Gilmar Mendes, ministro do STF (Um Brasil/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 11h04.
Última atualização em 19 de agosto de 2026 às 11h08.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou, nesta quarta-feira, 19, que candidatos a cargos eletivos na campanha eleitoral deste ano tenham como bandeira o impeachment de ministros da Corte, mas disse não se impressionar com as propostas nesse sentido e que elas não devem ter repercussões práticas.
"É um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isto (as promessas de promoção de impeachment de ministros do STF) tem um apelo eleitoral. E entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme. Certamente, se alguém com essa bandeira se tornar senador, ele terá imensas dificuldades de implementá-la porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido", disse.
O ministro, que discursou em evento promovido pelo Esfera e pelo laboratório EMS em Brasília, disse não se preocupar com as ameaças à autonomia do Supremo por parte de candidatos. A plataforma eleitoral de candidatos ao Senado apoiados por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) inclui propostas para a remoção de ministros. O Senado tem a prerrogativa de remover ministros em casos de graves faltas.
"Há um tipo de propaganda que se faz disso. Há um dolo, mas que se faz apenas para fins eleitorais. Acredito que a questão está mais colocada em relação a esse contexto eleitoral, mas não para se efetivar quando alguém eventualmente lograr obter um cargo de senador. Sou enfermeiro que já viu sangue. Então, não me impressionam essas promessas de campanha”, disse Gilmar.
O ministro, que já presidiu o Tribunal Superior Eleitoral, voltou a defender as urnas eletrônicas e disse não esperar ações estrangeiras de intervenção ou pressão sobre as instituições com vistas a mudar o resultado eleitoral.
"O Brasil tem uma democracia sólida. Um dos pilares de confiança é o sistema eletrônico de votação. Eu mesmo, enquanto presidente do TSE, negociei com a OEA (Organização dos Estados Americanos) o status de observação eleitoral. A OEA esteve nas eleições do Brasil e atestou a fidelidade do nosso sistema, sua rigidez e a sua prontidão", afirmou o ministro.