais (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 09h00.

Consolidado como nome competitivo nas últimas pesquisas, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) deu as primeiras sinalizações sobre como seriam os pilares econômicos de um eventual governo.

Em discurso direcionado ao mercado financeiro durante o CEO Conference do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), ele falou em “tesouraço” fiscal, redução de carga tributária, enxugamento da máquina pública e retomada de privatizações.

Flávio buscou se apresentar como um nome mais “centrado” dentro do campo conservador. Disse que pretende vencer a eleição “com o cérebro e não com o fígado” e defendeu diálogo institucional, apesar das críticas ao Judiciário e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta semana, Lula aparece com 35% no primeiro turno contra 29% de Flávio; no segundo turno, a disputa seria 43% a 38%, com rejeição técnica empatada (54% a 55%).

Para o senador, “essa eleição não vai ser sobre Lula e Bolsonaro mais”, mas sobre “o caminho da prosperidade”.

Tesouraço fiscal e crítica ao arcabouço

No centro da proposta econômica está o que chamou de “tesouraço”.A medida envolveria corte de gastos públicos, redução de impostos, diminuição de burocracia e enxugamento de cargos comissionados.

“Tem que cortar carga tributária, tem que cortar burocracia, tem que cortar cargos em comissão”, afirmou, ao defender redução de gastos públicos e enxugamento da máquina. Ele evitou detalhar áreas específicas de corte.

“Eu não vou dar detalhes do que eu vou propor”, disse, ao argumentar que mudanças fiscais exigem modelagem técnica.

O senador afirmou que o principal objetivo é devolver “previsibilidade” ao país.

Flávio direcionou críticas ao arcabouço fiscal. Segundo ele, o modelo foi estruturado com base em projeções otimistas de arrecadação e dívida.

Citou a relação dívida/PIB, que, segundo afirmou, teria saído de 76% para 79%, com previsão de chegar a 84% até 2026.

“Eles aumentam a arrecadação para aumentar os gastos”, afirmou.

Ao mesmo tempo, afirmou que manterá programas sociais.

“Não tem nenhum candidato à presidência da República que vai falar em cortar isso”, disse, ao mencionar o Bolsa Família. A diferença, segundo ele, estaria na criação de uma “rampa de saída” para reduzir dependência do Estado.

Privatizar 95%

A parte mais extensa da fala sobre economia foi dedicada às estatais. Flávio disse ser favorável às privatizações e usou uma frase que resume a sua posição: “Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”.

Ele argumentou que muitas empresas públicas se tornam vulneráveis a ciclos políticos e voltam a registrar prejuízos com mudanças de governo.

Segundo ele, déficits bilionários acabam pressionando o Orçamento e reduzem espaço para investimentos em áreas como educação e segurança. O senador citou o caso dos Correios, que precisou recorrer a um empréstimo de R$ 20 bilhões para honrar com seus compromissos.

“Grande parte das nossas estatais precisam ser privatizadas, precisam ser modernizadas, precisam ser melhor geridas”, afirmou.

Ao mesmo tempo, ele defendeu tratamento diferenciado para setores considerados estratégicos. Citou as chamadas terras raras, minerais usados em chips, nanotecnologia e inteligência artificial, e lembrou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial.

Para ele, o país precisa desenvolver capacidade de refino e agregação de valor por meio de parcerias público-privadas, evitando apenas exportar matéria-prima.

A leitura do senador é que o cenário internacional, marcado por disputas geopolíticas e maior protecionismo, exige cautela na venda de ativos ligados a recursos naturais e insumos críticos.

Ministro da Fazenda e equipe econômica

Questionado sobre o futuro ministro da Fazenda, Flávio evitou anunciar nomes e disse que ainda é cedo para definições. Afirmou que não conversou com os economistas especulados publicamente e que não pretende antecipar a escolha.

“Não vou aceitar ninguém. Tem que ser no mínimo igual ao Paulo Guedes”, disse, ao elevar a régua para o comando da área econômica.

O senador afirmou que já conversa com especialistas que o ajudam a estruturar um “plano de Brasil”, mas indicou que a definição da equipe ocorrerá em momento mais próximo da campanha. Segundo ele, o perfil buscado é o de alguém capaz de garantir previsibilidade fiscal e ambiente favorável ao investimento privado.

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