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Elon Musk: plano prevê fábricas lunares e data centers em órbita movidos a energia solar. (Wikimedia Commons/Imagem gerada por IA)
Colunista
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 11h00.
Uma fábrica sem trabalhadores, a 384 mil quilômetros da Terra, que nunca para, alimentada por um sol sem nuvens. Parece ficção científica? Mas não é. A ideia é parte de um plano de Elon Musk para resolver o principal problema da Inteligência Artificial (IA) hoje: a falta de energia rápida e suficiente na Terra para sustentar seu crescimento. A solução proposta é construir fábricas de satélites na superfície da Lua e lançá-los para funcionarem como datacenters movidos a energia solar. O processamento pesado da IA seria feito no espaço e os resultados seriam transmitidos de volta para a Terra.
A lógica de Musk tem base científica: a Lua não tem atmosfera e a gravidade é um sexto da terrestre, o que torna muito mais barato lançar objetos para o espaço a partir de lá. Para aproveitar essa vantagem, Musk quer construir na Lua uma catapulta eletromagnética gigantesca capaz de lançar satélites ao espaço sem uso de foguetes com combustível. O sistema usaria energia solar, abundante e quase contínua nos polos da Lua.
O objetivo declarado de Musk é desenvolver entre 500 e 1000 terawatts de capacidade computacional por ano em órbita, superando em mil vezes a escala atual terrestre (a capacidade produtiva solar na China sozinha já supera 1 terawatt, mas o mercado global consome cerca de 60% dessa capacidade).
Para que qualquer coisa dessa magnitude funcione, a aposta é o envio do foguete Starship da SpaceX, o maior já construído, com capacidade de até 200 toneladas por voo, que pretende reduzir o custo a menos de US$ 100/kg com reuso pleno e produção em escala.
Mas construir infraestrutura na Lua custa uma fortuna, e as economias de lançamento com o Starship ainda estão “no papel”, porque ele ainda está em fase experimental. A produtividade que Musk promete depende de centenas de voos anuais, fábricas lunares robotizadas e tecnologias que ainda não saíram do laboratório. A catapulta eletromagnética, por exemplo, é uma ideia antiga, porém nenhuma já foi construída fora da Terra.
É nesse contexto que a SpaceX abriu seu capital na bolsa Nasdaq em junho de 2026, no maior IPO da história. A empresa captou US$ 75 bilhões, com avaliação inicial de US$ 1,75 trilhão, o que a coloca entre as empresas mais valiosas do mundo, ao lado de Apple, Microsoft e Nvidia. Para chegar a esse número, a SpaceX absorveu a xAI em fevereiro de 2026, numa fusão que avaliou a empresa combinada em US$ 1,25 trilhão O negócio foi rápido porque ambas as empresas são controladas por Musk. Isso preparou o terreno para o IPO.
A receita da SpaceX em 2025 foi de US$ 18,7 bilhões. A Starlink, divisão de internet por satélite, é o único segmento lucrativo, gerando US$ 1,2 bilhão de lucro operacional. Lançamentos de foguetes, com receita de US$ 4 bilhões, operam no vermelho. A divisão de IA teve prejuízo de US$ 6 bilhões em 2025, e mais US$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A avaliação de US$ 1,75 trilhão, portanto, não reflete o que a empresa faz hoje, mas o que investidores acreditam que ela fará no futuro.
Por ora, o mercado apostou, com as ações subindo em 19% no primeiro dia de negociação. Musk, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se oficialmente o primeiro trilionário da história.