Diante da dificuldade crônica com os bancos, para financiar a empresa 43% das empreendedoras acabam recorrendo ao cartão de crédito, a modalidade com as maiores taxas de juros do mercado, justamente pela facilidade de acesso. (Freepik/Freepik)
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Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 17h22.
Última atualização em 2 de dezembro de 2025 às 10h17.
O governo federal reduziu a projeção para o salário mínimo de 2026.
A nova estimativa, enviada pelo Ministério do Planejamento ao Congresso, prevê um piso de R$ 1.627, um pouco abaixo dos R$ 1.631 calculados anteriormente.
A mudança acontece porque a inflação deve fechar o ano mais baixa do que o esperado, o que ajusta os parâmetros usados no Orçamento do próximo ano.
A projeção considera o movimento mais moderado dos preços em 2024. O IPCA-15, prévia da inflação, subiu 0,20% em novembro e acumula 4,5% em 12 meses, dentro do limite da meta. O salário mínimo, porém, é calculado com base no INPC, que será divulgado em 10 de dezembro e só então o valor final será definido.
Se a estimativa for confirmada, o salário mínimo de 2026 deve ter um reajuste próximo de 7,2% em relação ao valor atual.
O salário mínimo é a referência usada pelo governo para calcular uma série de pagamentos federais e afeta a renda de milhões de pessoas — segundo dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebem até um salário.
Além disso, o valor segue como base para o pagamento de aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego, abono salarial e outros programas sociais vinculados ao piso, então, cada reajuste modifica automaticamente essas despesas.
O salário mínimo em vigor é de R$ 1.518, valor acima da projeção inicial do governo para 2025.
A proposta orçamentária enviada ao Congresso (PLN 26/24) em agosto de 2024 previa um piso de R$ 1.509, com aumento estimado de 6,87% sobre os R$ 1.412 pagos até então. O valor final foi ampliado após a consolidação dos índices de inflação usados no cálculo.
Nos últimos dez anos, o salário mínimo passou de R$ 788 (2015) para R$ 1.518 (2025). No período, o piso teve crescimento nominal de 92,7%, impulsionado por reajustes anuais.
2025: R$ 1.518 (+7,9%)
2024: R$ 1.412 (+6,97%)
2023 (maio): R$ 1.320 (+1,38%)
2023 (janeiro): R$ 1.302 (+7,43%)
2022: R$ 1.212 (+10,18%)
2021: R$ 1.100 (+5,26%)
2020 (fevereiro): R$ 1.045 (+0,58%)
2020 (janeiro): R$ 1.039 (+4,11%)
2019: R$ 998 (+4,61%)
2018: R$ 954 (+1,81%)
2017: R$ 937 (+6,48%)
2016: R$ 880 (+11,68%)
2015: R$ 788 (+8,84%)
O cálculo para o piso base estipulado pelo governo usa dois componentes:
Essa regra busca equilibrar a reposição da inflação com ganhos reais compatíveis com o orçamento público — vale lembrar que o piso é o valor base para benefícios como aposentadorias, pensões, BPC e seguro-desemprego. Cada R$ 1 a mais no salário mínimo gera impacto de cerca de R$ 400 milhões nas contas federais.
O salário mínimo nominal é o valor fixado em reais, que o trabalhador recebe no contracheque.
Já o salário mínimo real mostra quanto esse dinheiro realmente compra, porque desconta a inflação. A diferença entre eles está no poder de aquisição: o nominal indica o valor do pagamento; o real indica o que aquele valor consegue adquirir em bens e serviços. Só há ganho real quando o reajuste do salário é maior do que a inflação do período.
Por exemplo, o salário mínimo nominal de 2025 é de R$ 1.518. Se a projeção para 2026 ficar em torno de R$ 1.627, o aumento seria de cerca de 7,2%. Caso a inflação acumulada esteja perto de 4,5%, esse reajuste acima da alta de preços significa ganho real, pois o trabalhador passa a comprar um pouco mais do que no ano anterior.
O movimento contrário também é possível. Se, hipoteticamente, o salário mínimo voltasse a R$ 1.412, valor pago em 2024, mesmo que a inflação acumulada fosse de 4,5%, haveria perda real. Isso porque o trabalhador receberia menos enquanto os preços seguiriam mais altos. Nesse cenário, o salário nominal estaria menor, e o salário real (o poder de compra) cairia ainda mais em relação ao ano anterior.