Banco Central mantém taxa de juros em 15% (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 19h49.
O comunicado em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central detalha a decisão desta quarta-feira, 10, de manter a taxa de juros em 15% ao ano reforçou o tom duro e ampliou as apostas de que o ciclo de cortes da Selic só começará em março, segundo economistas consultados pela EXAME.
O texto divulgado é praticamente igual ao da última reunião, em novembro, mas apresenta uma leve melhora na expectativa da inflação a longo prazo. Para especialistas, porém, não parece ser o suficiente para que a redução dos juros já seja iniciado na próxima reunião, em janeiro.
Em relatório, a consultoria 4intelligence diz que o fato de o comunicado ter sido “praticamente ao último tende a enfraquecer as apostas de corte da Selic já em janeiro”.
“Nossa projeção continua a contemplar o início do ciclo de flexibilização monetária apenas para março, perspectiva que ficou reforçada com o desfecho e o comunicado da reunião do Copom”, afirma.
O economista-chefe do Daycoval, Rafael Cardoso, segue a mesma linha. “Na nossa leitura, não houve sinalização de que a porta está aberta para se cortar a Selic em janeiro, o que ,em linhas gerais, reforça nossa expectativa de a que taxa só seja reduzida em março”, diz.
Porém, ele diz que viu um “passo extra” dado pelo Banco Central no comunicado “nas projeções relativas ao horizonte relevante, que vieram um pouco abaixo” do que imaginavam.
“A comunicação traz um sentido de que ciclo está andando, de que o BC deu um passo adiante. Continua fazendo reconhecimento que atividade econômica está arrefecendo, ainda que o mercado de trabalho tenha algum tipo de resiliência, faz reconhecimento que a inflação está melhorando, ainda que exista parte da inflação um pouco mais resiliente. Então, existe um reconhecimento do BC de que coisas estão acontecendo na direção necessária”, afirma.
O economista do banco BV, Carlos Lopes, diz que, caso o Banco Central tivesse uma convicção maior sobre um corte de juros já no próximo mês, várias mudanças poderiam ter sido feitas nessa comunicação, o que não ocorreu.
“O Banco Central parece querer ganhar mais tempo para acumular mais dados sobre inflação, expectativas e evolução da atividade econômica antes de iniciar o próximo ciclo. Nossa expectativa segue de 12% de Selic ao final do ano que vem", afirma.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, afirma que a inflação corrente tem apresentado sinais benignos, mas “grupos ainda preocupam, especialmente os serviços intensivos em mão de obra, muito relacionados ao mercado de trabalho”, o que com que os núcleos de inflação continuem acima do desejado.
“Houve uma leve melhora nas expectativas de inflação, mas o Banco Central reforçou que precisa ver uma ancoragem mais sólida das projeções, ainda distantes da meta de 3%”, diz.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, no entanto, vai na contramão dos demais colegas do mercado financeiro.
“Mantemos nossa expectativa de início da flexibilização a partir de janeiro de 2026, mas condicionada a nova evolução positiva do cenário. Projetamos nova queda da inflação nos próximos meses, com a atividade desacelerando o que deve resultar em novas revisões de baixa das expectativas e abrir espaço para o início dos cortes no começo de 2026”.